terça-feira, 26 de junho de 2018

Salmos o Livro

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Salmos de Davi Elionay o Grande


(Salmos de Davi)
“Em memorias de Elionay de São Luís”
O Livro dos

SALMOS



  SALMO  1

A felicidade dos justos e o castigo dos ímpios

1  BEM-AVENTURADO o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores.

2  Antes tem o seu prazer na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite.

3  Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará.

4  Não são assim os ímpios; mas são como a moinha que o vento espalha.

5  Por isso os ímpios não subsistirão no juízo, nem os pecadores na congregação dos justos.



SALMOS 1

6  Porque o SENHOR conhece o caminho dos justos; porém o caminho dos ímpios perecerá.

  SALMO  2

A rebelião das gentes e a vitória do Messias

1  POR que se amotinam os gentios, e os povos imaginam coisas vãs?

2  Os reis da terra se levantam e os governos consultam juntamente contra o SENHOR e contra o seu ungido, dizendo:

3  Rompamos as suas ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas.

4  Aquele que habita nos céus se rirá; o Senhor zombará deles.

5  Então lhes falará na sua ira, e no seu furor os turbará.

6  Eu, porém, ungi o meu Rei sobre o meu santo monte de Sião.

7  Proclamarei o decreto: o SENHOR me disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei.

8  Pede-me, e eu te darei os gentios por herança, e os fins da terra por tua possessão.

9  Tu os esmigalharás com uma vara de ferro; tu os despedaçarás como a um vaso de oleiro.

10  Agora, pois, ó reis, sede prudentes; deixai-vos instruir, juízes da terra.



SALMOS 2

11  Servi ao SENHOR com temor, e alegrai-vos com tremor.

12  Beijai o Filho, para que se não ire, e pereçais no caminho, quando em breve se acender a sua ira; bem-aventurados todos aqueles que nele confiam.

  SALMO  3

Davi confia em Deus na sua adversidade

Salmo de Davi, quando fugiu de diante da face de Absalão, seu filho

1  SENHOR, como se têm multiplicado os meus adversários! São muitos os que se levantam contra mim.

2  Muitos dizem da minha alma: Não há salvação para ele em Deus. (Selá.)

3  Porém tu, SENHOR, és um escudo para mim, a minha glória, e o que exalta a minha cabeça.

4  Com a minha voz clamei ao SENHOR, e ouviu-me desde o seu santo monte. (Selá.)

5  Eu me deitei e dormi; acordei, porque o SENHOR me sustentou.

6  Não temerei dez milhares de pessoas que se puseram contra mim e me cercam.

7  Levanta-te, SENHOR; salva-me, Deus meu; pois feriste a todos os meus inimigos nos queixos; quebraste os dentes aos ímpios.

8  A salvação vem do SENHOR; sobre o teu povo seja a tua bênção. (Selá.)

  SALMO  4

Davi ora a Deus na sua angústia

Salmo de Davi para o cantor-mor, sobre Neginote

1  OUVE-ME quando eu clamo, ó Deus da minha justiça, na angústia me deste largueza; tem misericórdia de mim e ouve a minha oração.

SALMOS 4

2  Filhos dos homens, até quando convertereis a minha glória em infâmia? Até quando amareis a vaidade e buscareis a mentira? (Selá.)

3  Sabei, pois, que o SENHOR separou para si aquele que é piedoso; o SENHOR ouvirá quando eu clamar a ele.

4  Perturbai-vos e não pequeis; falai com o vosso coração sobre a vossa cama, e calai-vos. (Selá.)

5  Oferecei sacrifícios de justiça, e confiai no SENHOR.

6  Muitos dizem: Quem nos mostrará o bem? SENHOR, exalta sobre nós a luz do teu rosto.

7  Puseste alegria no meu coração, mais do que no tempo em que se lhes multiplicaram o trigo e o vinho.

8  Em paz também me deitarei e dormirei, porque só tu, SENHOR, me fazes habitar em segurança.

  SALMO  5

Deus aborrece os ímpios e abençoa os justos

Salmo de Davi para o cantor-mor, sobre Neiloth

1  DÁ ouvidos às minhas palavras, ó SENHOR, atende à minha meditação.

2  Atende à voz do meu clamor, Rei meu e Deus meu, pois a ti orarei.

3  Pela manhã ouvirás a minha voz, ó SENHOR; pela manhã apresentarei a ti a minha oração, e vigiarei.

4  Porque tu não és um Deus que tenha prazer na iniqüidade, nem contigo habitará o mal.



SALMOS 5

5  Os loucos não pararão à tua vista; odeias a todos os que praticam a maldade.

6  Destruirás aqueles que falam a mentira; o SENHOR aborrecerá o homem sanguinário e fraudulento.

7  Porém eu entrarei em tua casa pela grandeza da tua benignidade; e em teu temor me inclinarei para o teu santo templo.

8  SENHOR, guia-me na tua justiça, por causa dos meus inimigos; endireita diante de mim o teu caminho.

9  Porque não há retidão na boca deles; as suas entranhas são verdadeiras maldades, a sua garganta é um sepulcro aberto; lisonjeiam com a sua língua.

10  Declara-os culpados, ó Deus; caiam por seus próprios conselhos; lança-os fora por causa da multidão de suas transgressões, pois se rebelaram contra ti.

11  Porém alegrem-se todos os que confiam em ti; exultem eternamente, porquanto tu os defendes; e em ti se gloriem os que amam o teu nome.

12  Pois tu, SENHOR, abençoarás ao justo; circundá-lo-ás da tua benevolência como de um escudo.

  SALMO  6

Davi recorre à misericórdia de Deus e alcança perdão

Salmo de Davi para o cantor-mor em Neginote, sobre Seminite

1  SENHOR, não me repreendas na tua ira, nem me castigues no teu furor.

2  Tem misericórdia de mim, SENHOR, porque sou fraco; sara-me, SENHOR, porque os meus ossos estão perturbados.

3  Até a minha alma está perturbada; mas tu, SENHOR, até quando?

SALMOS 6

4  Volta-te, SENHOR, livra a minha alma; salva-me por tua benignidade.

5  Porque na morte não há lembrança de ti; no sepulcro quem te louvará?

6  Já estou cansado do meu gemido, toda a noite faço nadar a minha cama; molho o meu leito com as minhas lágrimas,

7  Já os meus olhos estão consumidos pela mágoa, e têm-se envelhecido por causa de todos os meus inimigos.

8  Apartai-vos de mim todos os que praticais a iniqüidade; porque o SENHOR já ouviu a voz do meu pranto.

9  O SENHOR já ouviu a minha súplica; o SENHOR aceitará a minha oração.

10  Envergonhem-se e perturbem-se todos os meus inimigos; tornem atrás e envergonhem-se num momento.

  SALMO  7

Davi confia em Deus e protesta a sua inocência

Sigaiom de Davi, que cantou ao Senhor, sobre as palavras de Cusi, benjamita

1  SENHOR meu Deus, em ti confio; salva-me de todos os que me perseguem, e livra-me;

2  Para que ele não arrebate a minha alma, como leão, despedaçando-a, sem que haja quem a livre.

3  SENHOR meu Deus, se eu fiz isto, se há perversidade nas minhas mãos,

4  Se paguei com o mal àquele que tinha paz comigo (antes, livrei ao que me oprimia sem causa),



  SALMOS 7

5  Persiga o inimigo a minha alma e alcance-a; calque aos pés a minha vida sobre a terra, e reduza a pó a minha glória. (Selá.)

6  Levanta-te, SENHOR, na tua ira; exalta-te por causa do furor dos meus opressores; e desperta por mim para o juízo que ordenaste.

7  Assim te rodeará o ajuntamento de povos; por causa deles, pois, volta-te para as alturas.

8  O SENHOR julgará os povos; julga-me, SENHOR, conforme a minha justiça, e conforme a integridade que há em mim.

9  Tenha já fim a malícia dos ímpios; mas estabeleça-se o justo; pois tu, ó justo Deus, provas os corações e os rins.

10  O meu escudo é de Deus, que salva os retos de coração.

11  Deus é juiz justo, um Deus que se ira todos os dias.

12  Se o homem não se converter, Deus afiará a sua espada; já tem armado o seu arco, e está aparelhado.

13  E já para ele preparou armas mortais; e porá em ação as suas setas inflamadas contra os perseguidores.

14  Eis que ele está com dores de perversidade; concebeu trabalhos, e produziu mentiras.

15  Cavou um poço e o fez fundo, e caiu na cova que fez.



SALMOS 7

16  A sua obra cairá sobre a sua cabeça; e a sua violência descerá sobre a sua própria cabeça.

17  Eu louvarei ao SENHOR segundo a sua justiça, e cantarei louvores ao nome do SENHOR altíssimo.

  SALMO  8

Deus é glorificado nas suas obras e na sua bondade para com o homem

Salmo de Davi para o cantor-mor sobre Gitite

1  Ó SENHOR, Senhor nosso, quão admirável é o teu nome em toda a terra, pois puseste a tua glória sobre os céus!

2  Tu ordenaste força da boca das crianças e dos que mamam, por causa dos teus inimigos, para fazer calar ao inimigo e ao vingador.

3  Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste;

4  Que é o homem mortal para que te lembres dele? e o filho do homem, para que o visites?

5  Pois pouco menor o fizeste do que os anjos, e de glória e de honra o coroaste.

6  Fazes com que ele tenha domínio sobre as obras das tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés:

7  Todas as ovelhas e bois, assim como os animais do campo,

8  As aves dos céus, e os peixes do mar, e tudo o que passa pelas veredas dos mares.

9  Ó SENHOR, Senhor nosso, quão admirável é o teu nome sobre toda a terra!

Salmos de Davi


27 Para sempre
Meu Deus para sempre estar e seu reinado é sem fim...
E o seu nome é Eterno e por toda a eternidade é sua justiça e sua maravilha e sua vitória não tem fim...
Ó Deus tu é Onipotente e o rei Onisciente que sabe tudo e todas as coisas ao mesmo tempo e ó Deus tu é Onipresente tu podes reger o mundo e os cosmos e tu é a força do bem que estar em todos os lugares...
Ó Deus tu é Soberano tudo o que tu começa tu termina e nada tira o teu controle em tuas mãos...
Ó Deus tu é a vitória e teu poder é vitória e ninguém vence sem ti...
Amém...
28 Sem fim
Sem fim é o meu Deus o Aba e de Eternidade a Eternidade ele é Eterno e para todo o sempre estar o seu reino e sua justiça não tem fim... Pelos seus feitos e pela sua justiça ele é Deus da Eternidade e desde a Eternidade... O seu nome é invocado neste lugar e seu reino não tem fim...
Ele o Poderoso Aba é Rei de todo o seu reino e ele é o Mestre de toda a sua obra e por toda a eternidade se ouve os seus ensinamentos e por todo o sempre o seu julgamento e ele é o Juiz valoroso e o Deus Pai da Eternidade...
Amém...

Salmos de Davi


·        A dose mais forte



Jesus é a dose mais forte dentro de mim
Jesus é a dose mais forte dentro de mim
Ainda que o mar se revolte
E que as altas ondas busquem meu fim
Jesus é a dose mais forte dentro de mim

Ah que bom seria que a humanidade pudesse entender
O quanto Jesus os ama
E que Ele é a chama de todo poder
Ah que bom seria se todos pudessem dizer assim

Jesus é a dose mais forte dentro de mim

Jesus é a dose mais forte dentro de mim
Jesus é a dose mais forte dentro de mim
Ainda que o mar se revolte
E que as altas ondas busquem meu fim
Jesus é a dose mais forte dentro de mim

Ah que bom seria se naquele dia em que Jesus voltar
Pudesse ver todos remidos
Num só sentido em uma só fé
E na presença de Deus todos felizes dizendo assim
Jesus é a dose mais forte dentro de mim

Jesus é a dose mais forte dentro de mim
Jesus é a dose mais forte dentro de mim
Ainda que o mar se revolte
E que as altas ondas busquem meu fim
Jesus é a dose mais forte dentro de mim

Ah como eu queria olhar para o céu e poder contemplar
Jesus de braços abertos, coberto de glória vindo nos buscar
E o povo de Deus esperando com os olhos em lágrimas
Dizendo assim: Jesus é a dose mais forte dentro de mim

Jesus é a dose mais forte dentro de mim
Jesus é a dose mais forte dentro de mim
Ainda que o mar se revolte
E que as altas ondas busquem meu fim
Jesus é a dose mais forte dentro de mim



·        No silencio



Teu coração já fraco e cansado de duras emoções
Tem chegado só notícias de derrotas e desilusões
Parece até que Deus te esqueceu
Não enxerga mais a luz no fim do túnel

Mas quero te dizer que o silêncio do Senhor
Não é sinal que Ele te deixou

No silêncio, Deus trabalha por você
No silêncio, neutraliza o inimigo pra não te tocar
No silêncio, Deus está te contemplando
No silêncio, Ele está te guiando não vai te deixar

No silêncio, Ele prova tua fé
No silêncio, saiba que contigo é
No silêncio, Ele vai agir
No silêncio, Ele vai te sustentar
No silêncio, o teu pranto vai cessar
No silêncio, tem que adorar
Pro teu milagre chegar

·        Deus estar contigo


Onde está aquele brilho dos teus olhos?
Teu sorriso não está mais como antes
O amor se esfriou, cresceu o ódio
E te aprisionou sem dar nenhuma chance

Deus ainda não te esqueceu
Hoje mesmo vai te levantar
Tudo que Ele te prometeu se cumprirá
Se a tribulação te derrubou
Com certeza Deus não é culpado
Como antes sempre esteve do teu lado

Deus está contigo

E Ele está agindo, ninguém pode impedir
Quando está a frente todo mal tem que sair
É só pedir com fé que já é garantido
Deus está contigo

O Deus do impossível vitória vai te dar
Até da sepultura Ele faz ressuscitar
Pode acreditar
Deus está contigo

Deus ainda não te esqueceu
Hoje mesmo vai te levantar
Tudo que Ele te prometeu se cumprirá

Se a tribulação te derrubou
Com certeza Deus não é culpado
Como antes sempre esteve do teu lado
Deus está contigo

E Ele está agindo, ninguém pode impedir
Quando está a frente todo mal tem que sair
É só pedir com fé que já é garantido
Deus está contigo

O Deus do impossível vitória vai te dar
Até da sepultura Ele faz ressuscitar
Pode acreditar
Deus está contigo

E Ele está agindo, ninguém pode impedir
Quando está a frente todo mal tem que sair
É só pedir com fé que já é garantido
Deus está contigo

O Deus do impossível vitória vai te dar
Até da sepultura Ele faz ressuscitar
Pode acreditar
Deus está contigo

Deus está contigo

·        Uma questão de fé


Qual será o segredo de Sansão?
De onde vinha sua força?
E o que você me diz de Josué
Que conseguiu fazer o sol parar?
Como pode aparecer o Quarto Homem
Se pra dentro da fornalha
Apenas três o rei lançou para morrer?
Se você fosse Abraão, eu lhe pergunto:

Levaria o seu filho em holocausto para oferecer?

E quem ainda não ouviu falar de Jó
Que em meio a tantas lutas esperou
Com paciência no Senhor?
E de um jovem pequenino e corajoso
Que com apenas uma pedra numa funda
Um gigante derrotou?
É difícil imaginar como Israel gritou tão alto
E pôs abaixo a muralha que cercava a Jericó
E quando Sara achou que estava tudo acabado
Deus tocou em sua madre
E ela pôde um filho então gerar

É uma questão de fé
Pois nenhum desses é melhor do que você
É uma questão de fé
O mesmo Deus de ontem te contempla e te vê
É uma questão de fé
Agora é sua vez chegou a hora
Ninguém pode impedir

Não tenha medo, assuma agora o seu lugar de vencedor
Pois o segredo é confiar seus passos, sua vida ao Senhor
Não jogue fora essa chance, a sua história é importante
Ele quer te ajudar a escrever

Se está passando no vale, glorifique ao Senhor
Se o inimigo te cerca, Deus te fará vencedor
Se a prova está doendo irmão, louve a Deus

Pra ser um vitorioso irmão, louve a Deus
É uma questão de fé



·        Fiel Toda a vida


Se alguém tentar te humilhar
Porque és crente, e crê em Deus
Não dê ouvidos, ouvidos
Diga apenas que a tormenta
Vai passar porque Deus é contigo, contigo

Não se deixe ser levado
Pela voz do opressor
Ele só sabe acusar
Não se renda porque ele já perdeu
Agora é a sua vez, de humilhar

Não te lembras que ele foi atè a Deus
Dizer que Jó, blasfemaria
Contra o seu Senhor

Se o senhor deixasse ele consumir todos seus bens
Jó, não aguentaria
Mas o homem que é fiel a seu propósito e teme a Deus
Não se corrompe não, não, não
Mesmo em meio as tempestades
Jó se levantou das cinzas
E adorou, ao Senhor

Jó lançou-se sobre a terra e adorou
E falou pra todo inferno escutar
Nu, sair do ventre da minha mãe
E é nu que voltarei para lá
Tudo que eu tinha era de Deus
Deus me deu e ele mesmo tomou
Cai por terra o inimigo de Deus
E louvado seja o nome do Senhor!

Deus deixou que o inimigo
Roubasse os bens do seu ungido
Deixou que o inimigo
Matasse os seus filhos queridos
Deixou ferir com chagas
Porem Jó não deu ouvidos
E a sua mulher gritou bem alto
Amaldiçoa esse Deus e morre

Como falas uma louca mulher
Tu falaste agora contra Jeová
Aceitaste o bem de Deus com prazer
E o mal não queres tu aceitar
Tudo que eu tinha era de Deus
Deus me deu e ele mesmo tomou
Cai por terra o inimigo de Deus
E louvado seja o nome
Do Senhor, do Senhor, bendito é o Senhor

·        Simplesmente Sobrenatural





Eu vejo cada lágrima que rola no teu rosto
E as preocupações que tiram o teu sono
E até pensas em parar, em desistir
Eu vejo
E conheço a cada um ao teu redor
Que te abraça, mas no fundo quer ver o teu fim
Só que as máscaras de muitos vão cair!

Eu sou a água que procuras no deserto
E quando pensas que estou longe, estou perto
Socorro bem presente quando entra na tribulação
Eu sou (uh,uh)

Aquele que exalta no momento certo
Eu abençoou, eu faço a obra por completo
Quando um justo sofre, não é em vão!

A benção está perto de você (hou)
Milagre hoje vai acontecer! (hou)
O que eu preparei é bem maior
Do que os seus olhos podem ver
E quem te fez chorar vai entender
Que há uma promessa pra você
O que tenho contigo é especial
Simplesmente sobrenatural

Eu sou a água que procuras no deserto (Eu sou!)
E quando pensas que estou longe, estou perto
Socorro bem presente quando entra na tribulação
Eu sou!
Aquele que exalta no momento certo (eu sou!)
Eu abençoou, eu faço a obra por completo (ou,oh)
Quando um justo sofre, não é em vão

A bênção está perto de você! (hou)
Milagre hoje vai acontecer! (hou)
O que eu preparei é bem maior
Do que os seus olhos podem ver!
E quem te fez chorar vai entender
Que há uma promessa pra você! (yeah!)
O que tenho contigo é especial!
Simplesmente sobrenatural

O que Deus preparou é bem maior
Do que os seus olhos podem ver
E quem te fez chorar vai entender
Que há uma promessa pra você
O que tenho contigo é especial
Simplesmente sobrenatural!



·        O tempo de Deus

Quando ouvi a tua voz, tocou meu coração
Uma emoção tão forte que eu nunca senti
O anseio de minh'alma, ensinou-me a superar
E me mostrou várias razões pra que eu pudesse esperar

·        O tempo de Deus na minha vida
O tempo de Deus pros meus sentimentos
O tempo de Deus para o milagre

·        O tempo de Deus vai se cumprir
O tempo de Deus pras minhas promessas
O tempo de Deus pra minha cura
O tempo de Deus pra me exaltar
O tempo de Deus posso esperar

·        Quando ouvi a tua voz, tocou meu coração
Uma emoção tão forte que eu nunca senti
O anseio de minh'alma, ensinou-me a superar
E me mostrou várias razões pra que eu pudesse esperar

·        O tempo de Deus na minha vida
O tempo de Deus pros meus sentimentos
O tempo de Deus para o milagre
O tempo de Deus vai se cumprir
O tempo de Deus pras minhas promessas
O tempo de Deus pra minha cura
O tempo de Deus pra me exaltar
O tempo de Deus posso esperar

·        Minha Casa





A chuva cai lá fora, o céu está fechado
A previsão diz que um temporal vem vindo ai
Os ventos vão chegar a 200 por hora
Mas sei que minha casa não vai atingir

Pois ela foi firmada e bem projetada
E o arquiteto é Jesus de Nazaré
Pode passar terremotos, maremotos
Mas sei que a minha casa vai ficar de pé

O vento não vai destruir
E venha o que vier, ela não vai cair
Pois sobre a rocha foi edificada
A minha proteção é Jesus quem me guarda

Vai resistir às tempestades e os vendavais

A minha casa é abençoada e o mal jamais
Pode derrubar e tentar destruir
Pois o rei do universo está morando ali, ali

A minha casa o vento não pode levar
Bem construída, bem guardada ela está
Porta de ferro, parede de aço
E as colunas são as próprias mãos de Jeová

O vento pode soprar de todos os lados
Não vai cair, nada vai dar errado
A minha casa é projeto nas mãos do Senhor
Ninguém me atingirá, foi Ele quem falou

O vento não vai destruir
E venha o que vier, ela não vai cair
Pois sobre a rocha foi edificada
A minha proteção é Jesus quem me guarda

Vai resistir às tempestades e os vendavais
A minha casa é abençoada e o mal jamais
Pode derrubar e tentar destruir
Pois o rei do universo está morando ali, ali

A minha casa o vento não pode levar
Bem construída, bem guardada ela está
Porta de ferro, parede de aço
E as colunas são as próprias mãos de Jeová

O vento pode soprar de todos os lados
Não vai cair, nada vai dar errado
A minha casa é projeto nas mãos do Senhor
Ninguém me atingirá, foi Ele quem falou

A minha casa o vento não pode levar
Bem construída, bem guardada ela está
Porta de ferro, parede de aço
E as colunas são as próprias mãos de Jeová

O vento pode soprar de todos os lados
Não vai cair, nada vai dar errado
A minha casa é projeto nas mãos do Senhor
Ninguém me atingirá, foi Ele quem falou

Foi Ele quem falou
Foi Ele quem falou

·        Voar como Águia

·        É tempo de quebrar cadeias, restaurar
E a Deus somente adorar
Dele vou depender
Sua face eu vi!
E o mesmo nunca mais serei!

·         A luz brilhou, e eu posso ver
A verdade libertou todo o meu ser.

·        Vou voar como a águia
Vou dançar como o vento
Vou fluir como o rio
E cantar como os anjos
Escalar a montanha
E andar sobre as águas
Vou louvar como no primeiro amor
Pois eu vi a glória do Senhor!

·        Sacrifiquei meu tesouro,
Meu apoio natural
Não via mais meus pés, meu chão
Então Ele me deu asas pra voar!

·        O vento de Deus
Veio tirar toda cinza e soprou
Soprou sobre mim!
E o fogo recomeçou!

·        Poder da oração





"Eu creio no poder dos joelhos que se dobram
Eu creio no poder da oração
Eu creio no poder das mãos que se levantam

Eu creio no poder da oração
Vou levar meus problemas pra Deus
Entregar meus problemas pra Deus
Abençoar minha família, minha casa, meus irmãos,
Pois eu creio no poder da oração
Eu creio no poder da oração
Eu creio no poder da brasa viva no altar incenso misturado a oração
Quando o anjo oferecer, a trombeta vai tocar
Deus vai mover os céus, a terra e o mar."



