(2 Crônicas o Livro Biografia dos
lideres)
Livro 2
Barack Hussein Obama II (Honolulu, 4 de agosto de 1961) é um advogado e político norte-americano que serviu como o 44.º presidente dos Estados Unidos de 2009 a 2017, sendo o primeiro afro-americano a ocupar o cargo. Nascido em Honolulu, no Havaí, Obama é graduado em ciência
política pela Universidade
Columbia e em direito pela Universidade
de Harvard, onde foi
presidente da Harvard
Law Review. Também
atuou como organizador comunitário, advogado na defesa de direitos civis e ensinou direito constitucional na escola de
direito da Universidade
de Chicago entre 1992 a
2004. Obama representou por três mandatos o 13.º distrito no Senado de
Illinois entre 1994 a
2004, tentando eleger-se, sem sucesso, ao Congresso dos Estados Unidos em 2000.
Em 2004, após vencer a primária
democrata da eleição para o Senado em Illinois, Obama foi convidado para fazer o
discurso principal da Convenção Nacional Democrata daquele ano, e, com isso recebeu atenção nacional da mídia. Em novembro,
foi eleito Senador com quase 70% dos votos. Obama começou sua campanha
presidencial em 2007 e em 2008, depois de uma acirrada disputa nas primárias do partido com Hillary Clinton, conseguiu apoio suficiente para ganhar a
nomeação do Partido Democrata
para a presidência dos Estados Unidos. Ele derrotou o candidato republicano John McCain na eleição geral de novembro, tendo sido empossado presidente
em 20 de janeiro de 2009. Nove meses depois, ganhou o Nobel da Paz.
Durante seu primeiro mandato,
Obama sancionou propostas de estimulo econômico e outras iniciativas em
resposta à Grande
Recessão e à crise
financeira. Outras importantes iniciativas nacionais neste período incluem a
aprovação e sanção da Lei de Proteção e Cuidado ao Paciente, projeto este que passou a ser chamado de
Obamacare, e revogou a política "Não
pergunte, não conte".
Na política externa, Obama ordenou o fim do envolvimento norte-americano na Guerra do Iraque, aumentou a quantidade de tropas no Afeganistão, assinou tratados de controle de armas com a Rússia, autorizou uma intervenção armada na Guerra Civil Líbia e ordenou uma operação militar no Paquistão que resultou na morte
de Osama bin Laden.
Obama foi reeleito presidente em novembro de 2012, derrotando o republicano Mitt Romney, e foi empossado para um segundo mandato em 20 de janeiro de 2013. Durante seu segundo mandato, Obama promoveu
políticas internas relacionadas com o controle de armas, em resposta ao tiroteio na escola primária de Sandy Hook e outros massacres, e defendeu a
igualdade LGBT. No âmbito externo, a fim de conter a ameaça do grupo Estado Islâmico na
região do Oriente Médio, ordenou a volta de tropas militares ao Iraque e autorizou ataques aéreos e navais na Síria. Além disso, continuou o plano de encerramento
das operações de combate norte-americanas no Afeganistão, promoveu discussões que levaram ao Acordo
de Paris de 2015 sobre
mudanças climáticas globais, firmou um acordo nuclear com o Irã, e iniciou o processo de
normalização das relações entre Cuba e EUA. Ao deixar a presidência, em janeiro de 2017,
Obama tinha um índice de aprovação de 60% dentre o povo
americano.
Barack Hussein Obama II nasceu em
4 de agosto de 1961 em Honolulu, Havaí.[1][2][3] Sua mãe, Ann Dunham, era branca, de ascendência principalmente inglesa e nascida em Wichita, Kansas. Seu pai, Barack
Obama, Sr., nasceu em Nyang’oma
Kogelo, distrito de Siaya, Quênia, e era da etnia luo.[4] Os pais de Obama conheceram-se em 1960 em uma
aula de russo na Universidade
do Havaí em Manoa, onde seu pai era um estudante bolsista.[5][6] Casaram-se em 2 de fevereiro de 1961, em Wailuku, Havaí, onde o matrimônio entre pessoas de cores diferentes não era
proibido.[7][8] O casal separou-se quando, no final de 1961,
Dunham mudou-se com seu filho recém-nascido para estudar na Universidade
de Washington em Seattle por um ano. Durante este período, Obama Sr. completou sua graduação em
economia no Havaí em junho de 1962, e depois concluiu um mestrado em economia pela Universidade
Harvard. Seus pais
divorciaram-se em março de 1964.[9][10] Obama Sr. retornou ao Quênia, onde casou-se
novamente, encontrando-se com o filho apenas mais uma vez antes de falecer em
um acidente de automóvel em 1982.[11][12][13]
Em 1963, Dunham conheceu Lolo Soetoro, um estudante indonésio de pós-graduação em
geografia na Universidade do Havaí, com quem casou-se em 15 de março de 1965,
em Molokai.[14] Após duas prorrogações de seu visto, Lolo
regressou à Indonésia em 1966. A família mudou-se para o país
natal de Soetero em 1967, onde viveram inicialmente no sul de Jacarta, e, em seguida, a partir de 1970, em um bairro rico da área central da
cidade.[15]
Educação
Dos seis aos dez anos, estudou em escolas
locais de língua indonésia: Escola Católica São Francisco de Assis por dois anos
e a Escola Pública Besuki por um ano e meio, complementando a língua inglesa na
Escola Calvert e tendo aulas de sua mãe em casa.[16] [17]
Em 1971, Obama retornou a Honolulu para
morar com seus avós maternos, Madelyn e Stanley Dunham. Lá ele frequentou a
Escola Punahou, uma escola preparatória privada, desde a quinta série do ensino
elementar norte-americano até a graduação no ensino secundário, em 1979.[18] Obama viveu com sua mãe e irmã no Havaí entre
1972 e 1975, enquanto Ann era estudante de pós-graduação em antropologia na
Universidade do Havaí.[19] Obama escolheu permanecer no Havaí com seus avós
quando sua mãe e irmã retornaram a Indonésia em 1975.[20] Ann passou a maior parte das próximas duas
décadas na Indonésia, divorciando-se de Lolo em 1980 e tendo um PhD em 1992, antes de morrer, em 1995, no Havaí, sendo vitimada por câncer nos ovários.[21][22]
Sobre o início de sua infância, Obama
recordou: "Que meu pai não parecia nada com as pessoas ao meu redor – que
ele era negro como breu, minha mãe branca como leite – mal ficou registrado em
minha mente."[5] Refletindo mais tarde sobre seus anos em
Honolulu, disse: "A oportunidade que o Havaí ofereceu – experimentar uma
variedade de culturas num clima de respeito mútuo – tornou-se parte integrante
da minha visão de mundo e uma base para os valores que eu tenho mais
caros."[23] Obama escreveu e falou sobre seu uso de álcool,
maconha, e cocaína durante a adolescência, justificando que o fez para
"empurrar para fora de minha mente as questões sobre quem eu era."[24][25]
Após concluir o ensino secundário, Obama
mudou-se para Los Angeles, Califórnia, em 1979, onde ingressou no Occidental College.[26] Em fevereiro de 1981, Obama fez seu primeiro
discurso público, pedindo para que a Occidental participasse do desinvestimento
da África do Sul em resposta à política de apartheid daquele país.[27] Em meados de 1981, Obama viajou para a Indonésia
para visitar sua mãe e meia-irmã Maya, e visitou famílias de amigos da
faculdade no Paquistão e na Índia por três semanas.[28][29] Mais tarde naquele ano, transferiu-se para
Columbia College, da Universidade
de Columbia, na cidade de Nova Iorque, onde residiu em Upper West Side.[30] Em 1983, Obama obteve o título de bacharel de artes em ciência
política com
especialidade em relações internacionais e literatura inglesa.[31][32] No mesmo ano, foi trabalhar por um ano na empresa