·        Adorar é ama



Adorar é amar de todo o coração
Adorar é amar a deus e ao meu irmão
Adorar é servir, é lavar os pés
É chorar com os que choram
Celebrar com a vitória

Adorar é perdoar mais uma vez
Muito mais que minhasmãos erguidas
Ter mãos estendidas é o que ele espera ver
Pois só posso adorar a deus
Se eu amar você
Eu amo você
Porque eu amo a deus
Cada vez que eu enxugar
A lágrima de alguém
Eu estou beijando
A face do meu amado rei
Pois todo amor que eu derramar
Ao ferido coração
Sobe aos céus
Como um incenso de adoração

·        Filho amado

Adorar é amar de todo o coração
Adorar é amar a deus e ao meu irmão
Adorar é servir, é lavar os pés
É chorar com os que choram
Celebrar com a vitória

Adorar é perdoar mais uma vez
Muito mais que minhasmãos erguidas
Ter mãos estendidas é o que ele espera ver
Pois só posso adorar a deus
Se eu amar você
Eu amo você
Porque eu amo a deus
Cada vez que eu enxugar
A lágrima de alguém
Eu estou beijando
A face do meu amado rei
Pois todo amor que eu derramar
Ao ferido coração
Sobe aos céus
Como um incenso de adoração

·        Escolhi adorar







Eu escolhi a melhor parte
Quero estar em tua presença
Ouvir tua voz
Me prostro aos teus pés, meu Senhor

Meu vaso quebrado, derrama o meu nardo
Nada é mais precioso pra mim
Do que estar aos teus pés

Te adorar meu amado Jesus

Pra te adorar, adorar
Pra te adorar, adorar
Pra te adorar, adorar
Foi que eu nasci, Senhor
Eu escolhi adorar

Escolhi adorar, escolhi adorar
Escolhi, escolhi adorar
Escolhi adorar, escolhi adorar
Escolhi, escolhi adorar

Não importa o que estiver passando
Eu vou passar adorando
Eu vou passar adorando
Eu vou passar adorando
Eu escolhi adorar, eu escolhi adorar
A minha voz jamais se calará
O meu louvor ninguém apagará
Por que eu já fiz a minha escolha
Eu escolhi adorar

·        Espírito santo do es bem vindo





Espírito Santo, Tu és bem-vindo neste lugar
Espírito Santo, Tu és bem-vindo em meu coração
Enche esta casa de sabedoria

Enche esta casa de amor e perdão
Enche esta casa de inteligência |Enche esta casa de adoração
Espírito Santo, Tu és bem-vindo, hoje aqui
Derrama o Teu óleo, derrama Tua unção | Espírito Santo de Deus
Na minha mente, em meu coração, no meu falar, no meu agir
Meus pensamentos e intenções | Espírito Santo, vem sobre mim
Tu és bem-vindo | Amado Espírito Santo
Querido, Espírito Santo|Precioso Espírito Santo
| Meu conselheiro | Tu és bem-vindo

·        Chuva de avivamento







Nos últimos dias diz o Senhor
Derramarei Meu Espírito sobre toda a terra
Copiosamente
Poços secos jorrarão
E até o deserto de novo frutificará
Abundantemente

É o som do nosso louvor
Que sobe aos céus como um vapor

E se condensa na nuvem de glória
Shekinah sobre nós se derramará

Em abundante chuva, chuva
Derrama sobre nós esta chuva
Abre as comportas dos céus, Senhor
Faz chover
Abundante chuva, chuva
Derrama sobre nós esta chuva
Torrente de águas sobre o sedento
Chuva de avivamento, chuva de avivamento

E esta chuva converterá
O coração dos pais aos filhos e dos filhos aos pais
No poder do Espírito
É o som do nosso louvor
Que sobe aos céus como um vapor
E se condensa na nuvem de glória
Shekinah sobre nós se derramará

Chuva de avivamento
Chuva de avivamento
Chuva de avivamento vem sobre nós
Chuva de avivamento (derrama)
Chuva de avivamento (derrama)
Chuva de avivamento vem sobre nós

·        Pefeição



·       
Perfeição É fazer tua vontade Perfeição É viver em santidade Perfeição É na Palavra da Verdade Perfeição Só no Senhor [HIP HOP] Perfeição Reconhecer que eu fui resgatado Que a sua cruz e pelo sangue eu fui libertado Cordeiro Imaculado Livrou-me do pecado Me transformou e hoje eu sou livre e curado Viver em santidade na sua palavra E seu amor me fortalece a cada caminhada No seu sangue, o sacrifício é que me conduz Pois agora sou perfeito, mas sou servo do Senhor Jesus Perfeição É fazer tua vontade Perfeição É viver em santidade Perfeição É na Palavra da Verdade Perfeição Só no Senhor Respostas sem respostas Quando entrei por várias portas largas que sempre levavam um vazio Viagens cansativas , dia após dia Ia me perdendo num escuro triste do meu ego E o que eu só queria era uma forma santa pra encontrar a perfeição E tudo o que eu tinha era contos e fantasias no meu coração E sei na minha fraqueza que encontrei sua resposta Nova porta pra acabar minha incerteza Enchi o meu vazio e aqueci triste frio que enrolava e encobria a minha alma Tornei-me dependente do Criador, que com amor tratou minha solidão Hoje estou confiante que sigo no caminho que me levará a perfeição Perfeição É fazer tua vontade Perfeição É viver em santidade Perfeição É na Palavra da Verdade Perfeição Só no Senhor [HIP HOP] Perfeição Reconhecer que eu fui resgatado Que a sua cruz e pelo sangue eu fui libertado Cordeiro Imaculado Livrou-me do pecado Me transformou e hoje eu sou livre e curado Viver em santidade na sua palavra E seu amor me fortalece a cada caminhada No seu sangue, o sacrifício é que me conduz Pois agora sou perfeito, mas sou servo do Senhor Jesus Perfeição É fazer tua vontade Perfeição É viver em santidade Perfeição É na Palavra da Verdade Perfeição Só no Senhor



·        O plano

Castigado outra vez por mim Quando erro me lembro assim Morreu no inicio para eu ñ ter fim Carregado para outro lugar insistiram Em sepultar O plano que não iria falhar Embalsamado em lugar errado Enrolado num véu Confundiram, consentiram Que o lugar dele era o céu E o véu do templo se rasgou A terra estremeceu Quem tava morto levantou E o sol escureceu Viram que realmente era o filho De deus E aquele que não acreditou Se arrependeu Viu que se enganou E o que aconteceu Mataram jesus cristo, o filho de Deus Paralisado tudo ficou E o mundo então pensou: "o filho de deus simplismente Acabou" Esqueceram de se lembrar Que o plano ia se completar E o que estva escrito ia se Confimar Rolaram,empurraram Fecharam com a pedra o lugar Quiseram, não puderam Não deixar cristo ressuscitar E o terremoto aconteceu Anjo forte aqui chegou A pedra removeu Como raio se mostrou Manifestação do poder de deus Então cristo não morreu Ele ressuscitou O milagre reviveu E a morte derrotou Pois esse era o plano de deus So é filho e filha Quem se humilha e cre em jesus Então creia agora,sem demora Na historia de amor da cruz

domingo, 17 de junho de 2018

fim cronicas


20 Saddam Hussein
Saddam foi um ditador do Iraque que foi um homem duro e obstinado e que era assassino de seu povo e que matou em nome de Ala o deus dos árabes... Fez guerra ao Irã e aos países árabes e que matava o povo de Deus... Saddam foi um líder mau aos olhos do Senhor que desafiou Deus e que matava os seus opositores... Matou o seu povo com armas químicas e biológicas e matava o seu povo para que eles não fossem cidadãos de seu país... Se aproveitou dos Estados Unidos para fazer guerra e no final os americanos o levaram a foca e o mataram...
Madatos 16 de julho de 1979

a 9 de abril de 2003...
21 Nicolás Maduro

Nicolas Maduro foi um presidente da Venezuela que foi o homem humilde e que era temente a Deus mas só que era um ditador do seu povo mas Deus o constituiu para que ele mudasse e se voltasse para Deus e fosse rei de seu povo enquanto Deus Elionay o Grande fosse um rei maior... Tentou levatar seu povo e seguir a Deus mesmo sendo um ditador e mau e com coisas más em seu ser e Deus iria o usar e o transformar e fazer ele ser o servo valorozo... No seu tempo a Venezuela viveu os seu piores dias porque tinha a inflação e a gueda na economia mas tudo mudaria se o seu povo se voltasse para Deus...
Mandatos
8 de março de 2013

até a atualidade...
22 Hugo Chávez
Hugo Chávez foi um presidente da Venezuela e em seu tempo o seu povo prosperou e viveu uma grandeza mas ele era uma espécie de Ditador e o homem de coração obstinado e duro e que era temende a Deus e ele ouviu a Voz de Elionay o Grande e se libertou e tentou fazer o que era o certo aos olhos do Senhor... Fez que o petróleo fosse o investimento sustentável de sua nação e fortaleceu o exercito e liderou o seu povo ao sucesso mas quando ele morreu o sonho venezuelano tinha morrido e fazia duras criticas as americanos mas que gostava do Brasil e do povo brasileiro...
Mandatos 2 de fevereiro de 1999

a 5 de março de 2013...
23  Elizabeth II
Elizabeth foi a rainha da Inglaterra e em seu tempo a Inglaterra prosperou e foi grandiosa e fazia que as forças armadas fosse cheias de honra e valorizou o exercito e fez que seu povo tivesse uma economia instável e fez grandes obras para ajudar a desastres naturais e Deus ia usar sua semente e ela para serem reis e rainhas do novo reino chamado de Mundo Celestial e o seu Deus também seria o rei de um território e uma autoridade maior dos céus mas no seu tempo ela ouviu a voz de Elionay o Grande e mudou e fez aliança com ele e aceitou fazer parte dos 83 paises o mundo celestial...
Governou 6 de fevereiro de 1952

presente de 2018...

sábado, 16 de junho de 2018

Salmos


(2 Crônicas o Livro Biografia dos lideres)

Livro 2

01 Barack Obama

Barack Hussein Obama II (Honolulu, 4 de agosto de 1961) é um advogado e político norte-americano que serviu como o 44.º presidente dos Estados Unidos de 2009 a 2017, sendo o primeiro afro-americano a ocupar o cargo. Nascido em Honolulu, no Havaí, Obama é graduado em ciência política pela Universidade Columbia e em direito pela Universidade de Harvard, onde foi presidente da Harvard Law Review. Também atuou como organizador comunitário, advogado na defesa de direitos civis e ensinou direito constitucional na escola de direito da Universidade de Chicago entre 1992 a 2004. Obama representou por três mandatos o 13.º distrito no Senado de Illinois entre 1994 a 2004, tentando eleger-se, sem sucesso, ao Congresso dos Estados Unidos em 2000.

Em 2004, após vencer a primária democrata da eleição para o Senado em Illinois, Obama foi convidado para fazer o discurso principal da Convenção Nacional Democrata daquele ano, e, com isso recebeu atenção nacional da mídia. Em novembro, foi eleito Senador com quase 70% dos votos. Obama começou sua campanha presidencial em 2007 e em 2008, depois de uma acirrada disputa nas primárias do partido com Hillary Clinton, conseguiu apoio suficiente para ganhar a nomeação do Partido Democrata para a presidência dos Estados Unidos. Ele derrotou o candidato republicano John McCain na eleição geral de novembro, tendo sido empossado presidente em 20 de janeiro de 2009. Nove meses depois, ganhou o Nobel da Paz.

Durante seu primeiro mandato, Obama sancionou propostas de estimulo econômico e outras iniciativas em resposta à Grande Recessão e à crise financeira. Outras importantes iniciativas nacionais neste período incluem a aprovação e sanção da Lei de Proteção e Cuidado ao Paciente, projeto este que passou a ser chamado de Obamacare, e revogou a política "Não pergunte, não conte". Na política externa, Obama ordenou o fim do envolvimento norte-americano na Guerra do Iraque, aumentou a quantidade de tropas no Afeganistão, assinou tratados de controle de armas com a Rússia, autorizou uma intervenção armada na Guerra Civil Líbia e ordenou uma operação militar no Paquistão que resultou na morte de Osama bin Laden.

Obama foi reeleito presidente em novembro de 2012, derrotando o republicano Mitt Romney, e foi empossado para um segundo mandato em 20 de janeiro de 2013. Durante seu segundo mandato, Obama promoveu políticas internas relacionadas com o controle de armas, em resposta ao tiroteio na escola primária de Sandy Hook e outros massacres, e defendeu a igualdade LGBT. No âmbito externo, a fim de conter a ameaça do grupo Estado Islâmico na região do Oriente Médio, ordenou a volta de tropas militares ao Iraque e autorizou ataques aéreos e navais na Síria. Além disso, continuou o plano de encerramento das operações de combate norte-americanas no Afeganistão, promoveu discussões que levaram ao Acordo de Paris de 2015 sobre mudanças climáticas globais, firmou um acordo nuclear com o Irã, e iniciou o processo de normalização das relações entre Cuba e EUA. Ao deixar a presidência, em janeiro de 2017, Obama tinha um índice de aprovação de 60% dentre o povo americano.

Barack Hussein Obama II nasceu em 4 de agosto de 1961 em Honolulu, Havaí.[1][2][3] Sua mãe, Ann Dunham, era branca, de ascendência principalmente inglesa e nascida em Wichita, Kansas. Seu pai, Barack Obama, Sr., nasceu em Nyang’oma Kogelo, distrito de Siaya, Quênia, e era da etnia luo.[4] Os pais de Obama conheceram-se em 1960 em uma aula de russo na Universidade do Havaí em Manoa, onde seu pai era um estudante bolsista.[5][6] Casaram-se em 2 de fevereiro de 1961, em Wailuku, Havaí, onde o matrimônio entre pessoas de cores diferentes não era proibido.[7][8] O casal separou-se quando, no final de 1961, Dunham mudou-se com seu filho recém-nascido para estudar na Universidade de Washington em Seattle por um ano. Durante este período, Obama Sr. completou sua graduação em economia no Havaí em junho de 1962, e depois concluiu um mestrado em economia pela Universidade Harvard. Seus pais divorciaram-se em março de 1964.[9][10] Obama Sr. retornou ao Quênia, onde casou-se novamente, encontrando-se com o filho apenas mais uma vez antes de falecer em um acidente de automóvel em 1982.[11][12][13]

Em 1963, Dunham conheceu Lolo Soetoro, um estudante indonésio de pós-graduação em geografia na Universidade do Havaí, com quem casou-se em 15 de março de 1965, em Molokai.[14] Após duas prorrogações de seu visto, Lolo regressou à Indonésia em 1966. A família mudou-se para o país natal de Soetero em 1967, onde viveram inicialmente no sul de Jacarta, e, em seguida, a partir de 1970, em um bairro rico da área central da cidade.[15]

Educação

Dos seis aos dez anos, estudou em escolas locais de língua indonésia: Escola Católica São Francisco de Assis por dois anos e a Escola Pública Besuki por um ano e meio, complementando a língua inglesa na Escola Calvert e tendo aulas de sua mãe em casa.[16] [17]

Em 1971, Obama retornou a Honolulu para morar com seus avós maternos, Madelyn e Stanley Dunham. Lá ele frequentou a Escola Punahou, uma escola preparatória privada, desde a quinta série do ensino elementar norte-americano até a graduação no ensino secundário, em 1979.[18] Obama viveu com sua mãe e irmã no Havaí entre 1972 e 1975, enquanto Ann era estudante de pós-graduação em antropologia na Universidade do Havaí.[19] Obama escolheu permanecer no Havaí com seus avós quando sua mãe e irmã retornaram a Indonésia em 1975.[20] Ann passou a maior parte das próximas duas décadas na Indonésia, divorciando-se de Lolo em 1980 e tendo um PhD em 1992, antes de morrer, em 1995, no Havaí, sendo vitimada por câncer nos ovários.[21][22]

Sobre o início de sua infância, Obama recordou: "Que meu pai não parecia nada com as pessoas ao meu redor – que ele era negro como breu, minha mãe branca como leite – mal ficou registrado em minha mente."[5] Refletindo mais tarde sobre seus anos em Honolulu, disse: "A oportunidade que o Havaí ofereceu – experimentar uma variedade de culturas num clima de respeito mútuo – tornou-se parte integrante da minha visão de mundo e uma base para os valores que eu tenho mais caros."[23] Obama escreveu e falou sobre seu uso de álcool, maconha, e cocaína durante a adolescência, justificando que o fez para "empurrar para fora de minha mente as questões sobre quem eu era."[24][25]

Após concluir o ensino secundário, Obama mudou-se para Los Angeles, Califórnia, em 1979, onde ingressou no Occidental College.[26] Em fevereiro de 1981, Obama fez seu primeiro discurso público, pedindo para que a Occidental participasse do desinvestimento da África do Sul em resposta à política de apartheid daquele país.[27] Em meados de 1981, Obama viajou para a Indonésia para visitar sua mãe e meia-irmã Maya, e visitou famílias de amigos da faculdade no Paquistão e na Índia por três semanas.[28][29] Mais tarde naquele ano, transferiu-se para Columbia College, da Universidade de Columbia, na cidade de Nova Iorque, onde residiu em Upper West Side.[30] Em 1983, Obama obteve o título de bacharel de artes em ciência política com especialidade em relações internacionais e literatura inglesa.[31][32] No mesmo ano, foi trabalhar por um ano na empresa Business International Corporation, e em seguida para a organização sem fins lucrativos New York Public Interest Research Group.[33][34] Em 1985, foi um dos líderes de um esforço para chamar atenção ao Metropolitano de Nova Iorque, que estava em mau estado na época. Obama viajou a várias estações de metrô para fazer as pessoas assinarem cartas endereçadas a autoridades locais e à Autoridade de Transporte Metropolitano.[35]

Organizador comunitário em Chicago e formação universitária

Em 1985, Obama mudou-se para Chicago para trabalhar como diretor do Projeto Comunidades em Desenvolvimento, uma associação comunitária religiosa originalmente composta por oito paróquias católicas em Roseland, West Pullman, e Riverdale, ao sul de Chicago. Ele trabalhou como organizador comunitário nesta associação de junho de 1985 a maio de 1988.[36][37][38] Obama ajudou a criar um programa de treinamento para o trabalho, um programa de tutoria para a preparação para o estudo universitário, e outro para o estabelecimento de uma organização de defesa dos direitos de inquilinos na região de Altgeld Gardens.[39] Obama também trabalhou como consultor e instrutor na fundação Gamaliel, um instituto de consultoria e treinamento para associações comunitárias.[40] Em meados de 1988, viajou pela primeira vez para a Europa, onde permaneceu por três semanas, indo em seguida ao Quênia, ficando lá por cinco semanas e encontrando-se pela primeira vez com alguns de seus parentes paternos.[41][42][43] Ele retornou ao Quênia em 1992 com sua noiva Michelle e sua irmã Auma, e em 2006 para uma visita ao local de nascimento de seu pai.[44][45]

No outono de 1988, Obama entrou para a Harvard Law School, vivendo em Somerville, Massachusetts.[46][47] Ao final do seu primeiro ano, foi escolhido editor da revista Harvard Law Review, presidente da revista em seu segundo ano e trabalhou como assistente de pesquisas do estudioso constitucional Laurence Tribe por dois anos e meio.[48] [49] Durante os verões, voltou para Chicago, onde trabalhou em escritórios de advocacia, como o Sidley Austin em 1989 e Hopkins & Sutter em 1990.[50][51] Em 1991, retornou a Chicago após graduar-se com um Juris Doctor.[52] A publicidade associada à sua eleição como o primeiro afro-americano presidente da Harvard Law Review ganhou a atenção da mídia nacional e resultou em um contrato e adiantamento para que ele escrevesse um livro sobre questões relacionadas à raça.[53][54]

Universidade de direito de Chicago e advogado dos direitos civis

Em 1991, em um esforço para contratar Obama para o seu corpo docente, a escola de direito da Universidade de Chicago ofereceu-lhe uma posição em pesquisa e um escritório onde poderia trabalhar no seu livro. Obama planejou terminá-lo em um ano, mas a tarefa consumiu muito mais tempo à medida que evoluiu para um livro de memórias. A fim de trabalhar sem interrupções, Obama e sua esposa viajaram para Bali, onde passou meses escrevendo. O manuscrito foi publicado como Dreams from My Father em 1995.[54] Ele então ensinou direito constitucional na mesma instituição por doze anos, como docente e como professor sênior de 1996 a 2004.[55][56][57]

De abril a outubro de 1992, Obama dirigiu a iniciativa Project Vote em Illinois. O projeto, voltado para o registro de eleitores, contava com dez funcionários e setecentos voluntários. Ele atingiu seu objetivo de registrar 150 mil dos 400 mil afro-americanos não registrados do Estado, motivando a revista Crain's Chicago Business a incluí-lo, em 1993, na sua lista de líderes promissores com menos de quarenta anos de idade.[58][59][60]

Em 1993, juntou-se a Davis, Miner, Barnhill & Galland, um escritório de advocacia composto por treze advogados e especializado em litígios de direitos civis e desenvolvimento econômico de vizinhanças, trabalhando como associado por três anos, de 1993 a 1996. Entre 1996 a 2004 possuiu o título de counsel.[61][62][63]

De 1994 a 2002, Obama serviu nos conselhos de administração da Woods Fund of Chicago e da Fundação Joyce. Também serviu no conselho de administração do Chicago Annenberg Challenge de 1995 a 2002, como presidente fundador e presidente do conselho de administração de 1995 a 1999.[36]

Carreira legislativa: 1997-2008

Senador estadual: 1997–2004


Obama e outros comemoram a nomeação de uma rua de Chicago em homenagem ao cofundador do ShoreBank Milton Davis, em 1998.

Obama foi eleito para o Senado de Illinois em 1996, representando o 13.º distrito, que abrangia parte do sul de Chicago. Obama sucedeu Alice Palmer, que decidiu concorrer ao Congresso dos Estados Unidos.[64][65] Uma vez eleito, Obama ganhou apoio bipartidário para a aprovação de leis sobre ética e saúde.[66][67] Ele patrocinou uma lei que aumentou os créditos fiscais para os trabalhadores de baixa renda, negociou uma reforma na previdência, e promoveu o aumento de subsídios destinados à assistência saúde de crianças.[68]

Foi reeleito para o Senado de Illinois em 1998, vencendo o republicano Yesse Yehudah na eleição geral, e reelegeu-se novamente em 2002.[69][70] Em 2000, perdeu a eleição primária democrata para o 1.º distrito congressional de Illinois da Câmara dos Representantes, sendo derrotado pelo então representante Bobby Rush por 61-30%.[71][72]

Em janeiro de 2003, Obama foi escolhido presidente do Comitê de Saúde e de Serviços Humanos.[73] Ele patrocinou e liderou a aprovação de uma legislação bipartidária para monitorar a discriminação racial, exigindo que a polícia registrasse a etnia dos motoristas detidos, tornando o Illinois o primeiro estado a obrigar a filmagem dos interrogatórios em casos de homicídio.[68][74][75] Após ser eleito para o Senado dos Estados Unidos em novembro de 2004, Obama renunciou ao Senado de Illinois.[76]

Em maio de 2002, Obama encomendou uma pesquisa para avaliar suas chances na eleição para o Senado em 2004. Ele criou um comitê de campanha, começou a levantar fundos, e alinhou-se ao consultor político David Axelrod em agosto de 2002. Obama anunciou formalmente sua candidatura ao Senado em janeiro de 2003.[77]

Obama foi desde o começo contrário a Invasão do Iraque em 2003, autorizada pelo presidente George W. Bush.[78] Em 2 de outubro de 2002, quando o presidente Bush e o Congresso concordaram com a resolução conjunta autorizando a Guerra do Iraque, Obama discursou no primeiro grande comício em Chicago sobre a guerra, e posicionou-se contrário a ela.[79][80][81] Ele participou de outro comício antiguerra em março de 2003, quando disse à multidão que "não é tarde demais" para parar a guerra.[81][82]

As escolhas de não concorrer na eleição feitas pelo senador republicano Peter Fitzgerald e por sua antecessora, a democrata Carol Moseley Braun, fizeram com que as primárias de ambos os partidos tivessem quinze candidatos.[83] Na eleição primária realizada em março de 2004, a vitória inesperada de Obama fez com que ele se tornasse uma figura em ascensão dentro do Partido Democrata, começando a partir deste momento as especulações sobre uma futura candidatura presidencial, e levou a reedição de seu livro de memórias, Dreams from My Father.[84][85][86][87] Em julho de 2004, Obama fez o principal discurso da Convenção Nacional Democrata daquele ano, sendo visto por 9,1 milhões de telespectadores. O discurso foi bem recebido e elevou seu status dentro do Partido Democrata.[88][89][90]

O oponente esperado de Obama na eleição geral, o vencedor da primária republicana Jack Ryan, desistiu da eleição em junho de 2004 devido a um escândalo conjugal.[91][92] Seis semanas depois, Alan Keyes aceitou o pedido do Comitê Republicano para substituir Ryan.[93] Na eleição geral de novembro, Obama venceu com 69,97% dos votos.[94]

Obama foi empossado como senador em 3 de janeiro de 2005, tornando-se o único senador membro do Congressional Black Caucus.[95][96] Com base na análise de todos os votos de Obama enquanto senador entre 2005 e 2007, a CQ Weekly o caracterizou como um "Democrata leal".[97] Obama anunciou em 13 de novembro de 2008 que iria renunciar a sua cadeira no Senado em 16 de novembro do mesmo ano, antes do início da sessão do pato manco, para se concentrar no período da transição para a presidência.[98]

Iniciativas


Obama copatrocinou a Secure America and Orderly Immigration Act, uma mal sucedida tentativa de reforma na imigração.[99] Ele apresentou duas iniciativas que ganharam o seu nome: Lugar-Obama, que foi sancionada pelo presidente Bush e expandiu a lei Nunn–Lugar, que trata da destruição de armas convencionais e armas de destruição em massa;[100][101] e a Coburn–Obama Transparency Act, que autorizou a criação do site USAspending.gov, fornecendo assim os gastos federais pela internet.[102][103] Em 3 de junho de 2008, o senador Obama, juntamente com os senadores Tom Carper, Tom Coburn, e John McCain, apresentaram a Strengthening Transparency and Accountability in Federal Spending Act of 2008, cujo objetivo visava fortalecer a prestação de contas do governo.[104]

Obama patrocinou uma legislação que teria exigido que proprietários de usinas nucleares notificassem as autoridades estaduais e locais caso houvessem vazamentos radioativos, mas o projeto não conseguiu passar no plenário do Senado depois de ser fortemente modificado pela comissão.[105]


Obama e o senador Richard Lugar visitando uma instalação russa de desmantelamento de mísseis móveis, em agosto de 2005.

Em dezembro de 2006, o presidente Bush sancionou uma lei que aumentou a ajuda dos Estados Unidos para a República Democrática do Congo, sendo esta a primeira lei federal tendo Obama como seu principal patrocinador.[106][107] Em janeiro de 2007, Obama e o senador Russ Feingold apresentaram uma emenda a Honest Leadership and Open Government Act proibindo candidatos a cargos federais e oficiais de seus comitês de viajarem em jatos corporativos sem pagar por seu custo; após a sanção de Bush em setembro de 2007, a lei restringiu a atuação de lobistas no Congresso.[108] Obama também foi autor do Deceptive Practices and Voter Intimidation Prevention Act, um projeto de lei que criminalizaria práticas enganosas nas eleições federais, e o Iraq War De-Escalation Act of 2007, que tinha como meta remover todos os soldados americanos no Iraque até 31 de março de 2008.[109][110][111]

Mais tarde, em 2007, Obama propôs uma emenda ao Defense Authorization Act com o objetivo de proteger temporariamente da demissão soldados com algum ferimento ou transtorno causado pela guerra; esta alteração foi aprovada pelo Senado na primavera de 2008.[112][113] Obama patrocinou uma legislação propondo sanções contra o Irã, que tinham como objetivo incentivar o desinvestimento nos fundos de pensão estatais de petróleo e da indústria de gás, mas não foi aprovada pelo comitê; e copatrocinou uma legislação para reduzir os riscos do terrorismo nuclear.[114] Obama também patrocinou uma emenda do Senado ao State Children's Health Insurance Program, oferecendo um ano de proteção do emprego para os familiares que cuidam de soldados com ferimentos relacionados ao combate.[115]

Em 10 de fevereiro de 2007, Obama anunciou sua candidatura à presidência dos Estados Unidos em frente ao edifício Old State Capitol, em Springfield, Illinois.[116][117] A escolha do local do anúncio da candidatura foi vista como simbólica porque foi ali que Abraham Lincoln proferiu o "Discurso da Casa Dividida", em 1858, quando aceitou ser o candidato do Partido Republicano ao senado por Illinois.[118][119] Obama enfatizou que iria acabar rapidamente com a Guerra do Iraque, aumentaria a independência energética, faria com que os serviços de saúde fossem universais, e os seus temas de campanha foram "esperança" e "mudança."[120][121]

Um grande número de candidatos buscaram receber a indicação presidencial democrata. A primária foi reduzida para um acirrado duelo entre Obama e a senadora Hillary Clinton após as primeiras disputas, mas tendo Obama com o maior número de delegados devido ao seu melhor planejamento de longo prazo, maior captação de recursos, uma organização dominante nos caucus estaduais e a melhor exploração das regras de alocação de delegados.[122][123][124] A primária ficou decidida em fins de maio, quando o Obama ultrapassou os delegados necessários para lhe garantir a nomeação. No dia 7 de junho, Hillary encerrou sua campanha e declarou apoio a Obama.[124]


O presidente George W. Bush se reúne com o presidente eleito Obama no Salão Oval, em 10 de novembro de 2008.

Em 23 de agosto, Obama anunciou a escolha de Joe Biden, senador por Delaware desde 1973, como seu candidato à vice-presidência.[125] Na Convenção Nacional Democrata em Denver, Colorado, Hillary Clinton pediu para que seus partidários apoiassem Obama, e ela e o ex-presidente Bill Clinton fizeram discursos na convenção em seu apoio.[126][127] Obama fez o discurso de aceitação como o candidato do Partido Democrata no estádio Sports Authority Field at Mile High para uma multidão de mais de 75 000 pessoas; o discurso foi visto por mais de 38 milhões de telespectadores norte-americanos.[128][129][130]

Tanto nas primárias como na eleição geral, a campanha de Obama estabeleceu vários recordes de captação de recursos, principalmente na quantidade de pequenas doações.[131][132][133] Em 19 de junho de 2008, Obama se tornou o primeiro candidato presidencial de um partido principal a recusar o financiamento público de campanha desde que o sistema foi criado em 1976,[134]

John McCain foi nomeado o candidato do Partido Republicano e os dois participaram de três debates presidenciais em setembro e outubro de 2008.[135] Em 4 de novembro, Obama ganhou a presidência com 365 votos no colégio eleitoral, contra os 173 de John McCain.[136] Obama recebeu 52,9% dos votos populares e McCain ficou com 45,7%.[137] Obama obteve 69,4 milhões de votos, sendo o presidente mais votado da história dos Estados Unidos e o segundo presidente mais votado do mundo.[138] Com sua eleição, tornou-se o primeiro afro-americano a ser eleito presidente dos EUA, bem como o quinto mais jovem.[139][140]

Em 4 de abril de 2011, Obama anunciou formalmente sua campanha à reeleição em 2012 com um vídeo intitulado "It Begins with Us", que postou em seu site, e apresentou documentos eleitorais para a Comissão Eleitoral Federal.[141][142][143] Como sendo o presidente em exercício, ele concorreu praticamente sem oposição nas primárias presidenciais do Partido Democrata.[144]

Na Convenção Nacional Democrata em Charlotte, Carolina do Norte, o ex-presidente Bill Clinton nomeou formalmente Obama e Biden como os candidatos do Partido Democrata para presidente e vice-presidente na eleição geral, em que os seus principais adversários foram os republicanos Mitt Romney, ex-governador de Massachusetts, e o representante Paul Ryan de Wisconsin.[145][146]

Em 6 de novembro de 2012, Obama ganhou 332 votos no colégio eleitoral, superando os 270 votos necessários para que fosse reeleito presidente.[147] Com 51,1% dos votos populares, Obama tornou-se o primeiro presidente democrata desde Franklin Delano Roosevelt a ganhar duas vezes a maioria dos votos populares.[148][149] O presidente Obama dirigiu-se aos apoiantes e voluntários no McCormick Place, em Chicago, após o anúncio da sua reeleição e disse: "Hoje à noite você votou pela ação, não pela política como de costume. Você nos elegeu para nos concentrarmos em seus trabalhos, não nos nossos. E eu estou ansioso para nas próximas semanas e meses trabalhar com líderes de ambos os partidos para enfrentar os desafios que só juntos nós podemos resolver

Obama foi empossado como o 44.º presidente em 20 de janeiro de 2009.[151] Em seus primeiros dias de mandato, Obama emitiu decretos e memorandos presidenciais para que as Forças Armadas dos Estados Unidos desenvolvessem planos de retirada das tropas no Iraque.[152] Ele ordenou o fechamento da Prisão de Guantánamo, mas o Congresso impediu tal ato, recusando-se a apropriar dos recursos necessários e preveniu mover qualquer detento de Guantánamo para os Estados Unidos ou para outros países.[153][154][155] Com uma ordem executiva, reduziu o sigilo dado aos registros presidenciais, revogando a ordem executiva do presidente George W. Bush sobre esse assunto.[156] Ele também revogou a proibição da ajuda federal às organizações internacionais de planejamento familiar que desempenhavam ou forneciam aconselhamento sobre o aborto.[157][158]



Obama discursando em sessão conjunta do Congresso, em 24 de fevereiro de 2009. Atrás dele estão Biden e Nancy Pelosi.

Política interna


Política econômica


Obama assumiu a presidência diante de uma severa crise financeira global iniciada em 2007 e da subsequente Grande Recessão.[159][160] Em 17 de fevereiro de 2009, sancionou um pacote de estímulos de $787 bilhões, que aumentou os gastos federais para a saúde, infra-estrutura, educação, incentivos fiscais e assistência direta. As disposições fiscais da lei reduziram temporariamente os impostos para cerca de 98% dos contribuintes, levando as taxas de imposto para os seus níveis mais baixos em sessenta anos.[161][162] Obama pediu a aprovação de segundo grande pacote de estímulo em dezembro de 2009, mas nenhum grande segundo estímulo foi autorizado pelo legislativo.[163] Obama também lançou um segundo resgate a montadoras norte-americanas, possivelmente salvando a General Motors e a Chrysler da falência ao custo de $9,3 bilhões.[164] Para os proprietários em perigo de inadimplência de sua hipoteca devido a crise do subprime, Obama executou vários programas assistenciais.[165][166] As taxas de juros a curto prazo permaneceram perto de zero em grande parte da presidência de Obama, e a Reserva Federal não aumentou as taxas de juros até dezembro de 2015.[167]


Obama sancionando a Lei de Recuperação e Reinvestimento, em 17 de fevereiro de 2009.

Houve um aumento sustentado da taxa de desemprego durante a primeira parte de seu mandato, chegando a um pico de 10,1% em outubro de 2009.[168][169] O desemprego caiu no decorrer do tempo e, em outubro de 2015, estava em 5,1%.[170] Porém, a recuperação da Grande Recessão foi marcada por uma menor taxa de participação da força de trabalho, e os economistas atribuíram este acontecimento ao envelhecimento da população e as pessoas que permanecem estudando por mais tempo.[171] A recuperação também revelou a crescente desigualdade de renda, que o governo Obama destacou como um grande problema.[172][173] O salário mínimo federal aumentou para $ 7.25 por hora e, em seu segundo mandato, Obama advogou pelo aumento para $12 por hora.[174][175] O governo ampliou as condições para que mais trabalhadores recebam por horas extras, duplicando o salário mínimo acima da quantia que os empregadores estão isentos de pagar horas extras de US$ 23.660 anuais para US$ 47.476 anuais.[176]


Obama cumprimentando John Boehner, presidente da Câmara dos Representantes, durante o discurso sobre o Estado da União de 2011.

O crescimento do PIB voltou no terceiro trimestre de 2009, expandindo-se a um ritmo de 1,6%, seguido por um aumento de 5,0% no quarto trimestre. O crescimento continuou em 2010, apresentando um aumento de 3,7% no primeiro trimestre, com ganhos menores durante o restante do ano.[177] O PIB do país cresceu consistentemente cerca de 2% em 2011, 2012, 2013, 2014 e 2015.[170][178] Entretanto, a renda mediana das famílias caiu para US$ 53.600 em 2014, abaixo dos US$ 57.400 em 2007, pouco antes do início da Grande Recessão.[170]

A dívida do governo dos EUA cresceu substancialmente durante a Grande Recessão a medida que as receitas caíram, e Obama, em grande parte, evitou as políticas de austeridade seguidas por muitos países europeus.[179] A dívida do governo cresceu de 52% do PIB quando Obama assumiu o cargo em 2009 para 74% em 2014.[170] Depois de retomarem o controle da Câmara nas eleições de 2010, os republicanos exigiram cortes nos gastos em troca do aumento do teto da dívida, o limite estatutário sobre o montante total da dívida que o Tesouro pode emitir. A crise do limite de dívida de 2011 desenvolveu-se quando Obama e os congressistas democratas exigiram um aumento do teto da dívida que não incluísse cortes nos gastos.[180] Obama concordou em negociar com os republicanos, mas as negociações eventualmente entraram em colapso devido a diferenças ideológicas.[181][182] O Congresso aprovou uma legislação que elevou o teto da dívida, previu cortes de gastos domésticos e militares, e estabeleceu um comitê bipartidário para propor novos cortes. Como o comitê não chegou a um acordo, os cortes de gastos domésticos e militares conhecidos como "sequestro" entraram em vigor a partir de 2013.[183] Em outubro de 2013, com os republicanos e democratas incapazes de chegarem a um acordo, o governo fechou por duas semanas. Obama sancionou a lei que aumentou o teto da dívida, evitando assim um inédito calote.[184][185] Em 2015, o Congresso aprovou e Obama sancionou um projeto de lei que estabeleceu metas de gastos e suspendeu o limite da dívida até 2017.[186]

Reforma do sistema de saúde



Obama sancionando a Lei de Proteção e Cuidado ao Paciente, em 23 de março de 2010.

Obama sancionou em março de 2010 a Lei de Proteção e Cuidado ao Paciente, popularmente conhecida como Obamacare. A legislação proíbe as seguradoras de variar o preço dos planos com base no histórico clínico ou sexo, se recusar a assegurar um paciente muito caro, e exige que todos devem aderir a um plano de saúde.[187] Em 2016, o programa cobria aproximadamente 23 milhões de pessoas com seguro de saúde através de uma combinação de bolsas de saúde do estado e uma extensão do Medicaid.[188] A iniciativa reduziu a taxa de pessoas sem seguro de saúde de aproximadamente 16% em 2010 para 9% até 2015.[189]

Os democratas apoiaram esmagadoramente a lei, enquanto nenhum republicano na Câmara e apenas alguns no Senado votaram a favor.[162][190] Os republicanos, principalmente na Câmara do Representantes, tentaram revogar, difundir ou atrasar a reforma sessenta vezes durante o mandato de Obama, mas sem sucesso.[190] Os críticos ao Obamacare argumentam que a lei era uma tentativa de controlar excessivamente a vida privada das pessoas, aumentaria os custos dos planos de saúde e o déficit do país, e que era inconstitucional.[191][192] Em junho de 2015, a Suprema Corte decidiu por seis a três que a lei era constitucional.[193]


Obama encontrando-se com vítimas do massacre em Aurora em 2012.

Controle da venda de armas


Obama pediu a aprovação de medidas para controlar a venda de armas após vários tiroteios em massa, mas não conseguiu aprovar uma legislação importante neste sentido. Em 2009, quando os democratas controlavam tanto o Senado quanto a Câmara dos Representantes, Obama discutiu o restabelecimento da Proibição Federal de Armas de Assalto, mas na época não fez um forte esforço para sua aprovação.[194] Em janeiro de 2013, um mês após o tiroteio na escola primária de Sandy Hook, Obama assinou 23 ordens executivas para aumentar o controle de armas e delineou uma série de propostas abrangentes sobre o assunto, incluindo a proibição da compra de fuzis de assalto e de carregadores de alta capacidade, a verificação dos antecedentes dos compradores de armas, e a introdução de penas mais severas para traficantes de armas.[195][196][197]

Sem o apoio do Congresso para aprovar suas propostas, em parte devido ao poder de ativistas da Segunda Emenda e ao lobby da NRA, Obama anunciou em janeiro de 2016 novas ações executivas que estenderam os requisitos de verificação de antecedentes a mais vendedores de armas.[198][199] Em meados de 2016, ele reconheceu que sua "maior frustração" enquanto presidente foi a falta de avanço no controle de armas.[200]

Suprema Corte


Durante os dois primeiros anos de seu mandato, Obama nomeou duas mulheres para a Suprema Corte. Sonia Sotomayor foi confirmada pelo Senado em 6 de agosto de 2009, e Elena Kagan foi confirmada em 5 de agosto de 2010, elevando o número de mulheres na Corte para três, a maior composição feminina da história deste tribunal.[201][202] Em 2015, com a morte do juiz Antonin Scalia, Obama indicou Merrick Garland, mas a maioria republicana de senadores negou-se a considerar uma indicação do presidente.[203]

Energia e meio ambiente



Obama discursando em frente a painéis produtores de energia solar, em maio de 2009.

Em setembro de 2009, o governo propôs novos regulamentos para usinas de energia, fábricas e refinarias de petróleo, em uma tentativa de limitar as emissões de gases de efeito estufa e reduzir o aquecimento global.[204][205] A produção de energia cresceu em seu mandato, bem como a produção de petróleo, impulsionada em grande parte por investimentos privados em terras privadas, e o governo assumiu um papel amplamente neutro nesse desenvolvimento.[206] O governo Obama promoveu o crescimento da energia renovável, e a geração de energia solar triplicou durante seu mandato.[207][208] Com a explosão da plataforma Deepwater Horizon em abril de 2010, seu governo impôs as maiores multas aplicadas após crimes ambientais na história do país.[209] Em março de 2015, Obama vetou uma proposta que autorizava a construção do oleoduto Keystone X, alegando que este causaria danos nocivos ao meio ambiente.[210] Em setembro de 2016, os Estados Unidos ratificaram sua participação no Acordo de Paris.[211]


A Casa Branca iluminada com as cores da bandeira arco-íris no dia em que a Suprema Corte decidiu que o casamento entre pessoas do mesmo sexo era um direito fundamental.

Direitos LGBT


Em outubro de 2009, Obama sancionou uma lei que passou a considerar os crimes motivados por identidade de gênero ou orientação sexual como crime de ódio.[212] No final de 2010, revogou a política "Não pergunte, não conte", de 1993, que impedia que gays e lésbicas assumidos servissem nas Forças Armadas.[213] Em 9 de maio de 2012, Obama tornou-se o primeiro presidente no exercício de suas funções a declarar publicamente seu apoio pessoal a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo.[214] Em seu discurso de posse de 2013, ele pediu plena igualdade para os gays norte-americanos —a primeira vez que um presidente mencionou os direitos dos homossexuais ou a palavra "gay" em um discurso de posse.[215][216]

Em 2013, o governo Obama pediu para a Suprema Corte que se pronunciasse a favor de casais do mesmo sexo nos casos Hollingsworth v. Perry (sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo)[217] e United States v. Windsor (sobre a Lei de Defesa do Matrimônio).[218] Em abril de 2015, após a Suprema Corte decidir durante o julgamento do caso Obergefell v. Hodges que o casamento entre pessoas do mesmo sexo era um direito fundamental, Obama afirmou: "Esta decisão afirma o que milhões de americanos já acreditam em seus corações: Quando todos os americanos são tratados como iguais, somos todos mais livres."[219]


Obama visitando uma prisão federal de Nevada, em julho de 2015.

Reforma judicial e drogas


O governo Obama tomou algumas medidas para reformar o sistema de justiça criminal em um momento em que muitos em ambos os partidos sentiram que os EUA tinham ido longe demais na prisão de infratores da legislação antidrogas.[220] Seguindo uma diretiva do Departamento de Justiça, o governo Obama geralmente optou por não processar ou investigar pessoas que usaram maconha em estados que optaram por legalizá-la, apesar de qualquer uso de maconha permanecer ilegal sob a legislação federal;[221][222][223][224] entretanto, alguns liberais e libertários criticaram Obama por continuar ou mesmo expandir a guerra contra as drogas, particularmente no que diz respeito a maconha medicinal.[225][226] Para os anos finais de sua presidência, Obama priorizou a reforma do sistema penal, anunciando, em novembro de 2015, medidas que objetivavam a reinserção de presos e a redução da população carcerária.[227][228]

Recorrendo ao seu poder de perdão presidencial, Obama perdoou ou reduziu as penas de centenas de presos alegadamente não violentos, majoritariamente envolvidos com drogas, usando este poder para perdoar mais presidiários do que os últimos dez presidentes juntos.[229] Em 2016, o governo anunciou que buscaria eliminar gradualmente o uso de prisões privadas por considerá-las "injustas e punitivas."[230][231]

Imigração


Desde o início de seu mandato, Obama apoiou uma reforma imigratória abrangente, incluindo um caminho para que muitos imigrantes ilegais recebessem a cidadania. No entanto, Obama centrou-se em outros assuntos no decorrer do 111.º Congresso, de maioria democrata.[232] Ao final de tal Congresso, apoiou a aprovação do DREAM Act, que legalizaria jovens sem documentos que cumpriam determinados requisitos, como uma inscrição universitária ou nas Forças Armadas; o projeto foi aprovado pelos representantes, mas não conseguiu superar uma obstrução no Senado.[233] Em 2012, Obama implementou uma política que protegeu cerca de setecentos mil imigrantes ilegais da deportação; a política aplicou-se apenas para aqueles que foram trazidos ao país antes de completarem dezesseis anos.[234] Em 2014, Obama anunciou uma nova ordem executiva que protegeria outros quatro milhões de imigrantes ilegais da deportação, mas a medida foi derrubada pela justiça.[235][236] Apesar das ações executivas para proteger alguns indivíduos, as deportações de imigrantes ilegais continuaram. Um recorde de quatrocentos mil deportações ocorreu em 2012, embora o número de deportações caiu durante o segundo mandato de Obama.[237] Depois de ter aumentado desde 1990, o número de imigrantes ilegais que viviam nos Estados Unidos estabilizou em torno de 11,5 milhões de indivíduos durante a presidência de Obama, abaixo de um pico de 12,2 milhões registrado em 2007.[238]

Obama herdou uma guerra no Afeganistão, uma guerra no Iraque e uma "Guerra ao Terror" global lançada pelo presidente Bush após os ataques de 11 de setembro. Obama pediu um "novo começo" nas relações entre o mundo islâmico e os Estados Unidos, e descontinuou o uso do termo "Guerra ao Terror" em favor do termo "Operação de Contingência no Exterior."[239][240][241] Obama prosseguiu uma estratégia de "pegada leve" no Oriente Médio que enfatizava as forças especiais, ataques de drones, e diplomacia ao invés da ocupação de tropas terrestres.[242] No entanto, as forças norte-americanas continuaram a combater organizações militantes islâmicas como a Al-Qaeda, Estado Islâmico do Iraque e do Levante, e Al-Shabaab nos termos da Autorização para Uso da Força Militar Contra Terroristas, aprovada pelo Congresso em 2001.[243][244] Obama também defendeu a não proliferação nuclear e negociou com êxito acordos de redução de armas com o Irã e a Rússia.[245]

Em 2015, Obama descreveu a "Doutrina Obama", o termo utilizado para descrever seus princípios enquanto presidente na política externa, como "vamos nos engajar, mas preservamos todas as nossas capacidades."[246] Além disso, auto-descreveu-se como um internacionalista que rejeita o isolacionismo e é influenciado pelo realismo e pelo intervencionismo liberal.[247]

Iraque e Afeganistão


Durante a eleição presidencial de 2008, Obama criticou fortemente a Guerra do Iraque.[248] Ao assumir o cargo, ele anunciou que as forças de combate dos Estados Unidos deixariam o Iraque em agosto de 2010, com entre 35 a 50 mil soldados permanecendo como conselheiros e instrutores, abaixo dos aproximadamente 150 mil soldados norte-americanos no país no início de 2009.[249][250] Embora Obama tenha considerado deixar uma força de alguns milhares de soldados no Iraque para combater a al-Qaeda e apoiar o governo iraquiano, líderes iraquianos pediram que os soldados norte-americanos se retirassem de seu país.[251] Em meados de dezembro de 2011, apenas 150 soldados permaneceram para trabalhar na embaixada dos EUA.[252] Entretanto, os EUA iniciaram em 2014 sua campanha contra o Estado Islâmico (ou EI), e, em junho de 2015, havia 3.500 soldados norte-americanos servindo no Iraque como conselheiros das forças antiEI na guerra civil iraquiana.[253]

Enquanto Obama retirou tropas no Iraque, ele aumentou a presença militar dos EUA no Afeganistão no início de sua presidência. Em 2009, Obama anunciou que a presença militar dos EUA no Afeganistão seria reforçada em 17 mil novos soldados até o verão daquele ano.[254] Os secretários Robert Gates e Hillary Clinton, além do chefe do Estado-Maior Michael Mullen, defenderam mais tropas, e Obama despachou soldados adicionais após um longo processo de revisão.[255][256] O número de soldados norte-americanos no Afeganistão chegou ao seu ápice de 100 mil em 2010.[257] Em 2012, os EUA e o Afeganistão assinaram um acordo de parceria estratégica em que a principal operação de combate foi entregue às forças afegãs.[258][259] Em 2014, Obama anunciou que a maioria das tropas deixaria o Afeganistão até o final de 2016, com uma pequena força remanescente na embaixada dos EUA.[260] No início de 2015, o exército dos EUA terminou a Operação Liberdade Duradoura e começou a Missão Apoio Resoluto, em que passaram a desempenhar mais um papel de treinamento, embora algumas operações de combate continuaram.[261] Em outubro de 2015, Obama anunciou que soldados permaneceriam indefinidamente no Afeganistão para apoiar o governo afegão na guerra civil contra o Talibã, a Al-Qaeda e o Estado Islâmico.[262] Em julho de 2016, Obama informou que 8.400 soldados permaneceriam no Afeganistão até o final de seu mandato.[263]

O Irã e os EUA possuíam uma relação instável desde a Revolução Iraniana e a crise de reféns, e as tensões continuaram devido a questões como o programa nuclear iraniano e o alegado patrocínio iraniano ao terrorismo.[264] Em seu mandato, Obama focou em negociações com o Irã sobre o status de seu programa nuclear, trabalhando com os outros países do P5+1 para adotar um acordo multilateral.[265] A posição de Obama diferiu dramaticamente da posição mais agressiva de seu antecessor Bush, bem como das posições declaradas pela maioria dos rivais de Obama na campanha eleitoral de 2008.[266][267] Em junho de 2013, Hassan Rouhani venceu a eleição presidencial iraniana e pediu a continuação das conversações sobre o programa nuclear de seu país. Em novembro de 2013, o Irã e o P5+1 anunciaram um acordo provisório, e, em abril de 2015, os negociadores anunciaram que um acordo quadro havia sido alcançado.[268][269] Segundo os termos acordados, o Irã concordou em impor limites ao seu programa nuclear e fornecer acesso aos inspetores da Agência Internacional de Energia Atómica, enquanto os EUA e outros países concordaram em reduzir as sanções contra o Irã.[270] Enquanto Obama saudou os resultados das negociações como sendo um passo rumo a um mundo mais esperançoso, o acordo recebeu ampla oposição dos republicanos que, juntamente com o premiê israelense Benjamin Netanyahu, se opuseram fortemente às negociações e tentaram sem sucesso aprovar uma resolução no Congresso que o rejeitasse.[271][272][273]

Líbia


Quando os protestos antigovernamentais eclodiram em Benghazi, Líbia, em fevereiro de 2011, o governo de Muammar Gaddafi respondeu com força militar.[274] O governo Obama inicialmente resistiu aos apelos para tomar medidas duras, mas cedeu depois que a Liga Árabe solicitou a intervenção ocidental na Líbia.[275][276] Em março de 2011, a reação internacional à repressão militar de Gaddafi culminou em uma resolução da ONU para impor uma zona de exclusão aérea na Líbia. Obama autorizou a participação de militares norte-americanos nos ataques aéreos com o objetivo destruir as capacidades de defesa aérea do governo líbio para proteger os civis e impor uma zona de exclusão aérea.[277] A intervenção foi liderada pela OTAN, mas a Suécia e três nações árabes também participaram da missão.[278] Com o apoio da coalizão, os rebeldes tomaram Trípoli em agosto de 2011.[279] A campanha militar no país culminou na queda do regime de Gaddafi, mas a Líbia passou por turbulências internas, resultando em uma guerra civil iniciada em 2014.[280] A intervenção de Obama na Líbia provocou críticas de membros do Congresso e deu início a um debate sobre a aplicabilidade da Resolução dos Poderes de Guerra.[281] Em setembro de 2012, militantes islâmicos atacaram um complexo diplomático dos EUA em Benghazi, matando o embaixador Christopher Stevens e três outros norte-americanos.[282] Os republicanos criticaram fortemente a atuação do governo no ataque de Benghazi, e estabeleceram uma comissão na Câmara para investigar o ocorrido.[283]

Rússia



A primeira reunião entre Dmitry Medvedev e Barack Obama antes da cúpula do G20 em Londres, em 1 de abril de 2009.

Em 2009, Obama pediu por um "reinício" nas relações com a Rússia, que havia deteriorado-se com a guerra Russo-Georgiana de 2008.[284] Enquanto Bush havia conseguido a expansão da OTAN em antigos países do Bloco do Leste, Obama deu mais ênfase na criação de uma parceria de longo prazo com a Rússia.[285] Obama e o presidente russo Dmitry Medvedev trabalharam juntos em um novo tratado para reduzir e monitorar armas nucleares, a adesão da Rússia à Organização Mundial do Comércio e ações antiterrorismo.[284] Em 8 de abril de 2010, Obama e Medvedev assinaram o novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas, um importante acordo de controle de armas nucleares que reduziu os estoques de armas nucleares de ambos os países e estabeleceu um regime de monitoramento.[286] Em 2012, com a entrada da Rússia na OMC, Obama normalizou as relações comerciais com o país.[287]

No entanto, as relações EUA e Rússia declinaram quando Vladimir Putin retornou à presidência, em maio de 2012.[284] A intervenção da Rússia na Ucrânia em 2014 e a anexação da Crimeia no mesmo ano levaram a uma forte condenação por Obama e outros líderes ocidentais, que impuseram sanções aos líderes russos, contribuindo para uma crise financeira no país.[284][288][289] Alguns membros do Congresso de ambos os partidos também pediram para que os EUA armassem as forças ucranianas, mas Obama resistiu em tornar-se estreitamente envolvido na guerra Civil no Leste da Ucrânia, iniciada em abril de 2014.[290] Em 2016, após vários incidentes na segurança cibernética, o governo Obama acusou formalmente a Rússia de se engajar numa campanha para minar as eleições norte-americanas, e impôs sanções a algumas pessoas e organizações ligadas ao país.[291][292]


O presidente Obama, juntamente com os membros da equipe de segurança nacional, recebem atualizações sobre a Operação Lança de Netuno, em 1 de maio de 2011.

Osama bin Laden



O governo Obama lançou uma operação bem-sucedida que resultou na morte de Osama bin Laden, líder da al-Qaeda, responsável pelos ataques de 11 de setembro e vários outros ataques terroristas. Iniciando com informações recebidas em julho de 2010, a inteligência desenvolvida pela CIA ao longo dos próximos meses determinou o que eles acreditavam ser o esconderijo de bin Laden em Abbottabad, Paquistão.[293] O diretor da CIA, Leon Panetta, reportou essas informações a Obama em março de 2011.[293] Em uma reunião com seus assessores de segurança nacional ao longo das próximas seis semanas, Obama rejeitou um plano de bombardear o complexo, e autorizou um "ataque cirúrgico", que seria conduzido pela Navy SEALs, uma força de operações especiais da Marinha.[293] As reações ao anúncio da bem sucedida operação, ocorrida em 1 de maio de 2011 e que também resultou na apreensão de documentos, foram positivas em todas as linhas partidárias e em muitos países ao redor do mundo.[294][295][296][297]

Guerra civil síria


A Síria foi um dos países mais afetados pela Primavera Árabe, e na segunda metade de março de 2011 grandes protestos antigovernamentais estavam sendo realizados.[298] Apesar da Síria ter sido um adversário dos Estados Unidos há muito tempo, Obama argumentou que uma ação militar unilateral para derrubar o regime de Bashar al-Assad seria um erro.[299] Conforme os protestos continuavam, o país entrou em uma guerra civil prolongada, e os Estados Unidos apoiaram a oposição síria contra o regime de Assad.[300][301] As críticas dos EUA a Assad se intensificaram após o ataque químico de Ghouta em 2013, resultando eventualmente em um acordo apoiado pelos russos em que o governo sírio renunciou às suas armas químicas.[302] Em meio ao caos da guerra civil síria, um grupo fundamentalista conhecido como Estado Islâmico (EI) tomou o controle de grandes porções do país e do Iraque.[303] A partir de 2014, o governo Obama lançou ataques aéreos contra o Estado Islâmico e treinou militantes da oposição, enquanto continuava a se opor ao regime sírio.[301][302] A Rússia lançou sua própria intervenção militar para ajudar as forças de Bashar al-Assad, criando uma complicada múltipla guerra por procuração, embora norte-americanos e russos tenham cooperado no combate ao EI.[304] Em novembro de 2015, Obama anunciou um plano para reassentar pelo menos dez mil refugiados sírios nos Estados Unidos.[305]

Reaproximação com Cuba


O governo Obama buscou uma reaproximação diplomática com Cuba, país que os EUA havia embargado desde os anos 1960, após a Revolução Cubana e a Crise dos mísseis de Cuba. A partir da primavera de 2013, foram realizadas reuniões secretas entre ambos os países, com reuniões acontecendo em locais neutros como Canadá e Vaticano.[306] O Vaticano foi consultado inicialmente em 2013, quando o Papa Francisco aconselhou os países a trocarem prisioneiros como um gesto de boa vontade.[307] Em 10 de dezembro de 2013, o presidente cubano Raúl Castro, em um momento público significativo, apertou a mão e cumprimentou Obama durante o velório de Nelson Mandela.[308] Em dezembro de 2014, Cuba liberou Alan Gross em troca dos demais membros do Cinco cubanos.[307]

Obama ordenou no final de 2014 o restabelecimento de laços diplomáticos com Cuba. Ele afirmou que estava normalizando as relações porque o embargo econômico tinha sido ineficaz para persuadir Cuba a desenvolver uma sociedade democrática.[309] Em maio de 2015, Cuba foi retirada da lista produzida pelos EUA de países patrocinadores do terrorismo, e, em agosto do mesmo ano, os EUA e Cuba reabriram suas respectivas embaixadas.[310][311] Obama tornou-se, em março de 2016, o primeiro presidente dos EUA a visitar Cuba desde Calvin Coolidge.[312]

Pós-presidência



Barack e Michelle Obama na Casa Branca em 19 de janeiro de 2017.