Business International Corporation, e em seguida para a organização sem fins
lucrativos New York Public Interest Research Group.[33][34] Em 1985, foi um dos líderes de um esforço para
chamar atenção ao Metropolitano de Nova Iorque, que estava em mau estado na época. Obama viajou a várias estações de
metrô para fazer as pessoas assinarem cartas endereçadas a autoridades locais e
à Autoridade de Transporte Metropolitano.[35]
Organizador comunitário em Chicago e formação universitária
Em 1985, Obama mudou-se para Chicago para trabalhar como diretor do Projeto Comunidades em Desenvolvimento, uma
associação comunitária religiosa originalmente composta por oito paróquias
católicas em Roseland, West Pullman, e Riverdale, ao sul de Chicago. Ele
trabalhou como organizador comunitário nesta associação de junho de 1985 a maio
de 1988.[36][37][38] Obama ajudou a criar um programa de treinamento
para o trabalho, um programa de tutoria para a preparação para o estudo
universitário, e outro para o estabelecimento de uma organização de defesa dos
direitos de inquilinos na região de Altgeld Gardens.[39] Obama também trabalhou como consultor e instrutor
na fundação Gamaliel, um instituto de consultoria e treinamento para
associações comunitárias.[40] Em meados de 1988, viajou pela primeira vez para
a Europa, onde permaneceu por três semanas, indo em
seguida ao Quênia, ficando lá por cinco semanas e encontrando-se pela primeira
vez com alguns de seus parentes paternos.[41][42][43] Ele retornou ao Quênia em 1992 com sua noiva Michelle e sua irmã Auma, e em 2006 para uma visita ao
local de nascimento de seu pai.[44][45]
No outono de 1988, Obama entrou para a Harvard
Law School, vivendo em Somerville, Massachusetts.[46][47] Ao final do seu primeiro ano, foi escolhido
editor da revista Harvard
Law Review,
presidente da revista em seu segundo ano e trabalhou como assistente de
pesquisas do estudioso constitucional Laurence Tribe por dois anos e meio.[48] [49] Durante os verões, voltou para Chicago, onde
trabalhou em escritórios de advocacia, como o Sidley Austin em 1989 e Hopkins
& Sutter em 1990.[50][51] Em 1991, retornou a Chicago após graduar-se com
um Juris Doctor.[52] A publicidade associada à sua eleição como o
primeiro afro-americano presidente da Harvard Law Review ganhou a
atenção da mídia nacional e resultou em um contrato e adiantamento para que ele
escrevesse um livro sobre questões relacionadas à raça.[53][54]
Universidade de direito de Chicago e advogado dos direitos civis
Em 1991, em um esforço para contratar
Obama para o seu corpo docente, a escola de direito da Universidade
de Chicago ofereceu-lhe
uma posição em pesquisa e um escritório onde poderia trabalhar no seu livro.
Obama planejou terminá-lo em um ano, mas a tarefa consumiu muito mais tempo à
medida que evoluiu para um livro de memórias. A fim de trabalhar sem
interrupções, Obama e sua esposa viajaram para Bali, onde passou meses escrevendo. O manuscrito foi publicado como Dreams
from My Father em
1995.[54] Ele então ensinou direito
constitucional na mesma
instituição por doze anos, como docente e como professor sênior de 1996 a 2004.[55][56][57]
De abril a outubro de 1992, Obama dirigiu
a iniciativa Project Vote em Illinois. O projeto, voltado para o
registro de eleitores, contava com dez funcionários e setecentos voluntários.
Ele atingiu seu objetivo de registrar 150 mil dos 400 mil afro-americanos não
registrados do Estado, motivando a revista Crain's Chicago Business a
incluí-lo, em 1993, na sua lista de líderes promissores com menos de quarenta
anos de idade.[58][59][60]
Em 1993, juntou-se a Davis, Miner,
Barnhill & Galland, um escritório de advocacia composto por treze advogados
e especializado em litígios de direitos civis e desenvolvimento econômico de
vizinhanças, trabalhando como associado por três anos, de 1993 a 1996. Entre
1996 a 2004 possuiu o título de counsel.[61][62][63]
De 1994 a 2002, Obama serviu nos conselhos
de administração da Woods Fund of Chicago e da Fundação Joyce. Também serviu no
conselho de administração do Chicago Annenberg Challenge de 1995 a 2002, como
presidente fundador e presidente do conselho de administração de 1995 a 1999.[36]
Carreira legislativa: 1997-2008
Senador estadual: 1997–2004
Obama e outros
comemoram a nomeação de uma rua de Chicago em homenagem ao cofundador do
ShoreBank Milton Davis, em 1998.
Obama foi eleito para o Senado de
Illinois em 1996,
representando o 13.º distrito, que abrangia parte do sul de Chicago. Obama
sucedeu Alice Palmer, que decidiu concorrer ao Congresso dos Estados Unidos.[64][65] Uma vez eleito, Obama ganhou apoio bipartidário
para a aprovação de leis sobre ética e saúde.[66][67] Ele patrocinou uma lei que aumentou os créditos
fiscais para os trabalhadores de baixa renda, negociou uma reforma na
previdência, e promoveu o aumento de subsídios destinados à assistência saúde
de crianças.[68]
Foi reeleito para o Senado de Illinois em
1998, vencendo o republicano Yesse Yehudah na eleição geral, e reelegeu-se
novamente em 2002.[69][70] Em 2000, perdeu a eleição primária democrata para
o 1.º distrito congressional de Illinois da Câmara dos Representantes, sendo
derrotado pelo então representante Bobby Rush por 61-30%.[71][72]
Em janeiro de 2003, Obama foi escolhido
presidente do Comitê de Saúde e de Serviços Humanos.[73] Ele patrocinou e liderou a aprovação de uma
legislação bipartidária para monitorar a discriminação racial, exigindo que a
polícia registrasse a etnia dos motoristas detidos, tornando o Illinois o
primeiro estado a obrigar a filmagem dos interrogatórios em casos de homicídio.[68][74][75] Após ser eleito para o Senado
dos Estados Unidos em
novembro de 2004, Obama renunciou ao Senado de Illinois.[76]
Em maio de 2002, Obama encomendou
uma pesquisa para avaliar suas chances na eleição para o Senado em 2004. Ele
criou um comitê de campanha, começou a levantar fundos, e alinhou-se ao
consultor político David Axelrod em agosto de 2002. Obama anunciou formalmente
sua candidatura ao Senado em janeiro de 2003.[77]
Obama foi desde o começo
contrário a Invasão
do Iraque em 2003,
autorizada pelo presidente George W. Bush.[78] Em 2 de outubro de 2002, quando o presidente Bush
e o Congresso concordaram com a resolução conjunta autorizando a Guerra do Iraque, Obama discursou no primeiro grande comício em
Chicago sobre a guerra, e posicionou-se contrário a ela.[79][80][81] Ele participou de outro comício antiguerra em
março de 2003, quando disse à multidão que "não é tarde demais" para
parar a guerra.[81][82]
As escolhas de não concorrer na
eleição feitas pelo senador republicano Peter Fitzgerald e por sua antecessora,
a democrata Carol Moseley Braun, fizeram com que as primárias de ambos os
partidos tivessem quinze candidatos.[83] Na eleição primária realizada em março de 2004, a
vitória inesperada de Obama fez com que ele se tornasse uma figura em ascensão
dentro do Partido Democrata, começando a partir deste momento as especulações
sobre uma futura candidatura presidencial, e levou a reedição de seu livro de
memórias, Dreams from My Father.[84][85][86][87] Em julho de 2004, Obama fez o principal discurso
da Convenção Nacional Democrata daquele ano, sendo visto por 9,1 milhões de telespectadores.