A presidência de Obama se encerrou formalmente ao meio-dia de 20 de janeiro de 2017, com a posse do seu sucessor, o empresário republicano Donald Trump. Após a cerimônia de sucessão, Barack e Michelle Obama partiram no helicóptero Executive One, circularam a Casa Branca e depois foram para a Base Aérea de Andrews, onde embarcaram para uma viagem de férias.[313]

A família Obama se mudou para uma casa alugada em Kalorama, em Washington D.C.[314]

O Centro Presidencial Barack Obama será a biblioteca presidencial de Obama. É esperado que sua construção fique completa em 2020 e seja feita em Chicago.[315]

Imagem cultural e política



Imagem oficial do primeiro mandato de Obama, em 2009.

A história da família de Obama, o início da sua vida, a sua criação e educação na Ivy League diferem profundamente dos políticos afro-americanos que iniciaram suas carreiras na década de 1960 através da participação nos movimentos dos direitos civis.[316][317] Expressando perplexidade sobre perguntas se era "suficientemente negro", Obama disse durante uma reunião com a Associação Nacional dos Jornalistas Negros em agosto de 2007 que "ainda estamos presos nessa noção de que se você apelar para os brancos, então deve haver algo de errado."[318] Michael Eric Dyson, professor de Georgetown, era crítico e simpatizante da forma como Obama tratou da questão racial, indicando que seus discursos e ações sobre a disparidade racial e justiça foram um tanto relativos e relutantes quando, especialmente em seu segundo mandato, a violência racial exigiu uma ação presidencial imediata e diálogo.[319]

Obama é frequentemente referido como um orador excepcional.[320][321][322] Durante seu período de transição para a presidência e após assumi-la, fez uma série de discursos semanais em vídeo divulgados pela internet.[323] Obama também possui contas no Facebook, Twitter e Instagram.[324] Todas as suas contas, exceto uma no Facebook e outra no Twitter, são geridas por um projeto de organização comunitária que defende sua agenda.[325][326][327] Em maio de 2015, Obama entrou no Guiness ao conseguir um milhão de seguidores para sua nova conta pessoal no Twitter em menos de cinco horas.[328]


Obama respondendo a perguntas no Twitter, em 24 de maio de 2012.

De acordo com a Organização Gallup, Obama começou seu mandato com um índice de aprovação de 68%, diminuindo gradualmente durante o resto do ano, e chegando a 41% em agosto de 2010, uma tendência semelhante aos primeiros anos de mandato de Ronald Reagan e Bill Clinton.[329][330][331] Ele teve um pequeno salto de aprovação nas pesquisas logo após a morte de bin Laden, que durou até por volta de junho de 2011, quando esses números caíram de volta aos patamares que estavam antes da operação.[332][333][334] Seus índices de aprovação se recuperaram ao mesmo tempo em que foi reeleito, com as pesquisas mostrando uma aprovação média de 52% logo após sua segunda posse.[335] Apesar de sua aprovação ter caído para 39% no final de 2013 graças ao lançamento do Obamacare, ela subiu para 50% no final de janeiro de 2015, e, em novembro de 2016, estava em 56%.[336][337][338] Quando Obama deixou a presidência, em janeiro de 2017, seis em cada dez americanos aprovavam seu governo.[339]


Obama segurando o prêmio Nobel ao lado de Thorbjørn Jagland, presidente do Comitê do Nobel, em 10 de dezembro de 2009.

Obama ganhou o Grammy Awards de melhor álbum falado por sua versão em audiolivro de Dreams from My Father em fevereiro de 2006 e pelo The Audacity of Hope em fevereiro de 2008.[340][341] Em dezembro de 2008, a revista Time nomeou Obama como a Pessoa do Ano por sua candidatura e eleição histórica, descrevendo-o como "a marcha constante de realizações aparentemente impossíveis."[342] Em 2012, ganhou novamente o prêmio de Pessoa do Ano.[343] Em 2005 e em 2007, a revista Time também o incluiu na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo.[344][345] Na lista da Forbes das pessoas mais poderosas do mundo, Obama ficou na primeira colocação por três vezes—2009, 2011 e 2012—, ficando em segundo em 2010, quando foi passado pelo presidente chinês Hu Jintao, em 2013 e 2014 quando foi superado por Putin, e em terceiro em 2015, quando a premiê alemã Angela Merkel conquistou o segundo lugar, com Putin permanecendo em primeiro.[346][347][348]

Em 9 de outubro de 2009, o Comitê do Nobel Norueguês anunciou que Obama foi o vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 2009 pelos "extraordinários esforços para reforçar o papel da diplomacia internacional e a cooperação entre os povos."[349] Obama aceitou o prêmio em Oslo, Noruega, em 10 de dezembro de 2009, com "profunda gratidão e grande humildade."[350] A premiação atraiu uma mistura de elogios e críticas de líderes mundiais e figuras da mídia.[351][352] Obama foi o quarto presidente dos Estados Unidos a ser agraciado com o Prêmio Nobel da Paz e o terceiro durante seu mandato.[353] O Prêmio Nobel para Obama foi visto com ceticismo nos anos subsequentes, especialmente depois que o diretor do Instituto Nobel, Geir Lundestad, disse que a premiação não teve o efeito desejado.[



02 Dilma

Dilma Rousseff




Dilma Rousseff
Foto oficial de Dilma Rousseff.
Período
Vice-presidente
Antecessor(a)
Sucessor(a)
Período
Presidente
Antecessor(a)
Sucessor(a)
Período
Presidente
Luiz Inácio Lula da Silva
Antecessor(a)
Sucessor(a)
Período
Governador
Período
Governador
Período
Prefeito
Antecessor(a)
Jaime Oscar Silva Ungaretti
Sucessor(a)
Dados pessoais
Nome completo
Dilma Vana Rousseff
Nascimento
Nacionalidade
Progenitores
Mãe: Dilma Jane Silva
Pai: Pedro Rousseff
Cônjuge
Cláudio Galeno de Magalhães Linhares (1967-1969)
Carlos Franklin Paixão de Araújo (1969-2000)
Filhos
Paula Rousseff Araújo (procuradora do Trabalho)[2]
Partido
PDT (1980-2001)
PT (2001-presente)
Religião
Profissão
Assinatura



Este artigo faz parte de uma série sobre
Dilma Rousseff


Ministério de Minas e Energia

Ministério da Casa Civil

Conselho de administração da Petrobrás


Primeiro mandato
·          
Segundo mandato
·          
Geral

v  e

Dilma Vana Rousseff (Belo Horizonte, 14 de dezembro de 1947) é uma economista e política brasileira, filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT) e 36.ª presidente do Brasil, tendo exercido o cargo de 2011 até seu afastamento por um processo de impeachment em 2016.[3][4][5]

Nascida numa família da classe média alta, interessou-se pelo socialismo durante a juventude, logo após o Golpe Militar de 1964, ingressou então na luta armada de esquerda: pelo que se tornou membro do Comando de Libertação Nacional (COLINA) e posteriormente da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares) – ambas as organizações defendiam a luta armada contra o regime militar. Passou quase três anos em reclusão, de 1970 a 1972, primeiramente pelos militares da Operação Bandeirante (OBAN), tendo sofrido torturas, e posteriormente pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS).[6][7]

Reconstruiu sua vida no Rio Grande do Sul, onde, junto com Carlos Araújo, seu companheiro por mais de trinta anos, foi membro fundador(a) do Partido Democrático Trabalhista (PDT) e participou de diversas campanhas eleitorais. De 1985 a 1988, durante a gestão de Alceu Collares à frente da prefeitura de Porto Alegre, foi Secretária Municipal da Fazenda. De 1991 a 1993 foi presidente da Fundação de Economia e Estatística e foi Secretária Estadual de Minas e Energia entre os períodos de 1993 a 1994 e de 1999 a 2002, durante o governo de Alceu Collares e do sucessor Olívio Dutra. Em 2001 decidiu filiar-se no Partido dos Trabalhadores (PT).[6][8] Em 2002 participou da equipe que formulou o plano de governo de Luiz Inácio Lula da Silva para a área energética.

Durante o governo Lula, assumiu a chefia do Ministério de Minas e Energia e posteriormente da Casa Civil. Em 2010, foi escolhida pelo PT para concorrer à eleição presidencial,[9][6] cujo resultado de segundo turno, anunciado em 31 de outubro, tornou Dilma a primeira mulher a ser eleita para o mais alto cargo, o de chefe de Estado e chefe de governo em toda a história do Brasil. Em 26 de outubro de 2014 foi reeleita, novamente no segundo turno das eleições. Em 12 de maio de 2016, foi afastada de seu cargo por até 180 dias devido à instauração de um processo de impeachment[10] que fora movido contra ela.[11] Teve o mandato presidencial definitivamente cassado em 31 de agosto de 2016,[12][13] porém não perdeu o direito de ocupar outros cargos públicos.[14][15]

Dilma Vana Rousseff[7][16] é filha do advogado e empreendedor búlgaro naturalizado brasileiro Pedro Rousseff[nota 2] e da professora Dilma Jane Coimbra Silva.[18][19] Seu pai foi filiado ao Partido Comunista da Bulgária e frequentava os círculos literários na década de 1920.[8][20][21] Chegou ao Brasil no fim da década de 1930. Em sua terra natal, deixara sua esposa esperando um filho, Luben Russév (1929-2007), que afirmou que o pai deixara a Bulgária não por razões políticas, mas por causa da falência.[20][22][23] Pedro mudou-se para Buenos Aires e, anos depois, voltou ao Brasil, fixou-se em São Paulo e prosperou. Em uma viagem a Uberaba, conheceu Dilma Jane, de Nova Friburgo, professora de vinte anos criada no interior de Minas Gerais, onde seus pais eram pecuaristas. Casaram-se e fixaram residência em Belo Horizonte, onde tiveram três filhos: Igor, Dilma Vana e Zana Lúcia (falecida em 1976).[7][8][24] Pedro faleceu em 1962.[25]

De 1952 a 1954, cursou a pré-escola no colégio Izabela Hendrix e a partir de 1955 iniciou o ensino fundamental no Colégio Nossa Senhora de Sion (atual Colégio Santa Dorotéia), em Belo Horizonte.[7] Em 1964 prestou concurso e ingressou no Colégio Estadual Central (atual Escola Estadual Governador Milton Campos), ingressando na primeira série do clássico (ensino médio).[7] Nessa escola pública o movimento estudantil era ativo, especialmente por conta do recente golpe militar.[8] De acordo com ela, foi nessa escola que ficou "bem subversiva" e que percebeu que "o mundo não era para debutante".[26]

Atuação no COLINA


Em 1964, ingressou na Política Operária (POLOP), uma organização fundada em 1961, oriunda do Partido Socialista Brasileiro, onde militou.[7] Seus militantes logo viram-se divididos em relação ao método a ser utilizado para a implantação do socialismo: enquanto alguns defendiam a luta pela convocação de uma assembleia constituinte, outros preferiam a luta armada. Dilma ficou com o segundo grupo, que deu origem ao Comando de Libertação Nacional (COLINA).[6] Para Apolo Heringer, que foi dirigente do COLINA em 1968 e havia sido professor de Dilma na escola secundária, a jovem fez opção pela luta armada depois que leu Revolução na Revolução, de Régis Debray, filósofo e intelectual francês que na época havia se mudado para Cuba e ficara amigo de Fidel Castro. Segundo Heringer, "O livro incendiou todo mundo, inclusive a Dilma".[8]

Foi nessa época que conheceu Cláudio Galeno de Magalhães Linhares, cinco anos mais velho, que também defendia a luta armada. Casaram-se em 1967, apenas no civil, depois de um ano de namoro.[7][8] Segundo companheiros de militância, Dilma teria desenvoltura e grande capacidade de liderança, impondo-se perante homens acostumados a mandar. Não teria participado diretamente das ações armadas, pois era conhecida por sua atuação pública, contatos com sindicatos, aulas de marxismo e responsabilidade pelo jornal O Piquete. Apesar disso, aprendeu a lidar com armas e a enfrentar a polícia.[8]

Dilma e Galeno passaram a dormir cada noite em um local diferente, já que o apartamento em que moravam era também frequentado por um dos líderes do COLINA que fora preso. Precisaram voltar ao apartamento escondidos para destruir documentos da organização. Permaneceram algumas semanas em Belo Horizonte, tentando reorganizar o grupo. Em março, o apartamento foi invadido, porém nenhum documento interno da organização foi encontrado. Perseguidos na cidade, a organização ordenou que fossem para o Rio de Janeiro. A família de Dilma não conhecia o grau do seu envolvimento com essas atividades.[27] Nesta época, Dilma tinha 21 anos e concluíra o segundo ano de Economia.[8]

Era grande a quantidade de mineiros da organização no Rio, sem que houvesse infraestrutura para abrigar a todos. Dilma e Galeno ficaram um período na casa de uma tia de Dilma, que imaginava que o casal estava de férias. Mais tarde, ficaram num pequeno hotel e, a seguir, num apartamento, até Galeno ser enviado pela organização a Porto Alegre. Dilma permaneceu no Rio, onde ajudava a organização, participando de reuniões, bem como no transporte de armas e dinheiro. Nessas reuniões, conheceu o advogado gaúcho Carlos Franklin Paixão de Araújo, por quem se apaixonou e com quem viria a viver por cerca de trinta anos. Araújo era chefe da dissidência do Partido Comunista Brasileiro (PCB), e abrigara Galeno em Porto Alegre. A separação de Galeno e Dilma foi pacífica. Como afirmou Galeno, "naquela situação difícil, nós não tínhamos nenhuma perspectiva de formar um casal normal".[8]

Na VAR-Palmares


Dilma participou de algumas reuniões sobre a fusão do COLINA com a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), que acabou formalizada, originando a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares).[8] De acordo com um integrante de buscas da Operação Bandeirante (Oban), Dilma era a grande líder da organização clandestina VAR-Palmares. Usando vários codinomes, teria recebido epítetos superlativos dos relatórios da repressão, definindo-a como "um dos cérebros" dos esquemas revolucionários.[28] O Promotor de Justiça que denunciou a organização rotulou-a como sendo a "Joana d’Arc da subversão", por chefiar greves e assessorar assaltos a bancos,[29] que Dilma contesta, dizendo nada lembrar das tantas ações que lhe atribuiram.[30] O militante Darcy Rodrigues, braço direito de Carlos Lamarca, diz que ela era o elo de ligação entre os comandos nacional e regionais.[28]

Mesmo com grande quantidade de dinheiro, o VAR-Palmares não conseguiu manter a unidade. Durante um congresso em Teresópolis, entre agosto e setembro de 1969, teria havido grande divisão entre os "militaristas", focados na luta armada, e os "basistas", que defendiam um trabalho de massas. Dilma estava com o segundo grupo. Enquanto os primeiros se agruparam na VPR militarista, liderados por Lamarca, Dilma ficou no segundo grupo, a VAR-Palmares basista.[8]

Após a divisão, Dilma foi enviada a São Paulo, onde esteve encarregada de manter em segurança as armas que couberam a seu grupo. Evitando mantê-las em apartamentos sem a segurança necessária, ela e a amiga Maria Celeste Martins (décadas mais tarde, sua assessora na Casa Civil) mudaram-se para uma pensão simples na zona leste urbana, escondendo o arsenal debaixo da cama.[8]

Prisão



Foto da ficha de Dilma no Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) de São Paulo, registrada em janeiro de 1970.

Uma série de prisões de militantes conseguiu capturar José Olavo Leite Ribeiro, que encontrava-se três vezes por semana com Dilma. Conforme o relato de Ribeiro, após sofrer um dia de torturas, revelou o lugar onde se encontraria com outro militante, um bar na Rua Augusta. Em 16 de janeiro de 1970, obrigado a ir ao local acompanhado de policiais disfarçados, seu colega também foi capturado e, quando já se preparavam para deixar o local, Dilma, que não estava sendo esperada, logo chegou. Percebendo que algo estava errado, Dilma tentou sair do local sem ser notada. Desconfiados, os policiais a abordaram e encontraram-na armada. "Se não fosse a arma, talvez tivesse conseguido escapar", ressalta Ribeiro.[8]

Foi, então, levada para a Operação Bandeirante, no mesmo local onde cinco anos depois Vladimir Herzog perderia a vida. Foi torturada por vinte e dois dias com palmatória, socos, pau de arara e choques elétricos.[31] No meio militar, há quem veja o relato de Dilma com ironia e descrédito, especialmente quanto à possibilidade de alguém sobreviver a tanto tempo de tortura.[32] Posteriormente, Dilma denunciou as torturas em processos judiciais e a Comissão Especial de Reparação da Secretaria de Direitos Humanos do Estado do Rio de Janeiro aprovou pedido de indenização por parte de Dilma e de outras dezoito pessoas.[33]

Carlos Araújo foi preso em 12 de agosto de 1970. Durante o período em que Dilma esteve presa, Araújo teve um rápido romance com a atriz e então simpatizante da organização Bete Mendes. Ao ser preso, encontrou-se com Dilma em algumas ocasiões, nos deslocamentos relativos aos processos militares que ambos respondiam. Ficaram alguns meses no mesmo presídio Tiradentes, em São Paulo, inclusive com visitas íntimas, onde se reconciliaram, planejando restabelecerem a vida conjugal após a prisão.[8]

Dilma foi condenada em primeira instância a seis anos de prisão. Havendo cumprido três anos, o Superior Tribunal Militar reduziu, então, a condenação a dois anos e um mês. Teve também seus direitos políticos cassados por dezoito anos.[34] Seu nome estava numa lista, encontrada na casa de Carlos Lamarca, com presos a que se daria prioridade para serem trocados por sequestrados, mas nunca foi trocada e cumpriu a pena regularmente.[35]

Mudança para Porto Alegre


Dilma saiu do Presídio Tiradentes no fim de 1972, dez quilos mais magra e com uma disfunção na tireoide.[36] Havia sido condenada em alguns processos e absolvida noutros. Iniciou a recuperação da sua saúde no lar com sua família, em Minas Gerais. Algum tempo depois morou com sua tia em São Paulo e depois mudou-se para Porto Alegre, onde Carlos Araújo cumpria os últimos meses de detenção. Hospedou-se na casa do pai e mãe do companheiro Carlos Araújo, cuja localização lhe permitia avistar o presídio em que Araújo estava detido. Dilma visitava-o com frequência, levando jornais e até livros políticos, disfarçados de romances.[8][36]


Dilma segurando nos braços a filha recém-nascida Paula.

Punida por subversão, de acordo com o decreto-lei 477, ela havia sido expulsa da Universidade Federal de Minas Gerais e impedida de retomar seus estudos naquela universidade em 1973,[37] o que levou Dilma a prestar vestibular para economia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Ficou grávida em 1975 enquanto cursava a graduação e em março de 1976 nasceu sua única filha, Paula Rousseff Araújo. Sua primeira atividade remunerada, após sair da prisão, foi a de estagiária na Fundação de Economia e Estatística (FEE), vinculada ao governo do Rio Grande do Sul.[36] Graduou-se em 1977, não tendo participado ativamente do movimento estudantil.[37]

A sua militância política, desta vez dentro da legalidade, foi reiniciada no Instituto de Estudos Políticos e Sociais (IEPES), ligado ao então único partido legalizado de oposição, o Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Mesmo não tendo se filiado ao partido, Dilma organizava debates no instituto, que recebia palestras de intelectuais. Em 1976, Araújo e Dilma trabalharam na campanha a vereador de Glênio Peres, pelo MDB. Em novembro de 1977, o nome de Dilma foi divulgado no jornal O Estado de S. Paulo como sendo um dos 97 subversivos infiltrados na máquina pública em uma relação elaborada pelo então demissionário Ministro do Exército, Sílvio Frota, que classificou Dilma como "amasiada com o subversivo" Carlos Araújo. Com isso, foi exonerada da FEE, sendo, contudo, anistiada mais tarde.[36]

Carreira política


Com o fim do bipartidarismo, participou junto com Carlos Araújo dos esforços de Leonel Brizola para a recriação do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Após a perda da sigla para o grupo de Ivete Vargas, foi membro fundadora do Partido Democrático Trabalhista (PDT).[36] Araújo foi eleito deputado estadual em 1982, 1986 e 1990. Foi, também, por duas vezes, candidato a prefeito de Porto Alegre, perdendo para Olívio Dutra, em 1988, e Tarso Genro, em 1992. Dilma conseguiu seu segundo emprego na primeira metade dos anos 1980 como assessora da bancada do PDT na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.[



Secretária Municipal da Fazenda


Araújo e Dilma dedicaram-se com afinco na campanha de Alceu Collares à prefeitura de Porto Alegre em 1985. Eleito prefeito, Collares a nomeou titular da Secretaria Municipal da Fazenda, seu primeiro cargo executivo.[36] Na campanha do pedetista Aldo Pinto para o governo do estado em 1986, Dilma participou da assessoria.[36]

Dilma permaneceu à frente da Secretaria Municipal da Fazenda até 1988, quando se afastou para se dedicar à campanha de Araújo à prefeitura de Porto Alegre. Foi substituída por Políbio Bragae Braga conta que Dilma tentara convencê-lo a não assumir o cargo, aconselhando-o, então: "Não assume não, que isso pode manchar a tua biografia. Eu não consigo controlar esses loucos e estou saindo antes que manche a minha." Enquanto Collares lembra da gestão de Dilma como exemplo de competência e transparência, Políbio Braga discorda, lembrando que "ela não deixou sequer um relatório, e a secretaria era um caos".[36] No ano seguinte, em 1989, Dilma foi nomeada para o cargo de diretora-geral da Câmara Municipal de Porto Alegre, mas acabou sendo demitida do cargo pelo presidente da casa, vereador Valdir Fraga, porque chegava tarde ao trabalho. Conforme Fraga, "eu a exonerei porque houve um problema com o relógio de ponto".[36]

Secretária Estadual de Energia, Minas e Comunicações


Em 1990, Alceu Collares foi eleito governador, indicando Dilma para presidir a Fundação de Economia e Estatística (FEE). Permaneceu ali até fim de 1993, quando foi nomeada Secretária de Energia, Minas e Comunicações, sustentada pela influência de Carlos Araújo e seu grupo político.[36] Permaneceu no cargo até final de 1994, época em que seu relacionamento com Araújo chegou ao fim, abalado pela descoberta de um caso extraconjugal. Depois reconciliaram-se e permaneceram juntos até 2000, quando Dilma foi morar só em um apartamento alugado.[36]

Em 1995, terminado o mandato de Alceu Collares, Dilma afastou-se dos cargos políticos. Entre 1995 e 1996, teve uma curta experiência como micro-empresária vendendo produtos variados a baixos preços tabelados (os populares "um e noventa e nove") numa lojinha chamada Pão e Circo.[38], pouco depois retornaria à FEE, passando a ser editora da revista Indicadores Econômicos. Em 1998, o petista Olívio Dutra ganhou as eleições para o governo gaúcho com o apoio do PDT no segundo turno, e Dilma retornou à Secretaria de Minas e Energia. Conforme Olívio, "Eu já a conhecia e respeitava. E a nomeei também porque ela estava numa posição mais à esquerda no PDT, menos populista".[36]

Na sua gestão na Secretaria de Minas e Energia do governo Dutra, a capacidade de atendimento do setor elétrico subiu 46%,[36] com um programa emergencial de obras que reuniu estatais e empresas privadas. Em janeiro de 1999, Dilma viaja a Brasília e alerta as autoridades do setor elétrico de que, sem investimentos em geração e transmissão de energia, os cortes que o Rio Grande do Sul enfrentara no início de sua gestão ocorreriam no resto do país.[39] Na crise do apagão elétrico no final do governo Fernando Henrique Cardoso, os três estados da Região Sul não foram atingidos, não sendo imposto qualquer racionamento, pois não houve estiagem na região. Ainda assim, houve economia voluntária de energia e Dilma tentou obter compensação, como se concedia nas demais regiões. O governo federal não cedeu e Dilma conseguiu contemporizar junto à iniciativa privada gaúcha.[36]

Ministra de Minas e Energia



Dilma discursa durante cerimônia de lançamento do Programa Nacional de Biodiesel.

Dilma fez parte do grupo que elaborou os assuntos relacionados à área de minas e energia na plataforma do candidato Luiz Inácio Lula da Silva em 2002.[40] Ela havia sido convidada pelo físico e engenheiro nuclear Luiz Pinguelli Rosa, que coordenava as reuniões.[36] Para todos no grupo, estava evidente que Pinguelli seria o ministro de Minas e Energia, caso Lula vencesse a eleição em 2002.[36] Foi grande a surpresa quando Lula, eleito, escolheu Dilma para assumir a pasta.[36] Ao assumir o Ministério das Minas e Energia, também foi nomeada presidente do Conselho de Administração da Petrobras, cargo que exerceu até março de 2010.[41]

Dilma defendeu uma nova política industrial para o governo, fazendo com que as compras de plataformas pela Petrobras tivessem um conteúdo nacional mínimo. Argumentou que não era possível que uma obra de um bilhão de reais não fosse feita no Brasil.[42] As licitações para as plataformas P-51 e P-52 foram, assim, as primeiras no país a exigir um conteúdo nacional mínimo.[43]

Sua gestão no ministério foi marcada pelo respeito aos contratos da gestão anterior, como pelos esforços em evitar novo apagão, pela implantação de um modelo elétrico menos concentrado nas mãos do Estado e pela criação do programa Luz Para Todos.[36] Convicta de que investimentos urgentes em geração de energia elétrica deveriam ser feitos para que o país não sofresse um apagão já em 2009, Dilma travou um sério embate com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que defendia o embargo a várias obras, preocupada com o desequilíbrio ecológico que poderiam causar. José Dirceu, então Ministro-chefe da Casa Civil, teve que criar uma equipe de mediadores entre as ministras para tentar resolver as disputas.[44]

Ministra-chefe da Casa Civil



Dilma cumprimenta o presidente norte-americano Barack Obama durante encontro na Casa Branca.