O discurso foi bem recebido e elevou seu status dentro do Partido Democrata.[88][89][90]
O oponente esperado de Obama na
eleição geral, o vencedor da primária republicana Jack Ryan, desistiu da
eleição em junho de 2004 devido a um escândalo conjugal.[91][92] Seis semanas depois, Alan Keyes aceitou o pedido
do Comitê Republicano para substituir Ryan.[93] Na eleição geral de novembro, Obama venceu com
69,97% dos votos.[94]
Obama foi empossado como senador
em 3 de janeiro de 2005, tornando-se o único senador membro do Congressional Black Caucus.[95][96] Com base na análise de todos os votos de Obama
enquanto senador entre 2005 e 2007, a CQ Weekly o caracterizou como um
"Democrata leal".[97] Obama anunciou em 13 de novembro de 2008 que iria
renunciar a sua cadeira no Senado em 16 de novembro do mesmo ano, antes do
início da sessão do pato manco, para se concentrar no período da
transição para a presidência.[98]
Iniciativas
Obama copatrocinou a Secure
America and Orderly Immigration Act, uma mal sucedida tentativa de reforma
na imigração.[99] Ele apresentou duas iniciativas que ganharam o
seu nome: Lugar-Obama, que foi sancionada pelo presidente Bush e
expandiu a lei Nunn–Lugar, que trata da destruição de armas
convencionais e armas de destruição em massa;[100][101] e a Coburn–Obama Transparency Act, que
autorizou a criação do site USAspending.gov, fornecendo assim os gastos
federais pela internet.[102][103] Em 3 de junho de 2008, o senador Obama,
juntamente com os senadores Tom Carper, Tom Coburn, e John McCain, apresentaram a Strengthening Transparency and
Accountability in Federal Spending Act of 2008, cujo objetivo visava
fortalecer a prestação de contas do governo.[104]
Obama patrocinou uma legislação
que teria exigido que proprietários de usinas nucleares notificassem as
autoridades estaduais e locais caso houvessem vazamentos radioativos, mas o
projeto não conseguiu passar no plenário do Senado depois de ser fortemente
modificado pela comissão.[105]
Obama e o senador
Richard Lugar visitando uma instalação russa de
desmantelamento de mísseis móveis, em agosto de 2005.
Em dezembro de 2006, o presidente
Bush sancionou uma lei que aumentou a ajuda dos Estados Unidos para a República Democrática do Congo, sendo esta a primeira lei federal tendo Obama como seu principal
patrocinador.[106][107] Em janeiro de 2007, Obama e o senador Russ Feingold apresentaram uma emenda a Honest Leadership
and Open Government Act proibindo candidatos a cargos federais e oficiais
de seus comitês de viajarem em jatos corporativos sem pagar por seu custo; após
a sanção de Bush em setembro de 2007, a lei restringiu a atuação de lobistas no
Congresso.[108] Obama também foi autor do Deceptive Practices
and Voter Intimidation Prevention Act, um projeto de lei que criminalizaria
práticas enganosas nas eleições federais, e o Iraq War De-Escalation Act of
2007, que tinha como meta remover todos os soldados americanos no Iraque até 31 de março de 2008.[109][110][111]
Mais tarde, em 2007, Obama propôs
uma emenda ao Defense Authorization Act com o objetivo de proteger
temporariamente da demissão soldados com algum ferimento ou transtorno causado
pela guerra; esta alteração foi aprovada pelo Senado na primavera de 2008.[112][113] Obama patrocinou uma legislação propondo sanções
contra o Irã, que tinham como objetivo incentivar o
desinvestimento nos fundos de pensão estatais de petróleo e da indústria de
gás, mas não foi aprovada pelo comitê; e copatrocinou uma legislação para
reduzir os riscos do terrorismo nuclear.[114] Obama também patrocinou uma emenda do Senado ao State
Children's Health Insurance Program, oferecendo um ano de proteção do
emprego para os familiares que cuidam de soldados com ferimentos relacionados
ao combate.[115]
Em 10 de fevereiro de 2007, Obama
anunciou sua candidatura à presidência dos Estados Unidos em frente ao edifício
Old State Capitol, em Springfield, Illinois.[116][117] A escolha do local do anúncio da candidatura foi
vista como simbólica porque foi ali que Abraham Lincoln proferiu o "Discurso
da Casa Dividida",
em 1858, quando aceitou ser o candidato do Partido Republicano
ao senado por Illinois.[118][119] Obama enfatizou que iria acabar rapidamente com a
Guerra do
Iraque, aumentaria a
independência energética, faria com que os serviços de saúde fossem universais,
e os seus temas de campanha foram "esperança" e "mudança."[120][121]
Um grande número de candidatos
buscaram receber a indicação presidencial democrata. A primária foi reduzida
para um acirrado duelo entre Obama e a senadora Hillary Clinton após as primeiras disputas, mas tendo Obama com o
maior número de delegados devido ao seu melhor planejamento de longo prazo,
maior captação de recursos, uma organização dominante nos caucus
estaduais e a melhor exploração das regras de alocação de delegados.[122][123][124] A primária ficou decidida em fins de maio, quando
o Obama ultrapassou os delegados necessários para lhe garantir a nomeação. No
dia 7 de junho, Hillary encerrou sua campanha e declarou apoio a Obama.[124]
Em 23 de agosto, Obama anunciou a
escolha de Joe Biden, senador por Delaware desde 1973, como seu candidato à vice-presidência.[125] Na Convenção Nacional Democrata em Denver, Colorado, Hillary Clinton pediu para que seus partidários
apoiassem Obama, e ela e o ex-presidente Bill Clinton fizeram discursos na convenção em seu apoio.[126][127] Obama fez o discurso de aceitação como o
candidato do Partido Democrata no estádio Sports Authority Field at Mile High para uma multidão de mais de 75 000 pessoas;
o discurso foi visto por mais de 38 milhões de telespectadores
norte-americanos.[128][129][130]
Tanto nas primárias como na
eleição geral, a campanha de Obama estabeleceu vários recordes de captação de
recursos, principalmente na quantidade de pequenas doações.[131][132][133] Em 19 de junho de 2008, Obama se tornou o
primeiro candidato presidencial de um partido principal a recusar o
financiamento público de campanha desde que o sistema foi criado em 1976,[134]
John McCain foi nomeado o
candidato do Partido Republicano e os dois participaram de três debates
presidenciais em setembro e outubro de 2008.[135] Em 4 de novembro, Obama ganhou a presidência com
365 votos no colégio eleitoral,
contra os 173 de John McCain.[136] Obama recebeu 52,9% dos votos populares e McCain
ficou com 45,7%.[137] Obama obteve 69,4 milhões de votos, sendo o presidente
mais votado da história dos Estados Unidos e o segundo presidente mais votado
do mundo.[138] Com sua eleição, tornou-se o primeiro
afro-americano a ser eleito presidente dos EUA, bem como o quinto mais jovem.[139][140]
Em 4 de abril de 2011, Obama
anunciou formalmente sua campanha à reeleição em 2012 com um vídeo intitulado
"It Begins with Us", que postou em seu site, e apresentou
documentos eleitorais para a Comissão Eleitoral Federal.[141][142][143] Como sendo o presidente em exercício, ele
concorreu praticamente sem oposição nas primárias presidenciais do Partido
Democrata.[144]
Na Convenção Nacional Democrata em Charlotte, Carolina do Norte, o ex-presidente Bill Clinton nomeou formalmente
Obama e Biden como os candidatos do Partido Democrata para presidente e
vice-presidente na eleição geral, em que os seus principais adversários foram
os republicanos Mitt Romney, ex-governador de Massachusetts, e o representante Paul Ryan de Wisconsin.[145][146]
Em 6 de novembro de 2012, Obama
ganhou 332 votos no colégio eleitoral, superando os 270 votos necessários para
que fosse reeleito presidente.[147] Com 51,1% dos votos populares, Obama tornou-se o
primeiro presidente democrata desde Franklin
Delano Roosevelt a ganhar
duas vezes a maioria dos votos populares.[148][149] O presidente Obama dirigiu-se aos apoiantes e
voluntários no McCormick Place, em Chicago, após o anúncio da sua reeleição e
disse: "Hoje à noite você votou pela ação, não pela política como de
costume. Você nos elegeu para nos concentrarmos em seus trabalhos, não nos
nossos. E eu estou ansioso para nas próximas semanas e meses trabalhar com
líderes de ambos os partidos para enfrentar os desafios que só juntos nós
podemos resolver
Obama foi empossado como o 44.º
presidente em 20 de janeiro de 2009.[151] Em seus primeiros dias de mandato, Obama emitiu
decretos e memorandos presidenciais para que as Forças Armadas dos Estados Unidos desenvolvessem planos de retirada das tropas no Iraque.[152] Ele ordenou o fechamento da Prisão de Guantánamo, mas o Congresso impediu tal ato,
recusando-se a apropriar dos recursos necessários e preveniu mover qualquer
detento de Guantánamo para os Estados Unidos ou para outros países.[153][154][155] Com uma ordem executiva, reduziu o sigilo dado
aos registros presidenciais, revogando a ordem executiva do presidente George
W. Bush sobre esse assunto.[156] Ele também revogou a proibição da ajuda federal
às organizações internacionais de planejamento familiar que desempenhavam ou
forneciam aconselhamento sobre o aborto.[157][158]
Obama discursando
em sessão conjunta do Congresso, em 24 de fevereiro de 2009. Atrás dele estão
Biden e Nancy Pelosi.
Política
interna
Política
econômica
Obama assumiu a presidência
diante de uma severa crise financeira global iniciada em 2007 e da subsequente Grande
Recessão.[159][160] Em 17 de fevereiro de 2009, sancionou um pacote
de estímulos de $787 bilhões, que aumentou os gastos federais para a
saúde, infra-estrutura, educação, incentivos fiscais e assistência direta. As
disposições fiscais da lei reduziram temporariamente os impostos para cerca de
98% dos contribuintes, levando as taxas de imposto para os seus níveis mais
baixos em sessenta anos.[161][162] Obama pediu a aprovação de segundo grande pacote
de estímulo em dezembro de 2009, mas nenhum grande segundo estímulo foi
autorizado pelo legislativo.[163] Obama também lançou um segundo resgate a
montadoras norte-americanas, possivelmente salvando a General Motors e a Chrysler da falência ao custo de $9,3 bilhões.[164] Para os proprietários em perigo de inadimplência
de sua hipoteca devido a crise do subprime, Obama executou vários programas
assistenciais.[165][166] As taxas de juros a curto prazo permaneceram
perto de zero em grande parte da presidência de Obama, e a Reserva Federal não aumentou as taxas de juros até dezembro de
2015.[167]
Obama sancionando
a Lei de Recuperação e Reinvestimento, em 17 de fevereiro de 2009.
Houve um aumento sustentado da
taxa de desemprego durante a primeira parte de seu mandato, chegando a um pico
de 10,1% em outubro de 2009.[168][169] O desemprego caiu no decorrer do tempo e, em
outubro de 2015, estava em 5,1%.[170] Porém, a recuperação da Grande Recessão foi
marcada por uma menor taxa de participação da força de trabalho, e os
economistas atribuíram este acontecimento ao envelhecimento da população e as
pessoas que permanecem estudando por mais tempo.[171] A recuperação também revelou a crescente desigualdade
de renda, que o governo
Obama destacou como um grande problema.[172][173] O salário mínimo federal aumentou para $ 7.25 por
hora e, em seu segundo mandato, Obama advogou pelo aumento para $12 por hora.[174][175] O governo ampliou as condições para que mais
trabalhadores recebam por horas extras, duplicando o salário mínimo acima da
quantia que os empregadores estão isentos de pagar horas extras de US$ 23.660
anuais para US$ 47.476 anuais.[176]
O crescimento do PIB voltou no
terceiro trimestre de 2009, expandindo-se a um ritmo de 1,6%, seguido por um
aumento de 5,0% no quarto trimestre. O crescimento continuou em 2010,
apresentando um aumento de 3,7% no primeiro trimestre, com ganhos menores
durante o restante do ano.[177] O PIB do país cresceu consistentemente cerca de
2% em 2011, 2012, 2013, 2014 e 2015.[170][178] Entretanto, a renda mediana das famílias caiu
para US$ 53.600 em 2014, abaixo dos US$ 57.400 em 2007, pouco antes do início
da Grande Recessão.[170]
A dívida do governo dos EUA
cresceu substancialmente durante a Grande Recessão a medida que as receitas
caíram, e Obama, em grande parte, evitou as políticas de austeridade seguidas
por muitos países europeus.[179] A dívida do governo cresceu de 52% do PIB quando
Obama assumiu o cargo em 2009 para 74% em 2014.[170] Depois de retomarem o controle da Câmara nas eleições de 2010, os
republicanos exigiram cortes nos gastos em troca do aumento do teto da dívida,
o limite estatutário sobre o montante total da dívida que o Tesouro pode
emitir. A crise do limite de dívida de 2011 desenvolveu-se quando Obama e os
congressistas democratas exigiram um aumento do teto da dívida que não
incluísse cortes nos gastos.[180] Obama concordou em negociar com os republicanos,
mas as negociações eventualmente entraram em colapso devido a diferenças
ideológicas.[181][182] O Congresso aprovou uma legislação que elevou o
teto da dívida, previu cortes de gastos domésticos e militares, e estabeleceu
um comitê bipartidário para propor novos cortes. Como o comitê não chegou a um
acordo, os cortes de gastos domésticos e militares conhecidos como
"sequestro" entraram em vigor a partir de 2013.[183] Em outubro de 2013, com os republicanos e
democratas incapazes de chegarem a um acordo, o governo fechou por duas semanas.