Dilma e Lula durante cerimônia de lançamento do PAC da Habitação.

Em 20 de junho de 2005, o presidente Lula indicou Dilma para comandar o Ministério da Casa-Civil.[45] Assim, Dilma se tornou a primeira mulher a assumir o cargo na história do país.[46] José Dirceu, seu antecessor, saiu do ministério devido ao escândalo do mensalão, tendo sido posteriormente condenado.[47] Na época, alguns petistas criticaram a escolha, por considerarem Dilma com um perfil mais técnico e preferiam um nome mais político para a Casa Civil.[48] Franklin Martins, ex-guerrilheiro a se tornar ministro, afirmou que "Lula percebeu que ela fazia as coisas andarem."[36] Mais tarde, Dilma revelou a Gilberto Carvalho que a indicação foi uma surpresa muito maior do que quando fora indicada para a pasta de Minas e Energia.[36]

Segundo o jornal Zero Hora, o Consulado dos Estados Unidos em São Paulo encaminhou ao Departamento de Estado norte-americano, logo após a posse de Dilma na Casa Civil, um dossiê detalhado, traçando seu perfil, o passado como guerrilheira, gostos e hábitos pessoais e características profissionais, descrevendo-a como "técnica prestigiada e detalhista" e como uma pessoa com "fama de durona".[49][50]

Em virtude do escândalo dos cartões corporativos, surgido em janeiro de 2008, Dilma teve que se explicar após uma reportagem da revista Veja afirmar que o Palácio do Planalto montara um dossiê detalhando gastos da família Fernando Henrique Cardoso e que os documentos estariam sendo usados para intimidar a oposição na CPI dos Cartões Corporativos. Em entrevista coletiva em 4 de abril, reconheceu a feitura do banco de dados, mas descartou qualquer conotação política pertinente. As investigações da Polícia Federal concluíram que o responsável pelo vazamento foi um funcionário da Casa Civil, então subordinado de Erenice Guerra, que era secretária-executiva de Dilma e posteriormente sua sucessora na Casa Civil.[51] Ele enviou passagens do dossiê para um assessor do senador tucano Álvaro Dias, confirmando que o dossiê existiu.[52] Na época, a Casa Civil negou a existência do tal dossiê, apresentando, no intervalo de quinze dias, três versões diferentes sobre o assunto, todas depois desmentidas pela imprensa.[53]

Dilma era considerada pelo governo Lula a gerente do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Lula também a chamou de "mãe" do PAC, designando-a responsável pelo programa em todo o país e informando que a população deveria cobrar dela o andamento das obras.[54][55] Quanto ao ritmo das obras, Dilma alegou que o país não tem elevado grau de eficiência, como a Suíça, mas estava conseguindo acelerar os maiores projetos.[56]

Em abril de 2007, Dilma já era apontada como possível candidata à presidência da República na eleição de 2010.[57] Naquele mesmo ano, o presidente Lula passou a dar destaque a então ministra com o objetivo de testar seu potencial como candidata.[58] Em abril de 2009, Lula afirmou que "Todo mundo sabe que tenho intenção de fazer com que Dilma seja candidata do PT e dos partidos, mas se ela vai ganhar vai depender de cada brasileiro".[59] Para cumprir com a lei eleitoral de desincompatibilização, Dilma deixou o Ministério da Casa-Civil em 31 de março de 2010, sendo sucedida por Erenice Guerra.[60]

A Convenção Nacional do Partido dos Trabalhadores, realizada em Brasília no dia 13 de junho de 2010, oficializou Dilma como a candidata do partido à presidência, bem como oficializou o então presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, como seu vice.[61] A coligação de Dilma e Temer recebeu o nome de Para o Brasil seguir mudando e foi composta por dez partidos.[62] Em seu discurso de aceitação como candidata, declarou: "Não é por acaso que depois desse grande homem o Brasil possa ser governado por uma mulher, uma mulher que vai continuar o Brasil de Lula, mas que fará o Brasil de Lula com alma e coração de mulher".[63]

O mote da campanha petista foi a continuidade do governo Lula.[64] Até então desconhecida por grande parte do eleitorado, Dilma passou a liderar a corrida pela sucessão presidencial no final de junho.[65] Ela foi beneficiada pela aprovação recorde do governo Lula, que atingiu patamares superiores aos 80%.[66][67][68] O presidente engajou-se pessoalmente na campanha, participando de vários comícios, gravando para a propaganda eleitoral e declarando apoio à candidata repetidas vezes.[69][70] O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) interpretou algumas dessas declarações como propaganda eleitoral antecipada, multando-os diversas vezes.[71][72]


Dilma após votar em Porto Alegre nas eleições de 2010.

Algumas pesquisas de opinião indicavam que Dilma poderia vencer a eleição já no primeiro turno.[73][74] Ela chegou a atingir mais de 30% de diferença em relação a José Serra, candidato do PSDB.[75] Após a divulgação pela imprensa das suspeitas de tráfico de influência no Ministério da Casa-Civil envolvendo a ministra Erenice Guerra, ex-secretária executiva e braço direito de Dilma, as pesquisas passaram a indicar uma migração de votos da petista para Marina.[76][77] Também contribuiu para sua queda nas pesquisas a questão da descriminalização do aborto, em que seus opositores afirmavam que Dilma seria favorável ao aborto, embora ela tenha negado ter esta posição.[78][79]

Em 3 de outubro, Dilma obteve 46,91% dos votos válidos, classificando-se para o segundo turno com Serra, que atingiu 32,61%.[80] Marina Silva, candidata do PV, conquistou 19,33% dos votos, tirando da petista a vantagem que a elegeria no primeiro turno, como tinha sido apontado inicialmente pelos institutos de pesquisas.[81]

No segundo turno, Marina optou por não declarar apoio a nenhum dos dois candidatos.[82] Dilma manteve a vantagem sobre Serra nas pesquisas de opinião.[83] Em 31 de outubro, ela obteve 55 752 529 votos (56,05%), elegendo-se a primeira mulher presidente do Brasil.[84][85] Em seu discurso de vitória, destacou o papel das mulheres e agradeceu o apoio do presidente Lula.[86] Sua vitória teve grande repercussão na imprensa internacional, que destacou o ineditismo por ser a primeira presidente e o peso de seu padrinho político.[87]

Primeiro mandato, 2011—2014



A recém-empossada presidente Dilma Rousseff vestindo a faixa presidencial, em 1º de janeiro de 2011.

Dilma foi empossada como a 36ª presidente do Brasil em 1º de janeiro de 2011.[88] Em seu discurso de posse, prometeu erradicar a pobreza e mudar o sistema tributário.[89] Antes mesmo de assumir o cargo, afirmou preferir ser tratada como "presidenta", mas desde sua eleição não houve posicionamento oficial a respeito do tema, o que gerou certa confusão.[90][91] Embora a norma culta do Português estabeleça "presidente" como comum de dois gêneros, os dicionários mais importantes também registram, acompanhado quase sempre das devidas ressalvas, o termo "presidenta" [92] [93], e os meios de comunicação não estabeleceram qualquer padronização, sendo usado desde então tanto "a presidente" quanto "presidenta" em referência à Dilma Rousseff.[94][95]

Em 14 de janeiro de 2011, Dilma visitou as áreas atingidas pelas enchentes e deslizamentos de terra no Rio de Janeiro e liberou 100 milhões de reais para ações de socorro e assistência.[96][97] No início de fevereiro, fez a primeira viagem internacional, escolhendo a Argentina como destino.[98] No mesmo mês, anunciou um corte de 50 bilhões de reais nas despesas previstas pelo Orçamento Geral da União para 2011 e fez seu primeiro pronunciamento transmitido em rede nacional de rádio e televisão.[99][100] Em março, recebeu a visita do presidente norte-americano Barack Obama, com quem assinou acordos de cooperação.[101] Em abril, decretou luto oficial de três dias pelo Massacre de Realengo e declarou que o país estava unido em repúdio à violência.[102][103]


Dilma e Cristina Kirchner, presidente da Argentina, durante sua primeira viagem internacional.

Em seu discurso de abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas em 21 de setembro, defendeu o Estado Palestino ao dizer que "chegou o momento" daquele país se tornar um membro pleno da ONU. Dilma também exaltou o papel das mulheres na política, declarando: "Pela primeira vez na história das Nações Unidas, uma voz feminina inaugura o debate geral: é a voz da democracia".[104][105] Em novembro, sancionou a lei que instituiu a Comissão Nacional da Verdade e a Lei de acesso à informação, regulamentando o direito do acesso à informações públicas.[106][107]

Em seu primeiro ano de mandato, sete ministros foram substituídos.[108] Os ministros Antonio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes), Wagner Rossi (Agricultura), Pedro Novais (Turismo), Orlando Silva (Esporte) e Carlos Lupi (Trabalho) demitiram-se após denúncias de corrupção.[109][110] Nelson Jobim, então ministro da Defesa, pediu demissão após classificar o governo Dilma como "atrapalhado".[111]

Em fevereiro de 2012, o governo federal leiloou os aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília.[112] As concessionárias vencedoras irão administrar os aeroportos durante o prazo de concessão, que varia de vinte a até trinta anos. O governo arrecadou 24 bilhões de reais com os leilões.[113] Também foram, posteriormente, concessionados para a iniciativa privada trechos de rodovias e ferrovias federais.[114][115]


Dilma discursa durante abertura da Rio+20, 20 de junho de 2012.

Em maio de 2012, anunciou, em rede nacional de televisão, a criação do programa Brasil Carinhoso, com o objetivo tirar da miséria absoluta todas as famílias com integrantes de até quinze anos.[116][117] No mês seguinte, ela sancionou a Lei nº 12 677, que criou mais de setenta mil cargos a serem preenchidos até 2014 na área educacional[118] e, em agosto, sancionou a lei que destina metade das vagas em universidades federais para estudantes de escolas públicas.[119]

Dilma manteve um alto índice de aprovação nos dois primeiros anos de seu mandato.[120] Neste período, a aprovação do governo nunca foi inferior a 48% de ótimo ou bom e sua avaliação pessoal atingiu a casa dos 70% diversas vezes.[121][122][123] Estes índices deram-lhe um início de mandato com melhor aprovação do que comparado ao mesmo período dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso.[124]

Em seu primeiro pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão do ano de 2013, anunciou uma redução na conta de luz e declarou que "ao mesmo tempo, com a entrada em operação de novas usinas e linhas de transmissão, vamos aumentar em mais de 7% nossa produção de energia e ela irá crescer ainda nos próximos anos".[125] Em março, anunciou a desoneração de impostos federais sobre a cesta básica com o objetivo de reaquecer a economia.[126]


Pronunciamento de Dilma em 21 de junho de 2013 sobre os protestos gerais.

Em junho de 2013, em meio à histórica onda de protestos da população que se espalharam por todo País sobre insatisfação relacionada aos Poderes Executivo e Legislativo, aliada a questões sobre condições de saúde, educação e segurança, geraram a maior queda na popularidade de Dilma, que foi de 55% para 31% de ótimo ou bom. Esta foi uma das maiores quedas de popularidade registradas na avaliação do governo federal desde Fernando Collor.[127] A onda de protestos também atingiu negativamente a popularidade de governadores, prefeitos, deputados e da maioria dos partidos do país.[128][129] Em 21 de junho de 2013, um dia após a maior manifestação registrada nessa onda de protestos, Dilma cancelou uma viagem que faria ao Japão e convocou uma reunião de emergência.[130] No mesmo dia, foi gravado um pronunciamento presidencial, que foi transmitido na mesma noite.[131] Neste pronunciamento, Dilma anunciou a criação de cinco pactos e uma proposta de plebiscito para constituinte da reforma política.[132]

Em setembro de 2013, documentos do Governo dos Estados Unidos classificados como ultrassecretos vazaram, revelando que Dilma e seus principais assessores, além de grandes empresas como a Petrobrás, foram espionados pelo governo norte-americano.[133] Em 17 de setembro, Dilma cancelou a viagem oficial que faria aos EUA naquele ano.[134] Em 24 de setembro, a presidente discursou na Assembleia Geral da ONU, onde declarou que a espionagem fere a soberania e o direito internacional.[135] Ela classificou as denúncias como uma "grave violação dos direitos humanos e das liberdades civis" e uma "afronta aos princípios que devem guiar as relações entre os países".[136] Em fevereiro de 2015, uma reportagem do The New York Times afirmou que os programas de espionagem da NSA no Brasil e no México continuaram mesmo após as revelações ao público e o estremecimento das relações bilaterais.[137]


Dilma dá o "pontapé inicial" da Arena Castelão, 20 de janeiro de 2013.

Em 21 de outubro de 2013, foi leiloado o Campo de Libra, considerado o maior campo de petróleo da Camada pré-sal.[138][139] Naquele mesmo dia, a presidente Dilma fez um pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão negando que o leilão significava a privatização do petróleo brasileiro. Segundo ela, "o Brasil é – e continuará sendo – um país aberto ao investimento, nacional ou estrangeiro, que respeita contratos e que preserva sua soberania. Por tudo isso, o leilão de Libra representa um marco na história do Brasil".[140]

Em 27 de abril de 2014, sancionou o Marco Civil da Internet, que estabeleceu obrigações e direitos dos provedores de internet.[141] Dilma discursou no fórum global NETmundial, realizado naquele mês, afirmando: "Esse foi um processo virtuoso que nós levamos no Brasil. O nosso Marco Civil também foi valorizado pelo processo de sua construção. Por isso, gostaria de lembrar que ele estabelece princípios, garantias e direitos dos usuários."[142]

Em 10 de junho de 2014, dois dias antes do início da Copa do Mundo FIFA, Dilma pronunciou-se em rede nacional de televisão sobre o evento. No pronunciamento, a presidente defendeu o legado da Copa, declarando: "No jogo, que começa agora, os pessimistas já entram perdendo. Foram derrotados pela capacidade de trabalho e a determinação do povo brasileiro, que não desiste nunca".[143] Entre junho de 2013 até a realização da Copa, vários protestos ocorreram contra a realização do evento no país.[144] Os manifestantes denunciavam gastos excessivos de verbas públicas para construção de estádios e estruturas, a isenção de impostos a Federação Internacional de Futebol (FIFA), o padrão dos serviços públicos comparados ao evento e alegações de corrupção.[145][146][147][148] Dilma também foi alvo dos protestos por, pelo menos, duas vezes: em seu discurso de abertura da Copa das Confederações FIFA de 2013, recebeu muitas vaias da plateia;[149] ao entregar a taça de campeã para a Alemanha, foi novamente vaiada pela torcida.[150]

Candidatura presidencial em 2014




Dilma durante campanha em outubro de 2014, em Porto Alegre.

A avaliação do governo e sua avaliação pessoal tiveram uma grande queda após os protestos de junho de 2013.[151][152] Porém, os levantamentos continuaram apontando seu favoritismo na disputa eleitoral que aproximava-se.[153] Durante o ano de 2014, ocorreram várias denúncias relacionadas à Petrobras na Operação Lava Jato, envolvendo políticos e empreiteiras.[153] A presidente também enfrentou críticas relacionadas à condução da política econômica.[153] O crescimento médio do Produto Interno Bruto (PIB) atingiu os mais baixos níveis desde o governo Fernando Collor e a inflação acumulada ficou acima do limite estipulado pelo governo.[154][155]

Alguns setores do Partido dos Trabalhadores deram vida ao movimento "Volta, Lula". O movimento defendia que Dilma fosse substituída pelo ex-presidente Lula como o candidato do partido.[156][157] O ex-presidente negou a intenção de ser candidato e declarou apoio à reeleição de Dilma.[158] Na convenção nacional do Partido dos Trabalhadores, realizada no dia 21 de junho de 2014, o partido oficializou a candidatura de Dilma à reeleição, tendo novamente Michel Temer (PMDB) como candidato a vice-presidente.[159][160]


Debate entre Dilma e Aécio no SBT em 16 de outubro de 2014. A eleição presidencial de 2014 foi a mais acirrada desde a redemocratização.[161]

No início da campanha, as pesquisas eleitorais indicavam que o senador mineiro Aécio Neves, candidato do PSDB, seria seu principal adversário.[162] O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, do PSB, apresentava-se como um candidato de terceira via.[162] Em 13 de agosto de 2014, Campos morreu em um acidente aéreo na cidade de Santos.[163] A morte de Campos, seguida da ascensão de Marina Silva como candidata, alterou o quadro eleitoral.[164] Marina ultrapassa Aécio nas pesquisas e assume o segundo lugar, com vantagem em relação à Dilma nos cenários de segundo turno.[165] Porém, Aécio passa a crescer gradativamente nas pesquisas, assim como Marina começa a cair, em grande parte devido aos ataques que recebeu e às polêmicas que se envolveu.[166][167] Nas vésperas do primeiro turno, as pesquisas indicavam que o segundo turno seria realizado entre Dilma e Aécio, que estava em empate técnico com Marina, mas com tendência de alta.[168]

Em 5 de outubro, dia do primeiro turno da eleição, Dilma votou em Porto Alegre e ainda pela manhã seguiu para Brasília para acompanhar a apuração dos votos.[169] Com 41,59% dos votos válidos, Dilma foi a mais votada em quinze estados.[170] Nenhum dos candidatos obteve a maioria dos votos válidos, sendo então convocado pelo Tribunal Superior Eleitoral um segundo turno entre Dilma e Aécio, que foi o segundo colocado com 33,55%.[171] A terceira colocada na disputa, Marina Silva, ficou com 21,32% e declarou apoio a Aécio.[172]


Dilma é reeleita presidente da República, 26 de outubro de 2014.

Nas três semanas de disputa direta entre Dilma e Aécio, os debates e as críticas concentraram-se na corrupção e na economia.[173] Aécio explorou as investigações da Operação Lava Jato, enquanto Dilma afirmava que a oposição tentava dar um golpe ao explorar o caso e que a Polícia Federal tinha independência para investigar.[174] Na economia, Dilma insistiu que o retorno do PSDB ao comando do país seria uma "volta ao passado" e criticou o governo Fernando Henrique Cardoso repetidas vezes.[173][175] Nas duas últimas semanas, os ataques se intensificaram nas propagandas, em debates televisionados e nos atos de campanha.[176] Uma semana antes da votação, o ministro Dias Toffoli decidiu reduzir o tempo de propaganda eleitoral de ambos os candidatos, em decorrência de violações cometidas por eles.[177]

As pesquisas iniciais do segundo turno indicaram Aécio e Dilma empatados tecnicamente, mas com vantagem numérica do tucano.[178] Na última semana de campanha, a petista passa a liderar numericamente, mas o empate técnico persistia.[177] Praticamente repetindo o ritual do primeiro turno, Dilma votou de manhã em sua seção eleitoral na capital gaúcha e seguiu para a capital federal para acompanhar a apuração dos votos.[179] Sua reeleição foi anunciada às 20h27min de 26 de outubro, quando 98% das urnas já haviam sido apuradas.[180][181][182] Ela recebeu 54 501 118 votos (51,64% dos votos válidos), contra os 51 041 155 votos (48,36%) a favor de Aécio.[183] No discurso de vitória, Dilma pediu união, prometeu diálogo e negou que o país estaria "dividido".[184] Esta foi a eleição presidencial mais acirrada em trinta anos e considerada por cientistas políticos uma das mais "ofensivas" da história política brasileira.[185][186]

Em retrospecto, um editorial divulgado pelo O Estado de S. Paulo em março de 2016 afirmou que a campanha de Dilma em 2014 foi "baseada no medo e em mentiras de todo o tipo," o que, segundo o jornal, fez com que a presidente fosse reeleita "para levar o país a um dos mais calamitosos períodos recessivos de sua história e a uma aguda crise política e moral."[187]

Segundo mandato, 2015—2016



Dilma Rousseff sendo empossada para o seu segundo mandato.

Em 1º de janeiro de 2015, Dilma foi empossada para o seu segundo mandato na presidência da República.[188] Ela iniciou seu segundo mandato enfraquecida e em meio a uma crise econômica e política.[189][190] Desde então, o governo, em busca de construção da austeridade fiscal, vem tomando medidas impopulares, como novas regras mais rígidas para aposentadorias, o aumento da luz e da gasolina, cortes bilionários em todas as áreas e aumento de impostos.[191][192][193][194][195] No início de fevereiro, a popularidade da presidente Dilma caiu de 42% para 23%, a avaliação mais baixa de um governo federal desde dezembro de 1999.[196]

Em 8 de março, durante o discurso da presidente em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, em várias cidades brasileiras ocorreram manifestações de desaprovação em forma de "panelaço".[197] No dia 15, simpatizantes da presidente realizaram uma manifestação de apoio denominada "coxinhaço", numa referência aos opositores do governo, os assim denominados "coxinhas" por alguns governistas.[198][199] Entretanto, a insatisfação social com os problemas na administração nacional, a crise econômica e, denúncias de corrupção, levaram a um apoio maciço aos protestos contra o governo Dilma marcados para aquele mesmo dia. Enquanto alguns manifestantes clamavam pela renúncia da presidente, outros pediam uma intervenção da forças armadas e, 19 pedidos para seu impeachment já haviam sido feitos, a maioria solicitados por cidadãos.[200] De forma geral, as manifestações transcorreram de forma pacífica mas, alguns atos de violência foram registrados, como um ataque contra a sede do PT da cidade de Jundiaí.[201] Os protestos foram realizados ao longo do dia em várias cidades por todo o país.[202] Brasileiros que residem no exterior também protestaram no Reino Unido, Estados Unidos, Austrália e Portugal.[203] O governo foi surpreendido com o apoio popular e a escala das manifestações de protesto[204] e, só na cidade de São Paulo, estima-se que houve a participação de um milhão de pessoas, embora outras projeções estimaram em 200 000 participantes.[205]


Dilma Rousseff concede entrevista coletiva no Palácio do Planalto em 16 de março de 2015, em resposta aos protestos ocorridos no dia anterior.

No dia 18 de março, conforme promessa de campanha,[206] o governo envia ao congresso uma série de medidas contendo mudanças objetivando fortalecer a legislação para combater à corrupção no executivo, legislativo e judiciário como também objetivando melhor transparência no setor privado. Em declaração Dilma ressaltou que se precisa desconstruir o estigma de que "brasileiro quer levar vantagem em tudo" e disse que a impunidade tem sido a causa mater da reprodução da corrupção na cultura brasileira: “Não pretendemos esgotar a matéria, mas evidenciar que estamos no caminho correto. [As medidas] fortalecem a luta contra a impunidade que é, talvez, o maior fator que garante a reprodução da corrupção”. Entre as medidas tem o projeto de lei que exige Ficha Limpa para todos os servidores públicos nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e o decreto de regulamentação da Lei anticorrupção.[207]

Pesquisas de aprovação realizadas em março de 2015 indicaram uma nova queda na popularidade da presidente. De acordo com o Datafolha, 62% consideram o governo Dilma ruim ou péssimo e 13% ótimo ou bom.[208] Estes números deram a Dilma os piores índices de aprovação para um(a) presidente da República em mais de vinte anos.[209] Segundo a CNT/MDA, a avaliação positiva do governo Dilma caiu para 10,8%, a menor desde 1999. O índice de reprovação do governo foi de 64,8% e 77,7%, reprovando o desemprenho pessoal da presidente.[210] Em 12 de abril, novos protestos foram feitos contra o governo da presidente Dilma. Desta vez, o número de manifestantes foi estimado entre 696.000 a 1.500.000.[211]

No final de maio, o governo anunciou o maior corte no orçamento da história do país, estimado em quase setenta bilhões de reais.[212] Os maiores cortes foram feitos nos ministérios das cidades (R$ 17,2 bilhões), saúde (R$ 11,7 bilhões), educação (R$ 9,4 bilhões), transportes (R$ 5,7 bilhões) e defesa (R$ 5,6 bilhões).[213] Em setembro, a equipe econômica do governo propôs a volta da CPMF,[214] proposta que a presidente havia declarado ser contrária em 2010, quando candidata à presidência da República e em 2011, já ocupando o cargo, quando chamou a CPMF de "engodo".[215] A reedição do imposto passou a sofrer críticas pelos partidos de oposição e por federações industriais como a Fiesp, para não passar pelo Congresso Nacional.[216][217]

Em 5 de outubro de 2015 institui por decreto a Comissão Especial de Reforma do Estado com o objetivo de propor aos órgãos competentes medidas para aumentar a eficiência na gestão pública e reduzir custos, por meio, de revisão da estrutura organizacional do Poder Executivo federal; eliminação de sobreposição de competências; fomento à inovação e à adoção de boas práticas na gestão pública federal e aprimoramento dos instrumentos de governança, transparência e controle da administração pública federal.[218]


Dilma durante a cerimônia de posse de Lula como ministro de Estado, em 17 de março de 2016.

No início de março de 2016, em meio a operação da Polícia Federal e outras investigações em curso contra Lula, Dilma ofereceu-lhe um ministério como forma de evitar sua prisão e passar a ter foro privilegiado, o que faria com que os processos fossem movidos para o STF.[219][220][221] O ex-presidente inicialmente, no entanto, resistia à ideia.[222][223]

Em 13 de março de 2016, manifestações populares ocorridas em todas as regiões do país levaram mais de três milhões de pessoas às ruas para demandar o fim da corrupção e a saída da presidente de seu cargo. Este protesto contra Dilma constituiu-se na maior manifestação popular da história do país.[224][225][226]

No dia 16 de março de 2016, Dilma nomeou Lula ministro da Casa Civil. O juiz de primeira instância, Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, grampeou com autorização da justiça o telefone do investigado Lula. Sites pró-governo suspeitam que o telefone poderia ser de Dilma.[227][228] A justiça retirou o sigilo das interceptações em razão do teor do diálogos;[229] um destes diálogos entre Dilma e Lula gerou dúvidas de se a presidente estava tentando obstruir a justiça ao nomear Lula para o ministério.[230][231][232] [233] O ato foi considerado ilegal e crime constitucional por uma parte dos juristas.[234][235] O ministro do STF, Gilmar Mendes, disse que as gravações foram absolutamente legais.[236] Moro afirmou que: "pelo teor dos diálogos gravados, constata-se que o ex-presidente já sabia ou pelo menos desconfiava de que estaria sendo interceptado pela Polícia Federal, comprometendo a espontaneidade e a credibilidade de diversos dos diálogos." Mas ele ressaltou, porém, "que não há nenhum indício nas conversas, ou fora delas, de que as pessoas citadas tentaram, de fato, agir "de forma inapropriada".[237] O teor do diálogo foi suficiente para levar parte da população pró-impeachment às ruas espontaneamente pedir a renúncia da Presidente.[238][239] Em 17 de março de 2016, no dia da posse de Lula como ministro, um juiz federal suspendeu por meio de liminar os efeitos da nomeação.[240]

Em abril de 2016, durante o segundo mandato de Dilma, uma pesquisa realizada entre os leitores da revista americana Fortune apontou a Presidente como a líder mais "decepcionante" do mundo.[241]

Impeachment



Dilma discursando em sessão conjunta do Congresso Nacional, em fevereiro de 2016.