Obama sancionou a lei que aumentou o teto da dívida, evitando assim um inédito
calote.[184][185] Em 2015, o Congresso aprovou e Obama sancionou um
projeto de lei que estabeleceu metas de gastos e suspendeu o limite da dívida
até 2017.[186]
Reforma
do sistema de saúde
Obama sancionou em março de 2010
a Lei de Proteção e Cuidado ao Paciente, popularmente conhecida como Obamacare.
A legislação proíbe as seguradoras de variar o preço dos planos com base no
histórico clínico ou sexo, se recusar a assegurar um paciente muito caro, e
exige que todos devem aderir a um plano de saúde.[187] Em 2016, o programa cobria aproximadamente 23
milhões de pessoas com seguro de saúde através de uma combinação de bolsas de
saúde do estado e uma extensão do Medicaid.[188] A iniciativa reduziu a taxa de pessoas sem seguro
de saúde de aproximadamente 16% em 2010 para 9% até 2015.[189]
Os democratas apoiaram
esmagadoramente a lei, enquanto nenhum republicano na Câmara e apenas alguns no
Senado votaram a favor.[162][190] Os republicanos, principalmente na Câmara do
Representantes, tentaram revogar, difundir ou atrasar a reforma sessenta vezes
durante o mandato de Obama, mas sem sucesso.[190] Os críticos ao Obamacare argumentam que a
lei era uma tentativa de controlar excessivamente a vida privada das pessoas,
aumentaria os custos dos planos de saúde e o déficit do país, e que era
inconstitucional.[191][192] Em junho de 2015, a Suprema Corte decidiu por seis
a três que a lei era constitucional.[193]
Controle
da venda de armas
Obama pediu a aprovação de
medidas para controlar a venda de armas após vários tiroteios em massa, mas não
conseguiu aprovar uma legislação importante neste sentido. Em 2009, quando os
democratas controlavam tanto o Senado quanto a Câmara dos Representantes, Obama
discutiu o restabelecimento da Proibição Federal de Armas de Assalto, mas na
época não fez um forte esforço para sua aprovação.[194] Em janeiro de 2013, um mês após o tiroteio na escola primária de Sandy Hook, Obama assinou 23 ordens executivas para
aumentar o controle de armas e delineou uma série de propostas abrangentes
sobre o assunto, incluindo a proibição da compra de fuzis de assalto e de
carregadores de alta capacidade, a verificação dos antecedentes dos compradores
de armas, e a introdução de penas mais severas para traficantes de armas.[195][196][197]
Sem o apoio do Congresso para
aprovar suas propostas, em parte devido ao poder de ativistas da Segunda Emenda e ao lobby da NRA, Obama anunciou
em janeiro de 2016 novas ações executivas que estenderam os requisitos de
verificação de antecedentes a mais vendedores de armas.[198][199] Em meados de 2016, ele reconheceu que sua
"maior frustração" enquanto presidente foi a falta de avanço no
controle de armas.[200]
Suprema
Corte
Durante os dois primeiros anos de
seu mandato, Obama nomeou duas mulheres para a Suprema Corte. Sonia Sotomayor foi confirmada pelo Senado em 6 de agosto de
2009, e Elena Kagan foi confirmada em 5 de agosto de 2010,
elevando o número de mulheres na Corte para três, a maior composição feminina
da história deste tribunal.[201][202] Em 2015, com a morte do juiz Antonin Scalia, Obama indicou Merrick Garland, mas a maioria republicana de senadores negou-se
a considerar uma indicação do presidente.[203]
Energia
e meio ambiente
Obama discursando
em frente a painéis produtores de energia solar, em maio de 2009.
Em setembro de 2009, o governo
propôs novos regulamentos para usinas de energia, fábricas e refinarias de
petróleo, em uma tentativa de limitar as emissões de gases
de efeito estufa e
reduzir o aquecimento
global.[204][205] A produção de energia cresceu em seu mandato, bem
como a produção de petróleo, impulsionada em grande parte por investimentos
privados em terras privadas, e o governo assumiu um papel amplamente neutro
nesse desenvolvimento.[206] O governo Obama promoveu o crescimento da energia
renovável, e a geração de
energia solar triplicou durante seu mandato.[207][208] Com a explosão da plataforma Deepwater Horizon em abril de 2010, seu governo impôs as
maiores multas aplicadas após crimes ambientais na história do país.[209] Em março de 2015, Obama vetou uma proposta que
autorizava a construção do oleoduto Keystone X, alegando que este causaria
danos nocivos ao meio ambiente.[210] Em setembro de 2016, os Estados Unidos
ratificaram sua participação no Acordo
de Paris.[211]
A Casa Branca iluminada com as cores da bandeira arco-íris no
dia em que a Suprema Corte decidiu que o casamento entre pessoas do mesmo sexo
era um direito fundamental.
Direitos
LGBT
Em outubro de 2009, Obama
sancionou uma lei que passou a considerar os crimes motivados por identidade
de gênero ou orientação
sexual como crime de ódio.[212] No final de 2010, revogou a política "Não
pergunte, não conte",
de 1993, que impedia que gays e lésbicas assumidos servissem nas Forças
Armadas.[213] Em 9 de maio de 2012, Obama tornou-se o primeiro
presidente no exercício de suas funções a declarar publicamente seu apoio
pessoal a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo.[214] Em seu discurso de posse de 2013, ele pediu plena
igualdade para os gays norte-americanos —a primeira vez que um presidente
mencionou os direitos dos homossexuais ou a palavra "gay" em um
discurso de posse.[215][216]
Em 2013, o governo Obama pediu
para a Suprema Corte que se pronunciasse a favor de casais do mesmo sexo nos
casos Hollingsworth v. Perry (sobre o casamento entre pessoas do mesmo
sexo)[217] e United States v. Windsor (sobre a Lei de Defesa do Matrimônio).[218] Em abril de 2015, após a Suprema Corte decidir
durante o julgamento do caso Obergefell
v. Hodges que o
casamento entre pessoas do mesmo sexo era um direito fundamental, Obama
afirmou: "Esta decisão afirma o que milhões de americanos já acreditam em
seus corações: Quando todos os americanos são tratados como iguais, somos todos
mais livres."[219]
Obama visitando
uma prisão federal de Nevada, em julho de 2015.
Reforma
judicial e drogas
O governo Obama tomou algumas
medidas para reformar o sistema de justiça criminal em um momento em que muitos
em ambos os partidos sentiram que os EUA tinham ido longe demais na prisão de
infratores da legislação antidrogas.[220] Seguindo uma diretiva do Departamento de Justiça,
o governo Obama geralmente optou por não processar ou investigar pessoas que
usaram maconha em estados que optaram por legalizá-la, apesar de qualquer uso
de maconha permanecer ilegal sob a legislação federal;[221][222][223][224] entretanto, alguns liberais e libertários
criticaram Obama por continuar ou mesmo expandir a guerra
contra as drogas,
particularmente no que diz respeito a maconha medicinal.[225][226] Para os anos finais de sua presidência, Obama
priorizou a reforma do sistema penal, anunciando, em novembro de 2015, medidas
que objetivavam a reinserção de presos e a redução da população carcerária.[227][228]
Recorrendo ao seu poder de perdão
presidencial, Obama perdoou ou reduziu as penas de centenas de presos
alegadamente não violentos, majoritariamente envolvidos com drogas, usando este
poder para perdoar mais presidiários do que os últimos dez presidentes juntos.[229] Em 2016, o governo anunciou que buscaria eliminar
gradualmente o uso de prisões privadas por considerá-las "injustas e
punitivas."[230][231]
Imigração
Desde o início de seu mandato,
Obama apoiou uma reforma imigratória abrangente, incluindo um caminho para que
muitos imigrantes ilegais recebessem a cidadania. No entanto, Obama centrou-se
em outros assuntos no decorrer do 111.º Congresso, de
maioria democrata.[232] Ao final de tal Congresso, apoiou a aprovação do DREAM
Act, que legalizaria jovens sem documentos que cumpriam determinados
requisitos, como uma inscrição universitária ou nas Forças Armadas; o projeto
foi aprovado pelos representantes, mas não conseguiu superar uma obstrução no Senado.[233] Em 2012, Obama implementou uma política que
protegeu cerca de setecentos mil imigrantes ilegais da deportação; a política
aplicou-se apenas para aqueles que foram trazidos ao país antes de completarem
dezesseis anos.[234] Em 2014, Obama anunciou uma nova ordem executiva
que protegeria outros quatro milhões de imigrantes ilegais da deportação, mas a
medida foi derrubada pela justiça.[235][236] Apesar das ações executivas para proteger alguns
indivíduos, as deportações de imigrantes ilegais continuaram. Um recorde de
quatrocentos mil deportações ocorreu em 2012, embora o número de deportações
caiu durante o segundo mandato de Obama.[237] Depois de ter aumentado desde 1990, o número de
imigrantes ilegais que viviam nos Estados Unidos estabilizou em torno de 11,5
milhões de indivíduos durante a presidência de Obama, abaixo de um pico de 12,2
milhões registrado em 2007.[238]
Obama herdou uma guerra no Afeganistão, uma guerra no
Iraque e uma "Guerra ao Terror" global lançada pelo presidente Bush após os
ataques
de 11 de setembro. Obama
pediu um "novo começo" nas relações entre o mundo islâmico e os
Estados Unidos, e descontinuou o uso do termo "Guerra ao Terror" em
favor do termo "Operação de Contingência no Exterior."[239][240][241] Obama prosseguiu uma estratégia de "pegada
leve" no Oriente Médio que enfatizava as forças especiais, ataques de drones, e diplomacia ao invés da
ocupação de tropas terrestres.[242] No entanto, as forças norte-americanas
continuaram a combater organizações militantes islâmicas como a Al-Qaeda, Estado Islâmico do Iraque e do Levante, e Al-Shabaab nos termos da Autorização para Uso da Força
Militar Contra Terroristas, aprovada pelo Congresso em 2001.[243][244] Obama também defendeu a não proliferação
nuclear e negociou com êxito
acordos de redução de armas com o Irã e a Rússia.[245]
Em 2015, Obama descreveu a
"Doutrina Obama", o termo utilizado para descrever seus princípios
enquanto presidente na política externa, como "vamos nos engajar, mas
preservamos todas as nossas capacidades."[246] Além disso, auto-descreveu-se como um internacionalista que rejeita o isolacionismo e é influenciado pelo realismo e pelo intervencionismo liberal.[247]
Iraque e
Afeganistão
Durante a eleição presidencial de
2008, Obama criticou fortemente a Guerra do Iraque.[248] Ao assumir o cargo, ele anunciou que as forças de
combate dos Estados Unidos deixariam o Iraque em agosto de 2010, com entre 35 a
50 mil soldados permanecendo como conselheiros e instrutores, abaixo dos
aproximadamente 150 mil soldados norte-americanos no país no início de 2009.[249][250] Embora Obama tenha considerado deixar uma força
de alguns milhares de soldados no Iraque para combater a al-Qaeda e apoiar o
governo iraquiano, líderes iraquianos pediram que os soldados norte-americanos
se retirassem de seu país.[251] Em meados de dezembro de 2011, apenas 150
soldados permaneceram para trabalhar na embaixada dos EUA.[252] Entretanto, os EUA iniciaram em 2014 sua campanha contra o Estado Islâmico (ou EI), e, em junho de 2015, havia 3.500
soldados norte-americanos servindo no Iraque como conselheiros das forças
antiEI na guerra civil iraquiana.[253]
Enquanto Obama retirou tropas no
Iraque, ele aumentou a presença militar dos EUA no Afeganistão no início de sua
presidência. Em 2009, Obama anunciou que a presença militar dos EUA no
Afeganistão seria reforçada em 17 mil novos soldados até o verão daquele ano.[254] Os secretários Robert Gates e Hillary Clinton, além do chefe do Estado-Maior Michael Mullen,
defenderam mais tropas, e Obama despachou soldados adicionais após um longo
processo de revisão.[255][256] O número de soldados norte-americanos no
Afeganistão chegou ao seu ápice de 100 mil em 2010.[257] Em 2012, os EUA e o Afeganistão assinaram um
acordo de parceria estratégica em que a principal operação de combate foi
entregue às forças afegãs.[258][259] Em 2014, Obama anunciou que a maioria das tropas
deixaria o Afeganistão até o final de 2016, com uma pequena força remanescente
na embaixada dos EUA.[260] No início de 2015, o exército dos EUA terminou a Operação Liberdade Duradoura e começou a Missão
Apoio Resoluto, em que
passaram a desempenhar mais um papel de treinamento, embora algumas operações
de combate continuaram.[261] Em outubro de 2015, Obama anunciou que soldados
permaneceriam indefinidamente no Afeganistão para apoiar o governo afegão na
guerra civil contra o Talibã, a Al-Qaeda e o Estado Islâmico.[262] Em julho de 2016, Obama informou que 8.400
soldados permaneceriam no Afeganistão até o final de seu mandato.[263]
O Irã e os EUA possuíam uma relação instável
desde a Revolução
Iraniana e a crise de reféns, e as
tensões continuaram devido a questões como o programa
nuclear iraniano e o
alegado patrocínio iraniano ao terrorismo.[264] Em seu mandato, Obama focou em negociações com o
Irã sobre o status de seu programa nuclear, trabalhando com os outros países do
P5+1 para adotar um acordo multilateral.[265] A posição de Obama diferiu dramaticamente da
posição mais agressiva de seu antecessor Bush, bem como das posições declaradas
pela maioria dos rivais de Obama na campanha eleitoral de 2008.[266][267] Em junho de 2013, Hassan Rouhani venceu a eleição presidencial iraniana e pediu a
continuação das conversações sobre o programa nuclear de seu país. Em novembro
de 2013, o Irã e o P5+1 anunciaram um acordo provisório, e, em abril de 2015,
os negociadores anunciaram que um acordo quadro havia sido alcançado.[268][269] Segundo os termos acordados, o Irã concordou em
impor limites ao seu programa nuclear e fornecer acesso aos inspetores da Agência Internacional de Energia Atómica, enquanto os EUA e outros países