Em 2 de dezembro de 2015, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, acolheu um dos pedidos de impeachment contra Dilma, protocolado na Câmara pelos juristas Hélio Bicudo, Janaina Paschoal e Miguel Reale Júnior. No dia seguinte, Cunha autorizou formalmente a criação de uma Comissão Parlamentar Especial, com 65 deputados, sendo proporcional à bancada de todos os partidos políticos representados, a comissão foi responsável pela elaboração de um parecer pela admissibilidade da abertura do processo.[242] A Folha de S.Paulo avaliou o gesto de Cunha como uma "retaliação" contra o partido da presidente da República.[242] Por sua vez, Cunha afirmou que o governo Dilma negociou com seus aliados para trocar os votos do PT a favor do mesmo no processo de cassação movido contra ele no Conselho de Ética, pela aprovação da CPMF e arquivamento dos pedidos de impeachment.[243]

Devido ao recesso parlamentar e as ações de deputados impetradas no Supremo Tribunal Federal com o objetivo de decidir formalmente o rito do processo somente em 17 de março de 2016, a Câmara elegeu, por votação aberta, os 65 integrantes da comissão especial que analisaria o pedido de impeachment contra Dilma Rousseff. Houve 433 votos a favor e apenas um contrário.[244] Em 11 de abril, a comissão especial, com 38 votos a favor e 27 contra, aprovou o parecer do relator, que defendia a admissibilidade do processo de afastamento da presidente.[245] O parecer elaborado pelo deputado Jovair Arantes seguiu para apreciação pelo plenário da Casa.[246]

Em março de 2016, o porta-voz do escritório da ONU Rupert Colville assinou uma nota em que mencionou o "debate cada vez mais acalorado e politizado que tomou conta do Brasil nas últimas semanas". Além de solicitar ação "escrupulosa" das autoridades judiciais e pedir que evitem tomar posições político-partidárias, o representante da organização também pediu que não haja obstrução da Justiça. A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe expressou preocupação com o processo de impeachment e mencionou avanços sociais alcançados no governo de Dilma e Lula. A Organização dos Estados Americanos também demonstrou apoio a Dilma no dia 18 de março. Luis Almagro, secretário-geral da organização, defendeu a garantia do seu mandato, a continuidade das investigações da Operação Lava Jato e o princípio de que todos são iguais perante a lei.[247]

Dilma discursando no Palácio da Alvorada após ter seu mandato cassado, em 31 de agosto de 2016.

No dia 17 de abril de 2016, domingo, a Câmara dos Deputados, com 367 votos favoráveis, 137 contrários, além de 7 abstenções e 2 ausentes, autorizou o Senado Federal a instaurar processo de impeachment contra Dilma.[248] Em 22 de abril de 2016, Dilma pediu em coletiva a imprensa em Nova Iorque que o Mercosul e Unasul analisasse o momento atual do Brasil, e completou que poderia pedir que o Mercosul ativasse a cláusula democrática caso ocorresse o processo de impeachment tido como "golpe" pelo PT pela suposta falta de crime de responsabilidade.[249][250] Um dia depois, a Unasul rejeitou uma moção de repúdio ao processo de impeachment contra Dilma.[251]

No dia 12 de maio de 2016, com 55 votos favoráveis, 22 contrários e 2 ausentes, o Senado Federal autorizou a abertura do processo de impeachment, e determinou o seu afastamento da Presidência da República pelo período de até 180 dias. Com isso, o vice-presidente Temer passou a exercer as funções de presidente da República.[10][252]

Em diálogos divulgados em 23 de maio, com Romero Jucá e Sérgio Machado, o processo de impeachment foi supostamente revelado como um "pacto" para deter os avanços da Lava Jato. "Tem que mudar o governo para estancar a sangria", disse Jucá. E acrescentou que o governo de Temer seria feito por um "pacto nacional com o Supremo, com tudo."[253]

No dia 31 de agosto de 2016, com 61 votos favoráveis e 20 contrários, o Senado Federal aprovou o pedido de impeachment e afastou definitivamente a presidente do cargo.[254] Logo em seguida, em uma segunda votação, os senadores decidiram manter os direitos políticos de Dilma. Foram 42 votos favoráveis à inabilitação (seriam necessários 54 votos para a aprovação), 36 contrários e 3 abstenções.[255][256] Dessa forma, Dilma ainda poderá exercer funções públicas, como ocupar cargos de confiança ou se candidatar em eleições futuras.[257]

Pós-presidência



Dilma discursando em congresso do Partido dos Trabalhadores, em junho de 2017.

Após deixar a presidência, Dilma mudou-se para Porto Alegre e passou a residir em um apartamento de classe média localizado no bairro Tristeza, na zona sul da cidade, observando uma vida simples e reservada.[258][259] Ela manteve alguns benefícios dados a ex-presidentes da República, como o direito a ter oito assessores (incluindo para segurança pessoal) e dois carros oficiais. Ela perdeu o direito ao salário integral, de mais de R$ 30 mil, mas se aposentou logo depois de sua cassação ser aprovada, passando a receber cerca de R$ 5 mil mensais.[260][261][262] Em dezembro de 2016, assumiu a presidência do conselho consultivo da Fundação Perseu Abramo, um trabalho remunerado; Rui Falcão chegou a convidá-la para presidir a fundação, mas o convite sofreu resistências dentro do PT.[263][264]

Ativismo


Dilma manteve a retórica de que foi vítima de um golpe de Estado, realizando palestras em várias universidades e eventos, incluindo no exterior, e proferindo críticas a Temer.[265][266] Em abril de 2017, afirmou ao jornal Folha de S.Paulo que planejava escrever um romance policial;[259] ela também planejava escrever um livro sobre seu governo e os bastidores do impeachment.[267] Como o Senado manteve seus direitos políticos, a ex-presidente não descartou uma candidatura à Câmara dos Deputados ou ao Senado pelo Rio Grande do Sul em 2018.[268] Em março de 2017 Dilma e Lula questionaram a participação de Michel Temer na inauguração de trechos do eixo Leste da transposição do rio São Francisco, entrando em disputa com o então presidente pela paternidade do projeto. Ambos promoveram uma inauguração paralela no dia 19 do mesmo mês.[269] Em 25 de agosto de 2017 Dilma passou a integrar a caravana de Lula no Nordeste brasileiro, tornando-se o principal cabo eleitoral de seu antecessor, que é pré-candidato à presidência da República em 2018. A caravana foi marcada pela presença de apoiadores ilustres do Partido dos Trabalhadores e por críticas veementes de Lula e Dilma ao Poder Judiciário e ao governo Michel Temer, que "não tem o menor compromisso com o povo brasileiro", segundo Dilma.[270][271]

Acusações de corrupção


Em 5 de setembro de 2017 Dilma Rousseff foi denunciada pelo Procurador-Geral da República (PGR) Rodrigo Janot por organização criminosa.[272][273][274][275] No dia seguinte, foi denunciada pelo PGR por obstrução de justiça no episódio da nomeação de Lula como ministro da Casa Civil.[276] Janot acusou Dilma de ter sido "amplamente beneficiada" com recursos provenientes de propinas, cujo valor total chegaria a R$170,4 milhões, e integrar a organização criminosa investigada pela Operação Lava Jato desde sua posse como ministra de Minas e Energia, em 2003, após a qual teria atuado decisivamente para a articulação de propinas. Janot requeriu o bloqueio de R$6,5 bilhões referentes a múltiplos integrantes dos governos petistas, incluindo Lula e Dilma, além de fixar a multa no valor mínimo de R$300 milhões. A assessoria de Dilma afirmou ao jornal O Estado de São Paulo que a denúncia carece de fundamentos.[277][278]































03 Vladimir Putin










Vladimir Vladimirovitch Putin
(
russo: ? Влади́мир Влади́мирович Пу́тин), (Leningrado, 7 de outubro de 1952), é o atual presidente da Rússia, além de ex-agente do KGB no departamento exterior e chefe dos serviços secretos soviético e russo, KGB e FSB, respectivamente. Putin exerceu a presidência entre 2000 e 2008, além de ter sido primeiro-ministro em duas oportunidades, a primeira entre 1999 e 2000, e a segunda entre 2008 e 2012.

Putin tem governado a Rússia desde a renúncia de Boris Iéltsin, em 1999. Seu primeiro governo foi marcado por profundas reformas políticas e econômicas, pelo estadismo, por novas tensões com os Estados Unidos e Europa Ocidental, pela rigidez com os rebeldes chechenos e pelo resgate do nacionalismo russo, atitudes que lembram em parte o regime soviético e o czarismo. Entre os eventos mais notáveis de seu governo, estão o decreto que permite a indicação dos governadores dos distritos russos pelo próprio presidente,[2] a restauração do controle russo sobre a república separatista da Chechênia,[3] os assassinatos não esclarecidos de seus opositores políticos Anna Politkovskaia e Alexander Litvinenko,[4][5] o fim do colapso econômico russo,[6] a estatização de setores estratégicos que até então estavam nas mãos dos oligarcas russos e as consequentes prisões de muitos deles [7][8] e vários desacordos diplomáticos com a OTAN,[9][10] sendo os mais memoráveis deles a discussão quanto ao estabelecimento de mísseis no Leste Europeu, que levou Putin a criticar publicamente a política internacional norte-americana,[11] e o apoio russo aos separatistas na Ucrânia, após este país ter se alinhado à Aliança Atlântica.[12]

Por dezesseis anos, Putin foi oficial do KGB, o serviço secreto da União Soviética, chegando à patente de tenente-coronel. Ele se aposentaria das atividades militares para ingressar na política, em sua cidade, São Petersburgo, em 1991. Mudou-se para Moscou em 1996, para que fizesse parte da administração do então presidente Boris Iéltsin, na qual cresceu rapidamente, tornando-se presidente interino em 31 de Dezembro de 1999, quando o presidente Iéltsin renunciou ao cargo inesperadamente.[13] Putin venceria a eleição do ano seguinte, tornando-se de fato Presidente da Rússia, sendo reeleito em 2004. Putin foi impedido de concorrer para um terceiro mandato em 2008, já que, na época, a Constituição russa só permitia dois mandatos consecutivos. Assim sendo, seu aliado Dmitri Medvedev seria seu sucessor, o que levaria à escolha de Putin como primeiro-ministro do país, cargo que ele manteve até o final da presidência de Medvedev. Em Setembro de 2011, Putin anunciou que concorreria a um terceiro mandato nas eleições do ano seguinte, gerando diversos protestos nas principais cidades do país. Como esperado, Putin foi reeleito por mais seis anos, em seu terceiro mandato, que tem fim previsto para 2018.[14][15]

Putin tem sido amplamente responsabilizado pelo retorno da estabilidade política e do progresso econômico da Rússia, pondo fim à crise dos anos 1990.[16][17] Durante a primeira gestão de Putin (1999-2008), o lucro real aumentou em fator 2.5, e os salários mais que triplicaram. O desemprego e a pobreza caíram em mais da metade, e a satisfação de vida da população russa aumentou significantemente.[18] O primeiro governo de Putin foi marcado pelo grande crescimento econômico: a economia russa cresceu diretamente em oito anos, observando um aumento de 72% no PIB.[18][19][20] Essas conquistas foram atribuídas pelos analistas à boa gestão macroeconômica, a importantes reformas fiscais, ao aumento do fluxo de capitais, ao acesso às finanças externas de baixo custo e a um aumento de cinco vezes no preço do petróleo e gás, que constituem os principais produtos de exportação da Rússia.[16][21][22][23]

Como presidente da Rússia, Putin transformou em lei um aumento de 13% na taxa proporcional da receita, uma taxa reduzida de impostos sobre a receita, e novos códigos legais territoriais.[16][23] Como primeiro-ministro, Putin foi responsável por reformas militar e policial de larga escala. Sua política energética afirmou a posição da Rússia como superpotência em energia.[24] Putin apoiou indústrias de alta-tecnologia como as nucleares e de defesa. Um aumento no investimento de capital estrangeiro[25] contribuiu pela explosão em certos setores, como na indústria automotiva. O desenvolvimento sob Putin incluiu a construção de oleodutos e gasodutos, a restauração do sistema de navegação por satélite GLONASS e a construção de infraestrutura para eventos internacionais.

Na Rússia, a liderança de Putin goza de considerável popularidade, com altas taxas de aprovação geral. Por outro lado, várias de suas ações têm sido caracterizadas pela oposição como antidemocráticas.[26] Observadores ocidentais e organizações também juntaram vozes para criticar o governo de Putin. A classificação de 2011 do Índice de Democracia apontou que a Rússia está em "um longo processo de regressão graças à mudança de um governo híbrido para um regime autoritário" sob Putin. Os cabos diplomáticos vazados pelo WikiLeaks alegam que a Rússia se tornou um "Estado mafioso virtual", devido à corrupção sistemática no governo de Putin.[27] Alguns críticos o descrevem como ditador, alegações que o próprio Putin nega incondicionalmente. Sob Putin, a Rússia modificou suas relações com os Estados Unidos e Reino Unido, já que adotou uma postura mais independente, caracterizada pela política de não-intervenção, contrária à dos norte-americanos e britânicos.[28][29] Putin projeta uma imagem pública de aventureiro, homem viril, sempre engajado em atividades perigosas e incomuns. Algumas destas jogadas publicitárias são criticadas ocasionalmente. Assíduo praticante de artes marciais, Putin teve ampla participação no desenvolvimento do esporte russo, sendo o exemplo mais notável a colaboração para fazer da cidade de Sochi a sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2014.[30]

Vladimir Vladimirovitch Putin (russo: ? Влади́мир Влади́мирович Пу́тин), (Leningrado, 7 de outubro de 1952), é o atual presidente da Rússia, além de ex-agente do KGB no departamento exterior e chefe dos serviços secretos soviético e russo, KGB e FSB, respectivamente. Putin exerceu a presidência entre 2000 e 2008, além de ter sido primeiro-ministro em duas oportunidades, a primeira entre 1999 e 2000, e a segunda entre 2008 e 2012.

Putin tem governado a Rússia desde a renúncia de Boris Iéltsin, em 1999. Seu primeiro governo foi marcado por profundas reformas políticas e econômicas, pelo estadismo, por novas tensões com os Estados Unidos e Europa Ocidental, pela rigidez com os rebeldes chechenos e pelo resgate do nacionalismo russo, atitudes que lembram em parte o regime soviético e o czarismo. Entre os eventos mais notáveis de seu governo, estão o decreto que permite a indicação dos governadores dos distritos russos pelo próprio presidente,[2] a restauração do controle russo sobre a república separatista da Chechênia,[3] os assassinatos não esclarecidos de seus opositores políticos Anna Politkovskaia e Alexander Litvinenko,[4][5] o fim do colapso econômico russo,[6] a estatização de setores estratégicos que até então estavam nas mãos dos oligarcas russos e as consequentes prisões de muitos deles [7][8] e vários desacordos diplomáticos com a OTAN,[9][10] sendo os mais memoráveis deles a discussão quanto ao estabelecimento de mísseis no Leste Europeu, que levou Putin a criticar publicamente a política internacional norte-americana,[11] e o apoio russo aos separatistas na Ucrânia, após este país ter se alinhado à Aliança Atlântica.[12]

Por dezesseis anos, Putin foi oficial do KGB, o serviço secreto da União Soviética, chegando à patente de tenente-coronel. Ele se aposentaria das atividades militares para ingressar na política, em sua cidade, São Petersburgo, em 1991. Mudou-se para Moscou em 1996, para que fizesse parte da administração do então presidente Boris Iéltsin, na qual cresceu rapidamente, tornando-se presidente interino em 31 de Dezembro de 1999, quando o presidente Iéltsin renunciou ao cargo inesperadamente.[13] Putin venceria a eleição do ano seguinte, tornando-se de fato Presidente da Rússia, sendo reeleito em 2004. Putin foi impedido de concorrer para um terceiro mandato em 2008, já que, na época, a Constituição russa só permitia dois mandatos consecutivos. Assim sendo, seu aliado Dmitri Medvedev seria seu sucessor, o que levaria à escolha de Putin como primeiro-ministro do país, cargo que ele manteve até o final da presidência de Medvedev. Em Setembro de 2011, Putin anunciou que concorreria a um terceiro mandato nas eleições do ano seguinte, gerando diversos protestos nas principais cidades do país. Como esperado, Putin foi reeleito por mais seis anos, em seu terceiro mandato, que tem fim previsto para 2018.[14][15]

Putin tem sido amplamente responsabilizado pelo retorno da estabilidade política e do progresso econômico da Rússia, pondo fim à crise dos anos 1990.[16][17] Durante a primeira gestão de Putin (1999-2008), o lucro real aumentou em fator 2.5, e os salários mais que triplicaram. O desemprego e a pobreza caíram em mais da metade, e a satisfação de vida da população russa aumentou significantemente.[18] O primeiro governo de Putin foi marcado pelo grande crescimento econômico: a economia russa cresceu diretamente em oito anos, observando um aumento de 72% no PIB.[18][19][20] Essas conquistas foram atribuídas pelos analistas à boa gestão macroeconômica, a importantes reformas fiscais, ao aumento do fluxo de capitais, ao acesso às finanças externas de baixo custo e a um aumento de cinco vezes no preço do petróleo e gás, que constituem os principais produtos de exportação da Rússia.[16][21][22][23]

Como presidente da Rússia, Putin transformou em lei um aumento de 13% na taxa proporcional da receita, uma taxa reduzida de impostos sobre a receita, e novos códigos legais territoriais.[16][23] Como primeiro-ministro, Putin foi responsável por reformas militar e policial de larga escala. Sua política energética afirmou a posição da Rússia como superpotência em energia.[24] Putin apoiou indústrias de alta-tecnologia como as nucleares e de defesa. Um aumento no investimento de capital estrangeiro[25] contribuiu pela explosão em certos setores, como na indústria automotiva. O desenvolvimento sob Putin incluiu a construção de oleodutos e gasodutos, a restauração do sistema de navegação por satélite GLONASS e a construção de infraestrutura para eventos internacionais.

Na Rússia, a liderança de Putin goza de considerável popularidade, com altas taxas de aprovação geral. Por outro lado, várias de suas ações têm sido caracterizadas pela oposição como antidemocráticas.[26] Observadores ocidentais e organizações também juntaram vozes para criticar o governo de Putin. A classificação de 2011 do Índice de Democracia apontou que a Rússia está em "um longo processo de regressão graças à mudança de um governo híbrido para um regime autoritário" sob Putin. Os cabos diplomáticos vazados pelo WikiLeaks alegam que a Rússia se tornou um "Estado mafioso virtual", devido à corrupção sistemática no governo de Putin.[27] Alguns críticos o descrevem como ditador, alegações que o próprio Putin nega incondicionalmente. Sob Putin, a Rússia modificou suas relações com os Estados Unidos e Reino Unido, já que adotou uma postura mais independente, caracterizada pela política de não-intervenção, contrária à dos norte-americanos e britânicos.[28][29] Putin projeta uma imagem pública de aventureiro, homem viril, sempre engajado em atividades perigosas e incomuns. Algumas destas jogadas publicitárias são criticadas ocasionalmente. Assíduo praticante de artes marciais, Putin teve ampla participação no desenvolvimento do esporte russo, sendo o exemplo mais notável a colaboração para fazer da cidade de Sochi a sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2014.[30]



Infância e juventude



Vladimir Putin aos seis anos, com a mãe, em 1958.

Putin nasceu em 7 de Outubro de 1952 em Leningrado (atual São Petersburgo). O pai de Putin, Vladimir Spiridonovitch Putin (1911-1999), participara da Segunda Guerra Mundial, onde foi gravemente ferido. A mãe era Maria Ivanovna Shelomova (1911-1998), que trabalhava em uma fábrica, sobrevivente do Cerco a Leningrado.

Seu avô era um renomado chef de cozinha, que trabalhava para diversas autoridades, cozinhando, inclusive, para Lênin e Stálin. Vladimir Putin era o terceiro filho da família, apesar de os irmãos mais velhos terem morrido ainda na infância.

A família de Putin vivia em um apartamento comunitário de Leningrado. Após ter sido eleito presidente, o próprio Putin afirmou que na infância se divertia com filmes soviéticos de espionagem, e sonhava trabalhar nos órgãos de defesa nacional. Em 1966, aos 14 anos ingressou em um instituto técnico, onde estudou química, terminando seus cursos em 1970.

Entre 1970 e 1975, estudou na faculdade de Direito da Universidade Estatal de Leningrado. Lá ingressou no Partido Comunista, então o único partido político permitido na União Soviética. Graduou-se em 1975, com a dissertação a respeito da Cláusula de Nação Mais Favorecida.

Serviços no KGB



Putin como oficial do KGB.

  • Em 1975, aos 23 anos de idade e recém graduado no curso de Direito, ingressa no Comitê de Segurança Nacional, o KGB.
  • No mesmo ano, acaba o seu curso preparatório, assumindo o posto de Oficial Júnior, de acordo com o antigo sistema organizacional do KGB.
  • A partir de 1977, passa a trabalhar no setor de contra-inteligência no departamento investigativo do KGB de Leningrado.
  • Em 1979, se forma de um curso semestral em Moscou, voltando para Leningrado no mesmo ano.
  • Em 1985, como Major de Justiça, se especializa em inteligência estrangeira, aprendendo alemão.
  • Entre 1985 e 1990, trabalhou em Dresden, na Alemanha Oriental, chefiando o departamento de fronteiras.

Após o término de seu serviço e retorno à União Soviética, Putin recusou o serviço na central de inteligência estrangeira, na capital Moscou. Em vez disso, voltou a trabalhar no primeiro departamento do KGB de Leningrado, cuja especialidade era a inteligência territorial. Em 20 de Agosto de 1991, em meio aos golpes de estado que tentavam manter o estado soviético e as manobras que pretendiam consolidar o fim da União Soviética, Putin abandona o KGB, após Anatoli Sobtchak, seu principal aliado, se posicionar contra o serviço secreto, que até então apoiava o golpe a favor da integridade da URSS.

Putin havia renunciado ao cargo de tenente-coronel em 20 de agosto de 1991 [31] no segundo dia da tentativa de golpe de Estado soviética de 1991 contra o presidente soviético Mikhail Gorbachev.[32] Putin teria dito em uma ocasião posterior: "Assim que o golpe começou, eu imediatamente decidi de que lado eu estava", embora ele também tenha observado que a escolha era difícil porque ele passara a melhor parte de sua vida com "os órgãos".[33]

Em 1999, Putin descreveu o comunismo como "um beco sem saída, longe do mainstream da civilização". [34]

Carreira política



Putin discursa na Praça Vermelha, no coração de Moscou, em 2005.

Em Maio de 1995, ele organizou o ramo de São Petersburgo do então partido político pró-governo Nossa Terra, o partido liberal fundado pelo primeiro-ministro Viktor Chernomyrdin. Em 1995, ele gerenciou a campanha eleitoral legislativa para esse partido e, de 1995 a junho de 1997, foi o líder de seu ramo em São Petersburgo.

Em Agosto de 1996, com a derrota de Sobtchak nas eleições para o governo de São Petersburgo, Putin foi a Moscou, onde tornou-se vice-assessor do Presidente da Rússia. Em 25 de Maio de 1998, torna-se primeiro oficial da administração do presidente. A partir de sua posse, torna-se uma das figuras mais influentes do Kremlin.

Um mês depois, torna-se diretor do Serviço Nacional de Segurança da Federação Russa, o FSB, agência russa de serviços de informação que sucedeu ao KGB no que respeita a assuntos domésticos. Putin comandou a complexa e esperada reorganização do FSB, que lhe valeu a promoção para a chefia do comitê de segurança do país, em Março de 1999, tornando-se o primeiro civil a dirigir a polícia secreta.

No mesmo ano Putin ingressou no recém formado partido conservador de centro-direita Unidade (atual Rússia Unida) [35] que ganhou a segunda maior porcentagem do voto popular (23,3%) nas eleições na Duma de dezembro de 1999.

Em 5 de Agosto de 1999, em um encontro com o presidente Boris Iéltsin, Putin é convidado a assumir o cargo de confiança de primeiro-ministro, e é rapidamente apontado como o provável sucessor do então presidente, na época já muito doente e temulento.

O governo de Putin


Primeiro-Ministro (1º mandato)


Em 16 de Agosto de 1999, Vladimir Putin foi eleito Primeiro-Ministro da Rússia com 233 votos, e Boris Iéltsin apontou-o como seu sucessor. A posse de Putin coincidiu com o confronto entre as forças de segurança do Daguestão e guerrilheiros separatistas da Chechênia. Putin chefiou energeticamente a operação de larga-escala, que expeliu completamente os rebeldes chechenos. O combate selou a confiança dos russos em Putin, que no ano seguinte tentaria a eleição para a Presidência, com o objetivo de suceder seu padrinho político. Em 31 de Dezembro de 1999, no tradicional discurso presidencial na passagem de ano, o então presidente Iéltsin renunciou inesperadamente, passando os poderes de presidente para Putin, e adiantando as eleições em três meses.

Em vez da dicotomia do "comunismo versus o capitalismo" que dominou o discurso político na década de 1990, de 1999-2000, Putin começou a enfatizar outra razão para votar em seu partido (Unidade): a estabilidade, desejada pelos cidadãos russos após uma década de mudança revolucionária caótica. Com exceção da luta contínua no Cáucaso do Norte, Putin a entregou.

Presidente (2000-2008)


1º mandato

Prometendo reconstruir o país, Vladimir Putin, presidente em exercício, foi eleito oficialmente presidente da Rússia com mais de 53% dos votos, o que lhe deu uma vitória logo no primeiro turno. Tomou posse em 7 de Maio de 2000, apontando Mikhail Kasianov como seu primeiro-ministro. Como meio de consolidar poder, Putin anunciou um decreto que dividia as 89 subdivisões da Rússia em 7 distritos federais, de forma a facilitar a administração do país.

Durante seu primeiro mandato, Putin procurou esfriar as ambições políticas de alguns dos oligarcas russos, como Boris Berezovski, que de acordo com a BBC, teria "ajudado Putin a ingressar na família, fundando o partido que formou a base parlamentar de Putin".[36] Entre 2000 e 2004, Putin conseguiu vencer grandes disputas de poder com os oligarcas, representada pela tomada da YUKOS, uma empresa privada estatizada por Putin, e cujo dono, Mikhail Khodorkovski, foi julgado e condenado a nove anos de prisão por sete crimes, incluindo roubo, fraude e sonegação fiscal. Desta forma, os oligarcas foram intimidados a ponto de alinharem-se ao governo de Putin, resultando na emersão de novos magnatas próximos do presidente.

A reforma legal da Rússia prosperou durante o primeiro mandato de Putin. Particularmente, Putin obteve sucesso na codificação das legislações sobre terra e impostos, que não progrediram na gestão de Iéltsin, por causa das oposições comunista e oligárquica, respectivamente. Outras reformas legais incluíram novos códigos nas legislações trabalhistas, administrativas, comerciais e civis.

O primeiro grande desafio à popularidade de Putin ocorreu em Agosto de 2000, quando foi criticado por seus supostos equívocos no desastre com o submarino Kursk.

Em Dezembro de 2000, Putin sancionou uma lei para a mudança do Hino nacional da Rússia. O então hino oficial, uma composição de Mikhail Glinka, não tinha letras. A mudança restabeleceu a música do hino da União Soviética, composto durante a Segunda Guerra Mundial, em 1944. Uma nova letra foi criada pelo mesmo autor da letra do hino soviético, Serguei Mikhalkov, que manteve o refrão histórico.