concordaram em reduzir as sanções contra o Irã.[270] Enquanto Obama saudou os resultados das
negociações como sendo um passo rumo a um mundo mais esperançoso, o acordo
recebeu ampla oposição dos republicanos que, juntamente com o premiê israelense
Benjamin
Netanyahu, se opuseram
fortemente às negociações e tentaram sem sucesso aprovar uma resolução no
Congresso que o rejeitasse.[271][272][273]
Líbia
Quando os protestos
antigovernamentais eclodiram em Benghazi, Líbia, em fevereiro de 2011, o governo de Muammar Gaddafi respondeu com força militar.[274] O governo Obama inicialmente resistiu aos apelos
para tomar medidas duras, mas cedeu depois que a Liga Árabe solicitou a intervenção ocidental na Líbia.[275][276] Em março de 2011, a reação internacional à
repressão militar de Gaddafi culminou em uma resolução da ONU para impor uma zona
de exclusão aérea na
Líbia. Obama autorizou a participação de militares norte-americanos nos ataques aéreos com o
objetivo destruir as capacidades de defesa aérea do governo líbio para proteger
os civis e impor uma zona de exclusão aérea.[277] A intervenção foi liderada pela OTAN, mas a Suécia e três nações árabes também participaram da missão.[278] Com o apoio da coalizão, os rebeldes tomaram Trípoli em agosto de 2011.[279] A campanha militar no país culminou na queda do
regime de Gaddafi, mas a Líbia passou por turbulências internas, resultando em
uma guerra civil iniciada
em 2014.[280] A intervenção de Obama na Líbia provocou críticas
de membros do Congresso e deu início a um debate sobre a aplicabilidade da
Resolução dos Poderes de Guerra.[281] Em setembro de 2012, militantes islâmicos
atacaram um complexo diplomático dos EUA em Benghazi, matando o embaixador Christopher
Stevens e três outros
norte-americanos.[282] Os republicanos criticaram fortemente a atuação
do governo no ataque de Benghazi, e estabeleceram uma comissão na Câmara para
investigar o ocorrido.[283]
Rússia
Em 2009, Obama pediu por um
"reinício" nas relações com a Rússia, que havia deteriorado-se com a guerra
Russo-Georgiana de 2008.[284] Enquanto Bush havia conseguido a expansão da OTAN
em antigos países do Bloco do Leste, Obama deu mais ênfase na criação de uma parceria
de longo prazo com a Rússia.[285] Obama e o presidente russo Dmitry Medvedev trabalharam juntos em um novo tratado para
reduzir e monitorar armas nucleares, a adesão da Rússia à Organização Mundial do Comércio e ações antiterrorismo.[284] Em 8 de abril de 2010, Obama e Medvedev assinaram
o novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas, um importante acordo de controle
de armas nucleares que reduziu os estoques de armas nucleares de ambos os
países e estabeleceu um regime de monitoramento.[286] Em 2012, com a entrada da Rússia na OMC, Obama
normalizou as relações comerciais com o país.[287]
No entanto, as relações EUA e
Rússia declinaram quando Vladimir Putin retornou à presidência, em maio de 2012.[284] A intervenção da Rússia na Ucrânia em 2014 e a anexação da Crimeia no mesmo ano levaram a uma forte condenação por Obama e outros líderes
ocidentais, que impuseram sanções aos líderes russos, contribuindo para uma
crise financeira no país.[284][288][289] Alguns membros do Congresso de ambos os partidos
também pediram para que os EUA armassem as forças ucranianas, mas Obama
resistiu em tornar-se estreitamente envolvido na guerra Civil no Leste da Ucrânia, iniciada em abril de 2014.[290] Em 2016, após vários incidentes na segurança
cibernética, o governo Obama acusou formalmente a Rússia de se engajar numa campanha para minar as eleições
norte-americanas, e impôs
sanções a algumas pessoas e organizações ligadas ao país.[291][292]
O presidente
Obama, juntamente com os membros da equipe de segurança nacional, recebem
atualizações sobre a Operação
Lança de Netuno, em 1 de
maio de 2011.
Osama
bin Laden
O governo Obama lançou uma
operação bem-sucedida que resultou na morte de Osama bin Laden, líder da al-Qaeda, responsável pelos ataques de
11 de setembro e vários outros ataques terroristas. Iniciando com informações
recebidas em julho de 2010, a inteligência desenvolvida pela CIA ao longo dos
próximos meses determinou o que eles acreditavam ser o esconderijo de bin Laden
em Abbottabad, Paquistão.[293] O diretor da CIA, Leon Panetta, reportou essas informações a Obama em março de
2011.[293] Em uma reunião com seus assessores de segurança
nacional ao longo das próximas seis semanas, Obama rejeitou um plano de
bombardear o complexo, e autorizou um "ataque cirúrgico", que seria
conduzido pela Navy SEALs, uma força de operações especiais da Marinha.[293] As reações ao anúncio da bem sucedida operação,
ocorrida em 1 de maio de 2011 e que também resultou na apreensão de documentos,
foram positivas em todas as linhas partidárias e em muitos países ao redor do
mundo.[294][295][296][297]
Guerra
civil síria
A Síria foi um dos países mais afetados pela Primavera
Árabe, e na segunda
metade de março de 2011 grandes protestos antigovernamentais estavam sendo
realizados.[298] Apesar da Síria ter sido um adversário dos
Estados Unidos há muito tempo, Obama argumentou que uma ação militar unilateral
para derrubar o regime de Bashar al-Assad seria um erro.[299] Conforme os protestos continuavam, o país entrou
em uma guerra
civil prolongada, e os
Estados Unidos apoiaram a oposição
síria contra o regime de
Assad.[300][301] As críticas dos EUA a Assad se intensificaram
após o ataque
químico de Ghouta em
2013, resultando eventualmente em um acordo apoiado pelos russos em que o
governo sírio renunciou às suas armas químicas.[302] Em meio ao caos da guerra civil síria, um grupo fundamentalista conhecido como Estado Islâmico (EI)
tomou o controle de grandes porções do país e do Iraque.[303] A partir de 2014, o governo Obama lançou ataques
aéreos contra o Estado Islâmico e treinou militantes da oposição, enquanto
continuava a se opor ao regime sírio.[301][302] A Rússia lançou sua própria intervenção militar para ajudar as forças de Bashar al-Assad, criando uma complicada múltipla guerra
por procuração, embora
norte-americanos e russos tenham cooperado no combate ao EI.[304] Em novembro de 2015, Obama anunciou um plano para
reassentar pelo menos dez mil refugiados sírios nos Estados Unidos.[305]
Reaproximação
com Cuba
O governo Obama buscou uma
reaproximação diplomática com Cuba, país que os EUA havia embargado desde os
anos 1960, após a Revolução
Cubana e a Crise
dos mísseis de Cuba. A
partir da primavera de 2013, foram realizadas reuniões secretas entre ambos os
países, com reuniões acontecendo em locais neutros como Canadá e Vaticano.[306] O Vaticano foi consultado inicialmente em 2013,
quando o Papa
Francisco aconselhou os
países a trocarem prisioneiros como um gesto de boa vontade.[307] Em 10 de dezembro de 2013, o presidente cubano Raúl Castro, em um momento público significativo, apertou a
mão e cumprimentou Obama durante o velório de Nelson Mandela.[308] Em dezembro de 2014, Cuba liberou Alan Gross em
troca dos demais membros do Cinco cubanos.[307]
Obama ordenou no final de 2014 o
restabelecimento de laços diplomáticos com Cuba. Ele afirmou que estava
normalizando as relações porque o embargo econômico tinha sido ineficaz para
persuadir Cuba a desenvolver uma sociedade democrática.[309] Em maio de 2015, Cuba foi retirada da lista
produzida pelos EUA de países patrocinadores do terrorismo, e, em agosto do mesmo ano, os EUA e Cuba
reabriram suas respectivas embaixadas.[310][311] Obama tornou-se, em março de 2016, o primeiro
presidente dos EUA a visitar Cuba desde Calvin Coolidge.[312]
Pós-presidência
Barack e Michelle
Obama na Casa Branca em 19 de janeiro de 2017.