Em 2002, em meio à crise do teatro de Dubrovka, quando terroristas tomaram um teatro lotado de Moscou, que resultou na morte de 130 reféns, era esperado que a popularidade de Putin fosse seriamente afetada. Surpreendentemente, logo após o evento, o presidente desfrutava de uma aprovação sem precedentes - 83% dos russos declararam-se satisfeitos com Putin e o modo como lidou com a situação.

Poucos meses antes da eleição, Putin destituiu Kasianov do posto de primeiro-ministro, indicando Mikhail Fradkov como seu novo premier.

Em 2003, realizou-se um referendo na Chechênia, maior ameaça à segurança interna russa, a partir do qual uma nova constituição que declarava a república como parte da Rússia. A Chechênia foi gradualmente estabilizada com a instauração de eleições parlamentares e de um governo regional. Com o decorrer da guerra, a Rússia desmantelou severamente o movimento rebelde checheno, apesar da violência continuar, principalmente na região da Ciscaucásia.


Vladimir Putin comandou a Rússia na Guerra da Chechênia.

2º mandato

Em Março de 2004, Putin é reeleito, recebendo 71% dos votos.

O massacre de Beslan, ocorrido em Setembro de 2004, no qual centenas de civis foram assassinados, fez com que a popularidade de Putin caísse, devido às críticas à sua postura tomada contra os rebeldes chechenos. Putin foi até mesmo acusado de ter comandado o atentado, de forma a justificar a repressão contra os terroristas.[37][38] Entre as medidas tomadas após o ato terrorista, Putin substituiu a eleição direta de governadores das subdivisões federais, de forma que as autoridades fossem nomeadas pelo presidente, e então aprovadas pelos legislativos regionais. Em 2005, Putin criou a Câmara Pública da Rússia.

No mesmo ano, um projeto de prioridade nacional foi iniciado para melhorar a assistência médica, a educação, a moradia e a agricultura. A mudança mais relevante dentro do projeto foi o aumento geral do salário nas áreas médica e educacional, assim como a decisão de modernizar os equipamentos em ambos os setores, durante os anos de 2006 e 2007. Putin anunciou suas intenções de aumentar os benefícios da assistência maternidade e um apoio do estado para cuidados pré-natais. Os programas demográficos do governo levaram a um aumento de 45% na taxa de nascimentos de um segundo filho entre as mulheres, e a um aumento de 60% na taxa de nascimentos de um terceiro filho, segundo dados de 2012.[39]

O processo criminal contra o então homem mais rico da Rússia e presidente da YUKOS, Mikhail Khodorkovski, ocorrido em 2003, foi visto pela imprensa internacional como uma retaliação pelo apoio financeiro de Khodorkovski aos oponentes liberais e comunistas do Kremlin. O governo afirmou que Khodorkovski estava corrompendo um grande setor da Duma para impedir mudanças no código de impostos. Com a prisão de Khodorkovski, a YUKOS faliu, e as ações da empresa foram vendidas a um valor irrisoriamente a baixo do seu valor de mercado, compradas principalmente pela estatal Rosneft. O caso YUKOS foi visto pelos analistas ocidentais como um grande passo dado pela Rússia em direção a um sistema de capitalismo de estado.
Um estudo publicado por um instituto do Suomen Pankki em
2008 mostrou que a intervenção estatal teve um impacto positivo na administração de várias companhias russas.[40]


Vladimir Putin interroga o oligarca Mikhail Khodorkovski, antes de sua prisão.

Putin foi criticado pelo que vários observadores consideram uma queda em larga escala da liberdade de imprensa na Rússia. Em 7 de Outubro de 2006, Anna Politkovskaia, uma jornalista que expôs a corrupção dentro do exército russo e sua conduta na Chechênia, foi assassinada no saguão de seu apartamento. A morte de Politkovskaia iniciou um escândalo na mídia ocidental, com acusações de que Putin, na melhor das hipóteses, não foi capaz de proteger a nova mídia independente de seu país.[41][42] Quando questionado sobre o assassinato de Politkovskaia durante uma entrevista para a emissora alemão ARD, Putin disse que seu assassinato traz muito mais preocupação para as autoridades russas que suas próprias acusações. Em 2012, os assassinos foram presos e acusaram Boris Berezovski e Akhmed Zakaiev como possíveis clientes.[43] A morte por envenenamento de Alexander Litvinenko rendeu ainda mais acusações e críticas à autoridade de Putin, já que Litvinenko, também ex-agente do KGB, era um opositor e crítico de seu governo.[44][45] Apesar das críticas à sua posição autoritária, feitas principalmente pela imprensa internacional, Putin teve alto índice de aprovação entre os russos - 77% em julho de 2006.

Em 2007, diversas marchas de protestos foram organizadas por grupos da oposição, comandados pelo campeão de xadrez Garry Kasparov e pelo ativista Eduard Limonov. Desafiando as várias advertências das autoridades, os demais protestos, nas mais diversas cidades russas, foram suspensos pela polícia, terminando com mais de 150 pessoas presas. As marchas receberam pequeno apoio das massas.


Putin com o ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.

Um dos mais publicados discursos de Putin ocorreu em 10 de Fevereiro de 2007, na Conferência de Munique sobre Política de Segurança, e tornou-se conhecido como o "Discurso de Munique", sendo citado pela imprensa como "a virada na política externa da Rússia". Observadores ocidentais afirmaram que este foi o discurso mais firme de um líder russo desde a Guerra Fria. O discurso também foi visto como uma forma que Putin achou para deixar claro o papel da Rússia na política internacional, um papel próximo daquele desempenhado pela União Soviética. O retorno a este "papel" é visto como uma das mais importantes conquistas do governo de Putin. O presidente russo acusou os Estados Unidos de estarem se utilizando da força para impor sua vontade sobre o mundo, além de promover uma nova corrida armamentista. Suas declarações foram rechaçadas indiretamente pelo secretário de segurança norte-americano, Robert Gates, dizendo que "uma guerra fria já havia sido suficiente".[46]

Em Setembro de 2007, Viktor Zubkov foi indicado por Putin como o novo primeiro-ministro, substituindo Fradkov. Em Dezembro, o partido Rússia Unida conquistou 64% dos votos nas eleições para a Duma. Essa vitória representou o forte apoio popular e confiança na então liderança da Rússia.

Primeiro-Ministro (2º mandato



Putin como primeiro-ministro, ao lado do então presidente Dmitri Medvedev.

A constituição russa não permite um terceiro mandato, portanto Putin não pôde disputar as eleições de 2008. Em 8 de Maio, no dia seguinte às eleições, Dmitri Medvedev, o presidente eleito, escolheu Putin como seu primeiro-ministro, de modo a manter o poder político de seu partido.

A crise financeira de 2008 afetou duramente a economia russa, interrompendo o fluxo de crédito barato e investimento do Ocidente. Este fato coincidiu com a tensão nas relações entre a União Europeia e os Estados Unidos logo após a Guerra na Ossétia do Sul em 2008, na qual a Rússia derrotou os EUA e a Geórgia, aliada da OTAN. Por outro lado, as largas reservas financeiras acumuladas nos anos em que o preço do petróleo estava em alta foram capazes de salvar o país e lidar com a crise, dando continuidade ao crescimento econômico do país. As medidas anticrise do governo russo vêm sendo elogiadas pelo Banco Mundial, que disse em seu relatório de Novembro: "Política fiscal prudente e reservas financeiras substanciais protegeram a Rússia de consequências mais profundas do choque externo."[47] O próprio Putin citou o modo como a Rússia conseguiu lidar com a avalanche de consequências da crise econômica mundial como um dos dois principais proveitos de seu segundo mandato como primeiro-ministro. O outro proveito terá sido a estabilização das taxas de crescimento da população russa no período 2008-2011, após um longo período de colapso demográfico, iniciado nos anos 1990.[48]


Protestos contra Putin.


Multidão se reúne a favor de Putin.

No congresso do partido Rússia Unida em Moscou, ocorrido em Setembro de 2011, Medvedev propôs oficialmente que Putin se apresentasse como candidato nas eleições de 2012, proposta que Putin aceitou. Devido ao domínio quase que absoluto do Rússia Unida na política, muitos observadores acreditavam que Putin tinha o terceiro mandato nas mãos. Após as eleições parlamentares de Dezembro, dezenas de milhares de russos se juntaram a protestos contra supostas fraudes eleitorais, naqueles que foram os maiores protestos desde que Putin tornou-se figura principal na política russa. Os participantes do protesto criticaram Putin e o Rússia Unida, exigindo a anulação dos resultados das eleições. Ironicamente, esses protestos, que foram organizados por líderes da oposição, suscitaram o medo de uma revolução colorida na sociedade, e diversos contra-protestos foram liderados por simpatizantes e partidários de Putin, superando os protestos da oposição.[49][50][51] Por ironia, a socialite Ksenia Sobtchak, filha do padrinho político de Putin, Anatoli Sobtchak, foi uma das celebridades que mais fortemente criticaram o governo de Putin nos protestos do final de 2011, manifestando sua indignação com seu terceiro mandato no dia de sua posse.[52]

Presidente (2012-2018)[


3º mandato

Em 4 de Março de 2012, Putin venceu as eleições presidenciais no primeiro turno, com 63% dos votos. Enquanto medidas extraordinárias foram tomadas para manter as eleições transparentes, incluindo o uso de webcams na grande maioria dos locais de votação, o resultado foi criticado pela oposição russa e por algumas organizações internacionais por irregularidades perceptíveis. Vários chefes de estado parabenizaram Putin pela vitória nas eleições. O presidente venezuelano Hugo Chávez congratulou pessoalmente Putin pela vitória, afirmando que o presidente russo é "uma força ativa por detrás dos laços estratégicos e de cooperação entre Venezuela e Rússia".[53] O ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, também parabenizou Putin, dizendo que está "certo de que, sob sua liderança, a Rússia continuará a trilhar o caminho de sucessos que vem alcançando nos planos interno e internacional e que a sólida parceria com o Brasil será aprofundada, intensificando o denso diálogo político que logramos consolidar nos últimos anos".[54]


Vladimir Putin assume o terceiro mandato, 7 de Maio de 2012.

Protestos anti-Putin ocorreram durante e logo após a campanha presidencial. O protesto mais notório foi a performance do grupo Pussy Riot, em 21 de Fevereiro, e seu subsequente julgamento.[55] Outra manifestação de destaque ocorreu meses depois, quando por volta de 8.000-20.000 manifestantes protestaram em Moscou, em 6 de Maio - dia anterior à posse presidencial - resultando em oito feridos e 450 presos.[56]

Putin tomou posse no complexo do Kremlin, em 7 de Maio de 2012. Em seu primeiro dia como presidente, Putin passou 14 decretos presidenciais, sendo um deles um comprido artigo a respeito dos objetivos de longo prazo da economia russa. Outros decretos foram sobre educação, moradia, treinamento de trabalho especializado, relações com a União Europeia, indústria de defesa, relações interétnicas e outras áreas tratadas por Putin em seu programa político proposto em sua campanha presidencial.[57] Em Dezembro de 2012, em retaliação à lei Magnitsky — que impões sanções a oficiais russos acusados de violar os direitos humanos — sancionada pelos Estados Unidos, foi aprovada por Putin uma lei que proíbe cidadãos norte-americanos de adotarem crianças russas. Mais de 700 mil crianças vivem em orfanatos na Rússia. Nas últimas duas décadas, 70 mil órfãos russos foram adotados por famílias americanas.[58] A justificativa é que diversas crianças adotadas da Rússia morreram nos Estados Unidos ou foram devolvidas ao país, como foi o caso de Artem Saveliev, de sete anos, que foi colocado sozinho em um avião com destino a Moscou, e de Dima Iakovlev, que morreu após ser esquecido no carro por seu pai adotivo americano.[59][60] Quando questionado se não seria melhor permitir que as crianças russas fossem viver em países onde as condições de vida são melhores, Putin respondeu com sarcasmo: "Há provavelmente muitos lugares no mundo onde os padrões de vida são maiores do que os nossos. E então, vamos enviar todas as nossas crianças para lá? Talvez devamos nos mudar para lá nós mesmos?"[61]
Em
12 de junho de 2013, em pleno feriado nacional, milhares de pessoas reuniram-se em Moscou para protestar contra o governo de Putin.[62] Entre as exigências, estava a libertação dos manifestantes presos nas ondas de protestos em 2011 e 2012. Alguns dos cartazes apresentavam dizeres como: "Putin vergonha da Rússia" e "Abaixo a autocracia presidencial". Entre os manifestantes, era possível encontrar as tendências mais variadas.[63]

Em março de 2014, motivado pela crise política na Ucrânia, Putin enviou ao Soviete da Federação a proposta de uma intervenção militar na Crimeia, região de maioria russa, após apelo do primeiro-ministro. A proposta foi aceita pelo órgão superior, desagradando às autoridades ocidentais, que condenaram o ato, levando o presidente norte-americano, Barack Obama, a afirmar que “qualquer violação da integridade territorial e soberania da Ucrânia seria profundamente desestabilizadora, e representaria uma séria interferência em matérias que devem ser decididas pela população ucraniana”.[64] Para Putin, a intervenção foi a fim de proteger os cidadãos russos que compõem a maioria étnica da Crimeia, que havia se declarado independente antes de qualquer movimentação militar russa, devido à alegada perseguição da população russa por parte do governo extremista e nacionalista que havia tomado posse na Ucrânia. Putin declarou apoio aos separatistas russos das regiões de Donetsk e Lugansk, também regiões de maioria russa.[65][66] O povo da Crimeia festejou [67] os resultados do referendo, que se tornou polémico devido ao fato de Otan, o governo ucraniano e EUA não terem aceitado o resultado, afirmando que havia sido feito de forma ilegal.[68]


Putin em março de 2015

Política



A foice e o martelo, ícones máximos da União Soviética, sob a bandeira pan-eslava, símbolo da Rússia independente, simbolizam o sincretismo político de Putin.

Política interna


A política interna de Putin, principalmente durante seu primeiro mandato, visou a criação de um "poder vertical". Em 13 de Maio de 2000, ele sancionou um decreto dividindo as 89 subdivisões da Rússia entre 7 distritos comandado por representantes nomeados por ele próprio, de forma a facilitar a administração federal. Putin também desenvolveu uma política de crescimento das subdivisões: o número caiu de 89 em 2000 para os atuais 83, após a fusão dos okrugs com demais subdivisões próximas.


Em 2000, a Rússia foi dividida em sete distritos, pondo em prática o "poder vertical" proposto por Putin. Em 2010, o distrito Ciscáucaso (em roxo) foi criado, estabelecendo um novo distrito.

Em Julho de 2000, de acordo com uma lei proposta por Putin e aprovada pelo Soviete Federal, o presidente ganhou o direito de despedir chefes das subdivisões federais. Em 2004, as eleições para governadores por voto direto foi extinta. Esta jogada foi vista como necessária por Putin, para dar um fim às tendências separatistas e livrar-se daqueles governadores que estavam conectados com o crime organizado.[69] A medida, de fato, parece ter sido temporária, já que em 2012, segundo proposta do presidente Dmitri Medvedev, sucessor de Putin, as eleições para governadores foram reintroduzidas, e junto delas, as reformas de Medvedev também simplificaram o registro de partidos políticos e reduziram o número de assinaturas necessárias por candidatos partidos não-parlamentares para lançar candidatos independentes à presidência, afrouxando a rigidez e restrições impostas pela antiga legislação de Putin.[70] A rígida legislação eleitoral foi outro motivo para a crítica da mídia independente russa e de observadores estrangeiros, que a chamaram de "anti-democrática".

Em seu primeiro mandato, Putin se esforçou para inibir as ambições políticas de boa parte dos oligarcas russos, resultando no exílio ou prisão de muitos deles, como Boris Berezovski e Mikhail Khodorkovski. Intimidados, outros oligarcas logo se aproximaram do círculo de Putin.

Putin governou diante de uma intensa luta com o crime organizado e o terrorismo que resultou em uma taxa de assassinatos duas vezes menor em 2011, assim como uma redução no número de ações de terroristas no final dos anos 2000.[71][72]

Putin também obteve êxito nos códigos das legislações sobre terra e impostos, e promulgou novos códigos acerca das legislações trabalhista, administrativa, criminal, comercial e civil. Sob a presidência de Medvedev, o governo de Putin implementou diversas reformas na área da segurança de estado, além da reforma na polícia e no exército.

Política econômica



A economia russa entre a queda da União Soviética e o governo de Medvedev, passando pela crise de 1998 e a recuperação sob Putin.

Sob a administração de Putin, a economia teve ganhos reais em uma média de 7% ao ano (2000: 10%, 2001: 5.1%, 2002: 4.7%, 2003: 7.3%, 2004: 7.2%, 2005: 6.4%, 2006: 8.2%, 2007: 8.5%),[73] fazendo da Rússia a 7ª maior economia mundial em poder de compra. O PIB nominal russo aumentou em seis vezes, subindo do 22º ao 10º maior do mundo. Em 2007, o PIB russo ultrapassou o da Rússia Soviética em 1990, provando que a economia foi capaz de superar os efeitos devastadores da recessão dos anos 1990, seguida da trágica moratória de 1998.[74]

Durante os oito anos de Putin na presidência, a indústria cresceu em 76%, os investimentos aumentaram em 125%[74] e a produção agrícola também aumentou. Lucros reais mais do que dobraram, e o salário mínimo mensal médio aumentou em sete vezes, de $80 (por volta de R$163) para $640 (por volta de R$1300).[74][75] De 2000 a 2006, o volume do crédito para consumo aumento em 45 vezes, e o número de cidadãos pertencentes à classe média cresceu de 8 milhões para 55 milhões. O número de pessoas vivendo à baixo da linha da pobreza diminui de 30% em 2000 para 14% em 2008.[74]

Em 2001, Putin, que patrocinou políticas econômicas liberais, introduziu uma taxa única de imposto sobre a renda de 13%,[76] e a taxa corporativa também foi reduzida de 35% para 24%.[77] Pequenos negócios também receberam um melhor tratamento. O antigo sistema de altas taxas de impostos foi substituído por um novo sistema em que as companhias podem escolher entre uma taxa de 6% na receita bruta ou uma taxa de 15% nos lucros. A carga geral de impostos é menor na Rússia que na maioria dos países europeus, favorecendo com isso o capitalismo.[78][79]

Um conceito central na linha econômica de Putin foi a criação dos "campeões nacionais", que integravam companhias de setores estratégicos das quais não se espera somente a busca pelo lucro, mas também um "avanço nos interesses da nação". Como exemplo dessas companhias, estão a Gazprom, a Rosneft e a Corporação de Aviação Unificada.[80]

Parte da receita do petróleo foi para o fundo de estabilização, criado em 2004. O fundo permitiu à Rússia pagar todos os débitos restantes da União Soviética no ano de 2005. No início de 2008, o fundo foi dividido entre o Fundo de Reserva, estabelecido para proteger a Rússia de um possível choque da economia financeira, e o Fundo de Bem-Estar Nacional, cujos lucros serão usados para uma reforma nos auxílios do governo.[74] Contudo, a inflação continuou alta, tendo as estimativas de 2007 ultrapassado as dos anos anteriores e apresentando-se como um dos mais graves problemas econômicos da Rússia de Putin.[74]

Em Dezembro de 2011, após 15 anos de negociações, a Rússia finalmente ingressou na Organização Mundial do Comércio. O acesso à OMC foi ratificado pelo parlamento na primavera de 2012.


Vladimir Putin em 2008.

Política energética


A riqueza em petróleo e gás da Rússia foi transformada no bem-estar do país e em influência internacional, e a Rússia foi frequentemente descrita na mídia como uma superpotência energética.[24] Putin verificou que o crescente aumento dos preços de exportação do petróleo e gás proporcionou um crescimento no orçamento, enquanto os preços, a produção e a exportação de gás e petróleo cresceram significantemente.

Putin colaborou com a grande parcela russa no mercado europeu de energia através da construção de oleodutos e gasodutos subterrâneos cruzando a Ucrânia e a Europa oriental. Os projetos de canalização apoiados por Putin incluem o fluxo azul, que através do Mar Negro liga a Rússia à Turquia, o fluxo norte, que liga a Rússia à Alemanha, sendo o gasoduto mais longo do mundo, construído no Mar Báltico, e o fluxo sul, que liga a Rússia aos Balcãs e à Itália, cruzando o Mar Negro. Ao comprar o gás turcomeno e desviá-lo para os seus próprios gasodutos, a Rússia acabou com o projeto Nabucco, apoiado pelos norte-americanos, que tinha por objetivo prejudicar o mercado energético da Rússia e acabar com a dependência européia do gás russo, construindo um gasoduto que levasse gás da Turquia para o restante da Europa.

De qualquer forma, a Rússia diversificou seu mercado exportador construindo o oleoduto transiberiano, expandindo o mercado à China, Japão e Coreia, além de ter construído o gasoduto Sacalina-Khabarovsk-Vladivostok no extremo oriente. No Golfo da Finlândia, a Rússia construiu um canal em Ust-Luga, conectado com os sistemas de canais do Báltico, o que permite a exportação do petróleo sem a necessidade de trânsito através dos portos dos países bálticos. A porcentagem de petróleo processado cresce gradativamente com a construção de refinarias de petróleo no Tartaristão e em outras regiões da Rússia.

Putin continuou com a construção de hidrelétricas, como a represa de Bureia e a represa do rio Angará, assim como a restauração da indústria nuclear russa, usando aproximadamente um trilhão de rublos (por volta de 86 bilhões de reais) do orçamento federal para o desenvolvimento da indústria nuclear anterior a 2015. Um grande número de estações nucleares estão sendo construídas, dentro e fora da Rússia, pela Rosatom, companhia estatal que controla a indústria atômica.

Política ambiental


Em 2004, o presidente Putin assinou o Protocolo de Kyoto, com o objetivo de reduzir os gases estufa. Contudo, a Rússia não enfrentou grandes desafios ou teve grandes prejuízos, porque o protocolo limita as emissões com base nas porcentagens de emissão de gases estufa no ano de 1990, e as emissões da Rússia caíram muito desde 1990, por conta da decadência econômica enfrentada após a queda da União Soviética.


Putin a bordo do navio Pedro, o Grande, no Mar de Barents, em 2005.

Putin supervisiona e promove pessoalmente programas de proteção para animais raros ou em perigo na Rússia, incluindo:[81]


Política religiosa



Putin com líderes religiosos da Rússia em 2001.

O Budismo, o Cristianismo Ortodoxo, o Islamismo e o Judaísmo, definidos pela lei como as religiões tradicionais da Rússia e parte da herança histórica da Rússia,[82] gozam de apoio estatal limitado na era Putin. A vasta construção e restauração de igrejas, iniciada na década de 1990, continuou sob Putin, e o estado permitiu o ensino religioso nas escolas (os pais têm a opção de que seus filhos aprendam os conceitos básicos de uma das religiões tradicionais ou ética secular). Sua abordagem na política religiosa tem sido caracterizada como um apoio às liberdades religiosas, mas também a tentativa de unificar diferentes religiões sob a autoridade do Estado.[83] Em 2012, Putin foi homenageado em Belém e uma rua foi nomeada em seu nome após sua visita.[84]


Putin visitando a República de Tuva, na Sibéria, em 2007.

Putin frequenta regularmente os eventos mais importantes da Igreja Ortodoxa Russa nos principais feriados cristãs ortodoxos. Ele consolidou um bom relacionamento com os Patriarcas da Igreja Russa, o falecido Aleixo II de Moscou e o atual Cirilo I de Moscou. Como Presidente, participou ativamente na promoção do Ato de Comunhão Canônica com o Patriarcado de Moscou, assinado em 17 de maio de 2007, que restabeleceu as relações entre a Igreja Ortodoxa Russa de Moscou e a Igreja Ortodoxa Russa no Exterior após o cisma de 80 anos.[85]

Putin e a Rússia Unida gozam de um elevado apoio eleitoral nas Repúblicas Nacionais da Rússia, em particular nas repúblicas de maioria muçulmana da Região do Volga e do Cáucaso do Norte.

Sob o comando de Putin, a chassídica Federação das Comunidades Judaicas da Rússia se tornou cada vez mais influente dentro da comunidade judaica, em parte devido à influência de empresários apoiados pela Federação mediados por suas alianças com Putin, notadamente Lev Leviev e Roman Abramovich.[86][87] De acordo com a JTA, Putin é popular entre a comunidade judaica russa, que o vê como uma força para a estabilidade. O principal rabino da Rússia, Berel Lazar, disse que Putin "prestou grande atenção às necessidades de nossa comunidade e nos tratou com um profundo respeito".[88] Em 2016, Ronald S. Lauder, presidente do Congresso Judaico Mundial, também elogiou Putin por tornar a Rússia "um país onde os judeus são bem-vindos".[89]

Política esportiva



Putin aplicando golpe de Judô.

Em 4 de Julho de 2007, Putin viajou à Guatemala e discursou a delegados do Comitê Olímpico Internacional por conta da escolha da cidade russa de Sochi como a sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2014, que foi a primeira edição do evento na Rússia. Em 2008, a cidade de Kazan venceu a escolha da cidade sede da Universíada de Verão de 2013, e em 2 de Dezembro de 2010, a Rússia foi escolhida a sede da Copa do Mundo FIFA de 2018, outro evento que pela primeira vez acontecerá na Rússia.

Outros grandes eventos esportivos que o país foi escolhido para sediar incluem o Grande Prêmio da Rússia de Fórmula 1, em 2014, e o Campeonato Mundial de Hóquei no Gelo de 2016. Tanto em Sochi quanto em Kazan, a preparação para os eventos esportivos incluem a modernização da infraestrutura inteira da cidade, não somente no campo esportivo, mas no transporte, energia, comunicação, habitação e serviços públicos.

Putin é visto com frequência praticando atividades ao ar livre, sempre fazendo propaganda dos esportes e de um modo saudável de vida entre os russos.

Política externa


Relações com as ex-Repúblicas Soviéticas


Uma série de revoluções coloridas nas ex-repúblicas soviéticas, nomeadas Revolução Rosa na Geórgia em 2003, Revolução Laranja na Ucrânia em 2004 e Revolução das Tulipas no Quirguistão em 2005, friccionaram as relações desses países com Rússia. Em dezembro de 2004, Putin criticou as revoluções Rosa e Laranja, dizendo: "Se você tem revoluções permanentes, você corre o risco de mergulhar o espaço pós-soviético em conflitos intermináveis".[90]


Putin e o então Presidente da Geórgia Mikheil Saakashvili em 2008.

Uma série de disputas econômicas entraram em erupção entre a Rússia e alguns vizinhos, como a proibição da importação russa do vinho da Geórgia. E em alguns casos, como os litígios de gás entre a Rússia e Ucrânia, os conflitos econômicos afetaram outros países europeus, por exemplo, quando uma disputa de gás de janeiro de 2009 com a Ucrânia fez a empresa estatal russa Gazprom interromper suas entregas de gás natural para a Ucrânia,[91] deixando uma série de países europeus, para quem a Ucrânia transita gás russo, com grave escassez de gás natural.[91]

Os planos da Geórgia e da Ucrânia para se tornarem membros da OTAN causaram algumas tensões entre a Rússia e esses países.[92] Em 2010, a Ucrânia abandonou esses planos.[93] Putin alegadamente declarou em uma cúpula entre a OTAN e a Rússia em 2008 que, se a Ucrânia se unisse à OTAN, a Rússia poderia defender a anexação do leste ucraniano e da Crimeia.[94] No encontro ele disse ao presidente dos Estados Unidos , George W. Bush, que "a Ucrânia nem sequer é um país!" enquanto no ano seguinte Putin se referiu à Ucrânia como "Pequena Rússia".[95] Após a revolução ucraniana de 2014 em março de 2014, a Federação Russa anexou a Crimeia.[96][97][98] Segundo Putin, isso foi feito porque "a Crimeia sempre foi e permanece sendo uma parte inseparável da Rússia".[99] Após a anexação russa da Crimeia, ele disse que a Ucrânia inclui "regiões do sul histórico da Rússia" e "foi criada por capricho dos bolcheviques".[100] Ele continuou a declarar que a derrota de fevereiro de 2014 do presidente ucraniano Víktor Yanukóvytch tinha sido orquestrada pelo Ocidente como uma tentativa de enfraquecer a Rússia. "Os nossos parceiros ocidentais cruzaram uma linha, se comportaram de forma grosseira, irresponsável e pouco profissional", disse Putin, acrescentando que as pessoas que chegaram ao poder na Ucrânia eram "nacionalistas, neonazistas, russófobos e antisemitas".[100] Em um discurso de julho de 2014, no meio de uma insurgência armada no leste da Ucrânia, Putin afirmou que usaria o "arsenal inteiro" da Rússia e "o direito à autodefesa" para proteger os russos fora da Rússia.[101]

No final de agosto de 2014, Putin afirmou: "As pessoas que têm suas próprias opiniões sobre a história e a história do nosso país podem discutir comigo, mas me parece que os povos russo e ucraniano são praticamente um povo".[102] Depois de fazer uma declaração semelhante no final de dezembro de 2015, Putin disse: "a cultura ucraniana, bem como a literatura ucraniana, certamente tem uma fonte própria".[103]


A União Eurasiática com os atuais membros: Rússia, Armênia, Bielorússia, Cazaquistão e Quirguistão.

Em agosto de 2008, o presidente georgiano Mikheil Saakashvili tentou restaurar o controle sobre a região separatista de Ossétia do Sul. No entanto, o exército georgiano foi logo derrotado na resultante Guerra da Ossétia do Sul em 2008, depois que as forças regulares russas entraram na Ossétia do Sul e depois na Geórgia propriamente dita, e também abriram uma segunda frente na outra província separatista da Abecásia junto às forças abecásias.[104][105] Durante este conflito, de acordo com o diplomata francês Jean-David Levitte, Putin pretendeu depor o presidente georgiano e declarou: "Vou pendurar Saakashvili pelas bolas".[106]

Apesar das tensões existentes ou passadas entre a Rússia e a maioria das ex-repúblicas soviéticas, Putin seguiu a política de integração euro-asiática. Putin endossou a ideia de uma União Eurasiática em 2011,[107][108][109] O conceito foi proposto pelo presidente do Cazaquistão em 1994.[110] Em 18 de novembro de 2011, os presidentes da Bielorrússia, do Cazaquistão e da Rússia assinaram um acordo determinando o objetivo de estabelecer a União Eurasiática até 2015.[111] A União Eurasiana foi criada em 1 de Janeiro de 2015.[112]


Vladimir Putin é o Comandante Supremo das Forças Armadas da Federação Russa.

Relações com a OTAN e os Estados Unidos


A relação da Rússia com a OTAN e os Estados Unidos passaram por diversos passos. No primeiro mandato de Putin, as relações eram de cautela. Após o ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001, Putin apoiou os Estados Unidos na Guerra ao Terror — foi quando a oportunidade de uma parceria apareceu.

Contudo, os Estados Unidos responderam com a expansão das áreas militarizadas da OTAN em direção das fronteiras russas, resultando no cancelamento unilateral do Tratado de Mísseis Anti-Balísticos, o ABM, assinado em 1972 pelos então presidentes Brezhnev e Ford. De 2003 em diante, quando a Rússia foi contra a Guerra do Iraque e Putin tornou-se menos próximo do Ocidente em suas decisões, as relações continuaram a deteriorar-se. De acordo com o especialista Stephen Cohen, a posição da imprensa norte-americana, seguindo os passos da Casa Branca, tornou-se profundamente anti-Putin, saturada de acusações que Putin seria o culpado de problemas que na realidade já afetavam a Rússia desde os anos 1990, e afirmando que Putin foi pessoalmente responsável pelo assassinato de vários opositores políticos, como a jornalista Anna Politkovskaia e o agente desertor do KGB em Londres, Alexander Litvinenko.[113]


Barack Obama e Vladimir Putin em 2009.

Em Fevereiro de 2007, na conferência anual da cidade de Munique sobre política de segurança, Putin criticou abertamente aquilo que ele chamou de monopólio de domínio dos Estados Unidos nas relações internacionais, e o "uso excessivo de força nas relações internacionais". Ele também afirmou que o resultado disso é que "ninguém se sente seguro, porque ninguém é capaz de ver o Direito internacional como uma muralha capaz de nos proteger. É claro que uma política deste tipo estimula uma corrida armamentista".[114] Neste discurso, que ficou mundialmente conhecido pelo desafio feito à OTAN por parte da Rússia, país que chefiava o antigo Pacto de Varsóvia, Putin pediu por uma "ordem mundial justa e democrática, que garanta segurança e prosperidade não para poucos, mas para todos". Suas afirmações foram recebidas com críticas por alguns delegados, como o ex-secretário da OTAN Jaap de Hoop Scheffer, que chamou o discurso de "decepcionante e nada útil".[115] Anteriormente, durante uma entrevista, em Janeiro de 2007, Putin disse que Rússia é favorável a um mundo democrático e multipolar, com o fortalecimento do Direito internacional. Os meses seguintes ao discurso de Putin em Munique foram marcados por tensão e o surgimento de críticas entre os dois países. Tanto as autoridades russas como americanas negaram a ideia de uma nova Guerra Fria.

Putin se opôs publicamente aos planos dos Estados Unidos em criar um escudo de mísseis na Europa e, em 7 de Junho de 2007, apresentou ao presidente George W. Bush uma contra-proposta, pela modernização e compartilhamento da estação de radar de Qabala, no Azerbaijão, ao invés da construção de um novo sistema na República Tcheca, de acordo com os planos de Bush. Putin disse que não seria necessário aplicar mísseis interceptores na Polônia, já que seria melhor situar os mísseis na Turquia, membro da OTAN, ou no Iraque. Putin sugeriu o envolvimento de todos países europeus interessados no projeto. A proposta foi recusada. A Rússia suspenderia a sua participação no Tratado das Forças Armadas Convencionais Europeias em 11 de Dezembro de 2007.[116]

Vladimir Putin também se opôs fortemente à secessão de Kosovo da Sérvia. Ele disse que qualquer apoio a este ato seria "imoral" e "ilegal". Ele descreveu a declaração de independência de Kosovo como um evento terrível que atingirá o Ocidente "na cara". Ele ainda afirmou que os acontecimentos em Kosovo irão destruir todo o sistema de relações internacionais, desenvolvido através de séculos.[117]

Em 2014, em meio à crise política na Ucrânia, Putin considerou uma intervenção militar na Crimeia, cuja maioria da população é russa e onde o presidente deposto, Viktor Yanukovich, seu aliado, havia fugido. Além disso, homens armados não identificados a favor da Rússia haviam tomado prédios públicos e aeroportos da região, onde se localiza a frota marítima russa do Mar Negro. Em 1 de março, o Soviete da Federação aprovou a ação militar, enviando 2.000 homens à região, após apelo do primeiro-ministro. A chefe do Soviete, Valentina Matvienko, afirmou que "“a Rússia não pode ficar indiferente ao fato de as vidas dos russos na Crimeia estarem em perigo”. Em Donetsk, outra cidade de maioria russa, milhares de cidadãos saíram às ruas para apoiar a Rússia.[118][119] O presidente americano, Barack Obama, entretanto, alertou Putin com relação aos riscos dessa invasão.[64] Com a tragédia do Voo Malaysia Airlines 17, que foi abatido na Ucrânia, o governo russo foi acusado de entregar armamentos avançados aos rebeldes separatistas e fornecer treinamento para que eles usassem estes equipamentos.[120] Putin negou que seu governo estivesse apoiando os separatistas e afirmou que as acusações eram precipitadas.[121] Ele também afirmou que iria exigir que os separatistas permitissem o acesso de especialistas internacionais ao local da queda do avião. O presidente russo ainda declarou que "ninguém deveria e ninguém tem o direito de usar esta tragédia para atingir fins políticos próprios", completou dizendo que "tais eventos não deveriam separar as pessoas, mas uni-las".[122]

Relações com o Reino Unido


Em meados dos anos 2000, a crise que se emergiu nas relações entre Rússia e Reino Unido se originou da decisão britânica em oferecer asilo político ao inimigo político de Putin, o oligarca Boris Berezovski, em 2003.[123] O Reino Unido também ofereceu asilo político a diversos cidadãos fugitivos da Rússia, como o líder rebelde da Chechênia, Akhmed Zakaiev.


Putin participando do Conselho de Segurança da ONU.



Em 2006, foi descoberto que o Reino Unido estava espiando a Rússia através de uma rocha falsa, localizada na rua e contendo equipamentos eletrônicos que permitiam a diplomatas britânicos receber e transmitir informações. O serviço secreto russo, o FSB, ligou a pedra a alegações de que os britânicos estariam fazendo pagamentos secretos a grupos de defesa dos direitos humanos, e no mesmo ano em que Putin introduziu uma lei que restringia as ONGs russas de defesa dos direitos humanos de receber dinheiro do exterior. O resultado foi o fechamento de diversas ONGs.[124] Em 2006, a oposição liberal da Rússia acusou o FSB de ter plantado a rocha espiã,[125] mas em 2012, Jonathan Powell, ex-assessor do primeiro-ministro britânico Tony Blair, confirmou que a história da rocha é verdadeira.[126]

O fim de 2006 deixou as relações ainda mais tensas entre os dois países, com a morte do ex-agente fugitivo do KGB, Alexander Litvinenko, evenenado por polônio em Londres. Andrei Nekrasov e Alexander Goldfarb, que também é chefe de uma fundação comandada por Berezovski, fizeram queixas contraditórias de que Litvinenko teria ditato um testamento ao seu advogado — ou concordado com um testamento feito por Goldfarb — no qual Putin era acusado diretamente de seu assassinato.[127] Críticos duvidaram que Litvinenko é o verdadeiro autor do testamento mostrado.[128] Quando questionado sobre as supostas acusações de Litvinenko, Putin disse que um testamento escrito após a morte do autor "por si só não merece comentários", e apresentou sua convicção de que toda a história foi usada para fins políticos.[129] Em 2012, quando a viúva de Litvinenko admitiu que seu marido trabalhara para o serviço secreto britânico, o pai de Litvinenko disse que os serviços secretos russos tinham o direito de executar traidores, e lamentou a participação do filho "na obscura campanha contra a Rússia em geral e o presidente Putin em particular".[126]

Em 2007, a crise terminou com a expulsão de quatro cônsules russos do Reino Unido, por conta da Rússia ter recusado o pedido de extraditar do ex-guarda-costas do KGB Andrei Lugovoi, para que fosse julgado no Reino Unido por seu envolvimento no assassinato de Litvinenko.[123] A constituição russa proíbe a extradição de cidadãos russos para outros países. Como represália ao ato britânico, a Rússia expulsou diplomatas britânicos e anunciou que suspenderia a emissão de vistos para autoridades britânicas e congelaria a cooperação contra o terrorismo, em resposta à suspensão dos contatos britânicos com o FSB. Mais tarde, Lugovoi se tornaria um deputado na Duma, ganhando imunidade contra processos na Rússia. Em 10 de Dezembro de 2007, o embaixador britânico em Moscou, Tony Brenton, reagiu dizendo que "é uma pena que um homem acusado de um assassinato ganhe privilégios políticos. Não faz nada bem à Rússia ter Lugovoi no parlamento, isso torna tudo ainda mais suspeito".[130] No mesmo dia, a Rússia pediu ao British Council que parasse suas atividades no país.[131]

Relações com a China



Putin com o ex-presidente chinês Hu Jintao.

A Rússia de Putin mantém laços fortes e positivos com os demais países dos BRICS. O país tem se esforçado para fortalecer esses laços principalmente com a República Popular da China, assinando o Tratado de Amizade, em 2001, e com a construção do oleoduto transiberiano que vem sanar a necessidade de energia da China.[132] A cooperação de segurança mútua entre os dois países e os vizinhos da Ásia Central é garantida pela Organização para Cooperação de Xangai, criada em 2001 na cidade de Xangai por Putin e os líderes da China, Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão e Usbequistão.

O anúncio feito durante o encontro da OCX — de que a Rússia estabeleceria uma base permanente para voos de bombardeiros de longa distância em operações unificadas com militares chineses, e pela primeira vez em território russo — fez com que especialistas acreditassem que Putin está preparando um bloco para se opor à OTAN.[133] Quanto à comparação, Putin respondeu que "é inapropriada tanto em forma quanto em conteúdo".[134]

Relações com a América Latina


Em 2001, um comitê de alto nível comandado pelo então vice-presidente do Brasil, Marco Maciel, e o primeiro-ministro da Rússia, Mikhail Kassianov, estabeleceu vários tratados bilaterais de longo prazo, iniciando uma parceria estratégica entre os dois países, criando a Comissão Governamental Rússia-Brasil.


Putin foi um dos poucos líderes europeus aliados ao presidente venezuelano Hugo Chávez.

Seguindo este caminho, outro vice-presidente brasileiro, José Alencar, viajou a Moscou em Setembro de 2003 para encontrar-se com o presidente Vladimir Putin e seus principais assessores. Os dois países assinaram um importante acordo na área de tecnologia espacial, defesa de mísseis e transferência de armamentos. Em resposta ao convite feito pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Putin visitou o Brasil em 22 de Novembro de 2004. Em 18 de Outubro de 2005, durante uma visita do presidente Lula a Moscou, ele e Putin assinaram uma aliança estratégica entre Brasil e Rússia. No mesmo dia, assinaram o acordo que permitiu que a Agência Espacial Brasileira pudesse levar ao espaço o primeiro astronauta brasileiro, Marcos Pontes, a bordo da Soyuz TMA-8. Em 26 de Novembro de 2008, durante uma visita ao Brasil, o presidente Dmitri Medvedev assinou com Lula uma isenção de vistos e acordos de cooperação nas indústrias aeroespacial, nuclear e de defesa. O segundo encontro dos BRICS ocorreu em Brasília, seguido do primeiro que acontecera na Rússia.[135]

Putin e seu sucessor, Dmitri Medvedev, mantiveram boas relações com a Venezuela de Hugo Chávez, muito provavelmente por conta do comércio de material bélico — desde 2005 a Venezuela comprava mais de quatro bilhões de dólares em armamentos da Rússia.[136] Em Setembro de 2008, a Rússia enviou bombardeiros Tupolev Tu-160 para a Venezuela.[137] Em Novembro de 2008, os dois países participaram de exercícios navais conjuntos no Caribe. Anteriormente, em 2000, Putin havia restabelecido as boas relações com Cuba de Fidel Castro.

Relações com o Oriente Médio


Líbia



Putin com o líder líbio Muammar Gaddafi. Os dois líderes pretendiam estabelecer um grupo alternativo de países produtores de petróleo.

Em abril de 2008, Putin visitou a Líbia, onde encontrou o líder Muammar Gaddafi, que aceitou a ideia da criação de um grupo composto por países exportadores de gás, no modelo da OPEC.

Com o início da Guerra Civil Líbia, Putin condenou as intervenções militares do país, considerando a resolução da ONU como "defeituosa e falha", declarando que ela "permite tudo e faz lembrar as Cruzadas medievais." [138] Durante todo o episódio, Putin condenou as medidas tomadas pela OTAN. Ao saber da morte de Gaddafi, Putin denominou o ato como um "homicídio planejado", questionando "Eles mostraram ao mundo todo como Gadaffi foi morto. Havia sangue por todos os lados. É isso que eles chamam de Democracia?". [139][140]

Síria


Segundo o correspondente Dmitri Trenin, do New York Times, entre 2000 e 2010, a Rússia de Putin vendeu cerca de US$1,5 bilhão de dólares em armamentos para a Síria, fazendo de Damasco o sétimo maior cliente de Moscou.[141]

Durante toda a Revolução Síria, a Rússia ameaçou vetar quaisquer sanções contra o governo sírio, continuando a vender armas para o governo de Bashar Al-Assad.

Putin se opôs contra qualquer intervenção estrangeira. Em Paris, no dia 1 de junho de 2012, ele rejeitou a declaração do presidente François Hollande, exigindo que Assad se retirasse. Putin propagou o discurso governista do governo de Assad de que os militantes contrários ao regime eram muito mais responsáveis pelo banho de sangue do que as próprias forças sírias e adeptos do governo. Putin questionou: "Quantas pessoas pacíficas terão sido mortas pelos ditos militantes? Vocês contaram? Há ainda centenas de vítimas." Ele também se posicionou a respeito das antigas intervenções da OTAN e os seus resultados, questionando novamente: "O que está acontecendo na Líbia, no Iraque? Eles se tornaram mais seguros? O que eles estão planejando? Ninguém sabe." [142] Apesar disso, ele ofereceu a renúncia do presidente em troca da pacificação do país com uma transição controlada em 2012.[143][144]

Em 17 de junho de 2013, na cúpula do G8 na Irlanda do Norte, Putin encontrou-se com o colega americano Barack Obama. O presidente dos EUA afirmou que os dois teriam visões diferentes sobre a guerra civil na Síria, mas compartilham do interesse em parar a violência e garantir que armas químicas não sejam usadas. Obama também afirmou que as equipes americanas e russas estariam trabalhando por uma conferência de paz sobre a Síria, que deveria ocorrer na Suíça. O presidente americano também convidou Putin a avançar no diálogo com o Irã, criticado pelos EUA e apoiado pela Rússia, após a eleição do candidato moderado Hassan Rohani.[145]

Vida pessoal



Putin durante o funeral de Bóris Iéltsin.

Família


Putin foi casado com Ludmila Putina, que conheceu na universidade. Putin e Ludmila viveram na Alemanha entre 1985 e 1990. Pouco antes de voltar à União Soviética, houve rumores que Putin estaria envolvido com uma espiã alemã, e teria inclusive deixado uma criança para trás. Em 6 de junho de 2013, Putin e Ludmila anunciaram o divórcio ao vivo pela televisão russa.[146] Por vários anos antes da confirmação do divórcio, Ludmila já não era vista ao lado de Putin com frequência, dando sinais de que o casal estava prestes a se separar. A última vez que ela foi vista publicamente, ainda como esposa do presidente, foi em maio de 2012, na cerimônia de posse de Putin para o terceiro mandato.


Vladimir Putin casando-se com sua esposa Ludmila.

Putin teve duas filhas com a ex-esposa: Maria Putina (nascida em Leningrado, 1985) e Ekaterina Putina (nascida em Dresden, Alemanha Oriental, 1986). Suas filhas cresceram na Alemanha Oriental e estudaram em escolas alemãs em Moscou, até a posse do pai como Primeiro-Ministro. Futuramente, elas estudariam economia internacional na Academia de Finanças de Moscou. Fotografias de suas filhas são raramente divulgadas pela imprensa russa, por razões de segurança, e diferentemente da família Iéltsin, a família Putin não possui uma foto familiar para fins oficiais.[147]

Riqueza pessoal



Vladimir Putin a bordo de seu iate privado na baía de Sydney.

Cálculos de 2007 estipulam que a riqueza de Putin é de aproximadamente 3,7 milhões de rublos (cerca de R$ 206,5 mil) em contas bancárias, um apartamento de 77m² em São Petersburgo, 260 ações do Banco de São Petersburgo[148] e dois automóveis Volga M21 dos anos 1960 herdados de seu pai, mas que não são registrados para uso rodoviário. Em 2012 Putin declarou uma renda de 3,6 milhões de rublos (cerca de de R$ 200,9 mil). O relatório fez com que líderes da oposição, como Boris Nemtsov, questionassem como Putin é capaz de manter certas posses, como seus 11 relógios de luxo com valor estimado de US$ 700 mil (cerca de R$ 2,8 milhões).[149]

Rumores vindos da oposição afirmam que Putin possui, secretamente, uma grande fortuna (estimada em 40 bilhões de dólares) adquirida por meio de sucessivas compras de ações em diversas companhias russas.[150] Quando questionado em uma conferência de imprensa, em 14 de Fevereiro de 2008, se ele era a pessoa mais rica da Europa, como alguns jornais afirmaram, Putin respondeu: "Sim, sou o homem mais rico não somente da Europa, como também do mundo, eu acumulo emoções, eu sou rico e satisfeito pelo fato de o povo russo ter me confiado duas vezes a liderança de um país tão glorioso como a Rússia, e eu considero que essa é a minha maior riqueza. Quanto aos rumores sobre riqueza material, eu olhei esses documentos, e isso é papo furado, indigno de discussão, pura besteira. Eles enfiaram o dedo nos narizes deles e mancharam esses papéis com a sujeira que saiu. É isso que eu acho".[151]

Artes marciais


Putin é conhecido praticante de artes marciais. Pratica sambo (graduado como mestre - faixa azul) e judô (faixa preta, sexto dan).[152]

Embora não seja o primeiro político praticante de artes marciais, é o que possui os melhores resultados. Em função destes resultados, possui os títulos honorários de presidente da Federação Internacional Amadora de Sambo (FIAS)[153] e da Federação Internacional de Judô (FIJ)[154]

Música e Pintura


Em Dezembro de 2010, em um concerto organizado para uma fundação de caridade para crianças de São Petersburgo, Putin tocou no piano a canção popular russa Pátria, que era a música tema do seriado de espionagem favorito de Putin. No mesmo evento, ele cantou em inglês a canção Blueberry Hill, de Fats Domino, em um auditório formado por diversos astros europeus e de Hollywood, como Kevin Costner, Kurt Russell, Sharon Stone, Alain Delon e Gerard Depardieu.[155]

Um quadro pintado por Putin em 2008, sob o nome "Узор на заиндевевшем окне", foi vendido, em São Petesburgo, por 37 milhões de rublos (860.000 euros). A pintura foi feita para uma coleção de pinturas de personalidades russas famosas. Os pintores escolhidos deveriam ilustrar uma das letras do alfabeto russo, de modo a ligar o quadro ao conto Véspera de Natal, de Nikolai Gogol, que naquele ano celebraria seus 200 anos. O ano de finalização da pintura, que ilustrava uma janela coberta de neve entre uma cortina de estilo ucraniano, coincidiu com a disputa de gás entre Rússia e Ucrânia, responsável por deixar diversos países europeus sem gás, em pleno Janeiro.[156]

Imagem pública


O seu governo geralmente é comparado e descrito pela mídia especializada com as administrações ao longo da história norte-americana, como os governos de Abraham Lincoln e de Franklin Delano Roosevelt. Tal como Lincoln, tinha uma visão moralista e cristã da política, ignorou partes da constituição americana para suprimir a autonomia local, rivalizou com as elites exportadoras tradicionais do país e com a elite do sistema financeiro, tomou posse como um político moderado e conciliador, concordando entrar para a política por causa da persuasão de seus admiradores. Também ambos se basearam em uma aliança com o Estado Russo, cujo czar também havia abolido a servidão em 1861, cooperando com Lincoln para contrapor a um apoio britânico aos confederados. Ambos se ancoravam em movimentos sociais da época, sejam eles sindicalistas ou comunistas, embora nenhum dos dois sejam de esquerda, mas críticos ao capitalismo sem fiscalização. Ambos os governo são hoje considerados populares em seus países e são demonizados pela mídia durante vários anos.[157] Outros autores comparam as políticas dele com a tática conservadora de Nixon.[158]

As comparações entre o seu governo e o do Roosevelt estão no campo da economia e das relações internacionais, sendo que ambos os governos tiveram que lidar com crises econômicas anteriores a suas posses e buscaram alianças políticas para resolver guerras da época na base do consenso, tributaram as elites, fiscalizaram o setor financeiro, investiram na indústria de base, rejeitaram a russofobia e tiveram apoio amplo de setores progressistas e de esquerda e enfrentaram fascistas.[157]

Putinismos



Putin em uma de suas conferências anuais, conhecidas como linhas-diretas.

Assim como o primeiro-ministro Victor Chernomyrdin, cujas inúmeras declarações atrapalhadas e gafes verbais ficaram mundialmente conhecidas, Putin produziu um grande número de aforismos e bordões, conhecidos como putinismos. Vários deles foram criados durante suas conferências anuais de perguntas e respostas, em que Putin responde questões de jornalistas e do auditório, assim como de russos espalhados pelo país, que ligam pessoalmente ou se comunicam através de estúdios localizados em toda a Rússia. Putin é conhecido pela sua linguagem forte, direta e afiada. Os exemplos mais populares de putinismos incluem:

  • Мочить в сортире."Arrebentar na latrina". Um dos putinismos mais antigos, criado em Setembro de 1999, quando Putin prometeu acabar com os terroristas onde quer que eles estivessem, incluindo banheiros públicos.[159]
  • Она утонула."Afundou". Essa foi a curta resposta que Putin deu à questão de Larry King, em Setembro de 2000, quando perguntado sobre o que aconteceu com o submarino K-141 Kursk. Putin foi criticado pelo cinismo presente nesta resposta.
  • Пахал, как раб на галерах."Arei como um escravo em uma galé". Foi assim que Putin descreveu seu trabalho como presidente entre 2000 e 2008, durante uma conferência, em Fevereiro de 2008. A frase tornou-se popular e até mesmo transformada, por conta de uma corruptela - "как раб" ("como um escravo") soa muito parecido com "как краб" ("como um caranguejo") - o que rendeu a Putin o apelido na internet de Krabbe (gíria russa para caranguejo), enquanto o presidente Medvedev foi apelidado, por alguma razão, de "Mamangaba".[160]
  • От мертвого осла уши."As orelhas de um asno morto". De acordo com Putin, é isso que a Letônia receberia se continuasse reivindicando o distrito de Pytalovski, que faz fronteira com o país. Após a declaração de Putin, a Rússia e a Letônia assinaram um tratado em que a Letônia retirava suas reivindicações territoriais.[161]
  • Шакалить у иностранных посольств."Estrebuchar em frente de embaixadas estrangeiras". Nessa frase, Putin se refere à oposição não sistêmica russa, caracterizando-a como um grupo sem qualquer apoio da população que implora por dinheiro e apoio dos governos estrangeiros.[162]
  • Как минимум государственный деятель должен иметь голову. — "No mínimo, um chefe de Estado deve ter cérebro". Foi esta a resposta de Putin à secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, que acusou que Putin não tinha alma, por conta de ele ter sido um oficial do KGB. Putin também afirmou que as relações internacionais devem ser construídas não com emoção, mas sim com base nos interesses fundamentais dos estados envolvidos.[163]
  • Ручку верните!"Devolva a caneta!". Essa ordem foi dada por Putin ao oligarca industrial Oleg Deripaska, que foi obrigado a assinar um acordo que resolvia uma crise trabalhista com a caneta do presidente. Putin fez questão de resolver a questão pessoalmente.[