A presidência de Obama se
encerrou formalmente ao meio-dia de 20 de janeiro de 2017, com a posse do seu sucessor, o empresário republicano
Donald Trump. Após a cerimônia de sucessão, Barack e Michelle
Obama partiram no helicóptero Executive One, circularam a Casa Branca e depois foram para a Base
Aérea de Andrews, onde
embarcaram para uma viagem de férias.[313]
A família Obama se mudou para uma
casa alugada em Kalorama, em
Washington D.C.[314]
O Centro Presidencial Barack
Obama será a biblioteca presidencial de Obama. É esperado que sua construção
fique completa em 2020 e seja feita em Chicago.[315]
Imagem
cultural e política
Imagem oficial do
primeiro mandato de Obama, em 2009.
A história da família de Obama, o
início da sua vida, a sua criação e educação na Ivy League diferem profundamente dos políticos
afro-americanos que iniciaram suas carreiras na década de 1960 através da participação nos movimentos dos direitos civis.[316][317] Expressando perplexidade sobre perguntas se era
"suficientemente negro", Obama disse durante uma reunião com a
Associação Nacional dos Jornalistas Negros em agosto de 2007 que "ainda
estamos presos nessa noção de que se você apelar para os brancos, então deve
haver algo de errado."[318] Michael Eric Dyson, professor de Georgetown, era
crítico e simpatizante da forma como Obama tratou da questão racial, indicando
que seus discursos e ações sobre a disparidade racial e justiça foram um tanto
relativos e relutantes quando, especialmente em seu segundo mandato, a violência
racial exigiu uma ação presidencial imediata e diálogo.[319]
Obama é frequentemente referido
como um orador excepcional.[320][321][322] Durante seu período de transição para a
presidência e após assumi-la, fez uma série de discursos semanais em vídeo
divulgados pela internet.[323] Obama também possui contas no Facebook, Twitter e Instagram.[324] Todas as suas contas, exceto uma no Facebook e
outra no Twitter, são geridas por um projeto de organização comunitária que
defende sua agenda.[325][326][327] Em maio de 2015, Obama entrou no Guiness ao conseguir um milhão de seguidores para
sua nova conta pessoal no Twitter em menos de cinco horas.[328]
Obama respondendo
a perguntas no Twitter, em 24 de maio de 2012.
De acordo com a Organização
Gallup, Obama começou seu mandato com um índice de aprovação de 68%, diminuindo
gradualmente durante o resto do ano, e chegando a 41% em agosto de 2010, uma
tendência semelhante aos primeiros anos de mandato de Ronald Reagan e Bill Clinton.[329][330][331] Ele teve um pequeno salto de aprovação nas
pesquisas logo após a morte de bin Laden, que durou até por volta de junho de
2011, quando esses números caíram de volta aos patamares que estavam antes da
operação.[332][333][334] Seus índices de aprovação se recuperaram ao mesmo
tempo em que foi reeleito, com as pesquisas mostrando uma aprovação média de
52% logo após sua segunda posse.[335] Apesar de sua aprovação ter caído para 39% no
final de 2013 graças ao lançamento do Obamacare, ela subiu para 50% no
final de janeiro de 2015, e, em novembro de 2016, estava em 56%.[336][337][338] Quando Obama deixou a presidência, em janeiro de
2017, seis em cada dez americanos aprovavam seu governo.[339]
Obama segurando o
prêmio Nobel ao lado de Thorbjørn
Jagland, presidente do
Comitê do Nobel, em 10 de dezembro de 2009.
Obama ganhou o Grammy Awards de melhor álbum falado por sua versão em audiolivro de Dreams
from My Father em
fevereiro de 2006 e pelo The
Audacity of Hope em
fevereiro de 2008.[340][341] Em dezembro de 2008, a revista Time nomeou Obama como a Pessoa do Ano por sua
candidatura e eleição histórica, descrevendo-o como "a marcha constante de
realizações aparentemente impossíveis."[342] Em 2012, ganhou novamente o prêmio de Pessoa do
Ano.[343] Em 2005 e em 2007, a revista Time também o
incluiu na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo.[344][345] Na lista da Forbes das pessoas mais poderosas do mundo, Obama ficou
na primeira colocação por três vezes—2009, 2011 e 2012—, ficando em segundo em
2010, quando foi passado pelo presidente chinês Hu Jintao, em 2013 e 2014 quando foi superado por Putin, e
em terceiro em 2015, quando a premiê alemã Angela Merkel conquistou o segundo lugar, com Putin permanecendo
em primeiro.[346][347][348]
Em 9 de outubro de 2009, o Comitê
do Nobel Norueguês anunciou que Obama foi o vencedor do Prêmio
Nobel da Paz de 2009
pelos "extraordinários esforços para reforçar o papel da diplomacia
internacional e a cooperação entre os povos."[349] Obama aceitou o prêmio em Oslo, Noruega, em 10 de dezembro de 2009, com "profunda
gratidão e grande humildade."[350] A premiação atraiu uma mistura de elogios e
críticas de líderes mundiais e figuras da mídia.[351][352] Obama foi o quarto presidente dos Estados Unidos
a ser agraciado com o Prêmio Nobel da Paz e o terceiro durante seu mandato.[353] O Prêmio Nobel para Obama foi visto com ceticismo
nos anos subsequentes, especialmente depois que o diretor do Instituto Nobel,
Geir Lundestad, disse que a premiação não teve o efeito desejado.[